VERDADE SUBJECTIVA
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. “Em Kierkegaard dá-se a particularidade de o pensamento se ter formado menos por assimilaçón de elementos estranhos que por aprofundamento contínuo da própria personalidade, por unha consciência cada vez mais lata e exigente das condiçóns, non xá da sua existência em xeral, mas do seu próprio existir”. A verdade non é algo que se pensa, mas que se vive na própria existência individual, subjectiva. Non se pode compor á força de estudo livresco, compoê-se no existir real. A expressón dessa verdade non pode ser mais que unha observaçón exacta e honesta da própria interioridade: “Toda a obra xira sobre mim mesmo, única e exclusivamente sobre mim mesmo” (Pós-Escripto). Neste ponto encontramo-nos muito perto do “Ensaios” de Montaigne, para quem “o pior estado do homem dá-se quando perde o conhecimento e o governo de si mesmo”. A consciência da própria existência coincide com esta mesma existencia. É unha consciência interior que leva a compreender a própria existência a partir de dentro, non de fora, teoricamente, como se fosse um objecto como os outros. Este é precisamente o erro do racionalismo, que ao objectivar a subjectividade faz desaparecer a existência. Non há um hiato entre o ser e o saber, os dois están fundidos. A diferença entre verdade subjectiva e objectiva pode ser ilustrada pelo uso do verbo “acreditar” com e sem preposiçón. Pode acreditar-se que a alma é imortal, unha alternativa á possibilidade de ser mortal; Sócrates acreditava na imortalidade da alma, por isso aceitou tomar cicuta depois de ser objecto de um veredicto injusto e aguardar a morte conversando tranquilamente com os discípulos acerca da imortalidade. Se alguém nos diz que acredita que Deus existe (ou que non existe) só nos comunica unha ideia; se disser que acredita em Deus está a envolver-se pessoalmente. “Acreditar” é, nestes exemplos, algo meramente intelectual, um saber que non compromete o ser; “acreditar em si” implica a totalidade da pessoa, porque representa unha verdade subjectiva que dá alento e impulso. Em algunhas questóns procura-se a verdade subjectiva: a morte, casar-se, o modo de vida que se escolhe, admitem tratamentos “objectivos”, mas, pelas suas profundas implicaçóns para a pessoa, o que requerem é a procura de unha verdade subjectiva. Os epicuristas do período helenístico diziam que era absurdo preocuparmo-nos com a morte, porque quando estamos ela non está e, quando ela está non estamos nós. É um argumento muito sensato, muito sóbrio, muito claro. Mas quem pode ficar satisfeito com a sua assepsia? Non está muito mais perto da alma humana, da sua verdade subjectiva, o desabafo de Miguel de Unamuno: “Non quero morrer, non, non quero, nem quero querê-lo; quero viver sempre, sempre, sempre, e viver eu, este pobre eu que son e me sinto ser aqui e agora, e por isso me tortura o problema da duraçón da minha alma, da minha.”?
joan solé
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