O CHOQUE COM A SOCIEDADE
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Era provavelmente considerado unha personagem um pouco excêntrica devido ás suas ideias radicais, e sem dúvida que era conhecida a autoria das suas obras pseudónimas, mas após o tumulto que a ruptura com Regine Olsen causara. Kierkegaard vivia tranquilamente em Copenhaga, onde dava passeios quotidianos e conversava com pessoas de todas as orixens que encontrava na rua. Esta vida pacata acabou em 1846, devido a um conflicto aparentemente absurdo. Um crítico literário publicou unha resenha de “Estádios no Caminho da Vida” na qual non deu mostras de ter entendido o livro e, em todo o caso, non o elogiou. Kierkegaard replicou com um artigo num xornal, em que relacionava o crítico com unha revista satírica do momento, “O Corsário”, publicaçon semanal que ridicularizava personagens públicas da sociedade dinamarquesa, mas que até enton non se metera com ele porque o seu director o respeitava. No artigo de réplica, Kierkegaard desafiou sarcasticamente a revista que o transformará no alvo dos seus. Non devia ter-se mostrado tan ofensivo. No início de 1846, começaram a aparecer em “O Corsário” caricaturas que o apresentavam como unha personagem disforme, corcunda (os anos tinham acentuado a deformaçon das suas costas). Com pernas de extensón desigual que lhe causavam um andar irregular, ou sexa, no conxunto, como unha figura desconcertante. Embora o semanário tenha deixado de ser publicado em outubro daquele mesmo ano, o prexuízo que causou a Kierkegaard foi enorme; transformou-o num motivo de chacota. Muitos reconheciam-no pelas caricaturas satíricas e riam-se dele quando o viam na rua. O autor, que provocara a sua própria ruína ao desafiar “O Corsário”, de repente perdia um dos seus grandes prazeres, que era passear pela sua cidade. Non tardou a transformar a amargura por esta situaçon desagradável nunha intensa consciência de martírio, á semelhança do que Cristo padedera. Reforçou a sua convicçon de ser um indivíduo isolado em confronto com as massas, sem mediaçon possível entre os dois termos. O patronímico Sorensen (“filho de Soren”) é um dos apelidos mais comuns na Dinamarca. No entanto, o nome Soren, que em tempos também foi dos mais vulgares do país, quase deixou de se usar depois da campanha difamadora de “O Corsário”. O incidente tornou-o um nome maldito.
joan solé
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