Arquivos mensuais: Outubro 2017

“A HUMANIDADE APRENDEU DE MIM ALGUNHAS COUSAS QUE NUNCA ESQUECERÁ”

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.              Pouco antes de morrer, nunha conversa com um discípulo, Schopenhauer disse-lhe, “A humanidade aprendeu de mim algunhas cousas que nunca esquecerá”.  É verdade. O seu pensamento talvez nunca venha a ser unha corrente dominante,  tanto nas universidades como na sociedade e, possivelmente, é melhor que assim sexa, xá que isso implicaria que a humanidade tivesse de aprender a ser santa (o que é improvável) para conseguir viver sem ilusóns nem miraxens.  Mas está muito presente em alguns âmbitos do pensamento contemporâneo e, de um modo xeral, pode falar-se de unha presença difusa das suas ideias no mundo actual.  A sua doutrina, tan afastada da linha filosófica dominante na cultura occidental, ficou suspensa no ar como se ninguém soubese muito bem o que fazer com ela.  O pensamento oficial non aceitou as suas ideias por serem impossíveis de assumir como um bloco, non só porque conduziriam a um precipício social, mas também porque muitos filósofos tém assinalado defeitos e inconsistências na sua doutrina metafísica.  Mas, ao mesmo tempo, essas ideias non podiam ficar esquecidas, acabando por perdurar, por conterem alguma verdade demasiado profunda para poderem ser ignoradas.  Schopenhauer é hoxe o filósofo mais lido, xuntamente com Nietzsche, despertando fascínio e surpressa na nossa imaxinaçón metafísica.  O mundo non esqueceu “algumas cousas” que aprendeu dele.  E é possível assinalar as principais razóns desse prolongado namoro.

joan solé

EM NOME DE GUILLADE (XV)

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.              O pleito mais interessante é o conservado no arquivo da Chancelería  de Valhadolíd (ACV, 3882.0021, anexo documental), tamém entre os vecinhos de Guillade e os de Uma sobre demarcaçón de montes, datado em 1828.  

               Sobre os límites entre as dúas parroquias incorporaría-se ao pleito um expediente de deslinde parroquial realizado em 1690: “(…) en ella se ha de poner un mojon antiguo que se halla en el outeiro  Mou/rigade; y de halli va corriendo derecho de dicha demarcación se obra señal que se puso en la/ (…) de antonio que es de Juan Jorge y Pedro Dominguez (…) se le a de poner otro mojon/ y desde dho sitio y señal que queda, va corriendo derecho dha demarcador a otra señal que/ queda entre la heredad de Benito Martinez y Juan Miguez que hoy posee su muger en don/de se ha de poner otro mojon y desde alli ba corriendo derecho dha demarcacion al muro de la eredad/ que llaman de toudon que hoy tiene Benito Martinez en donde se ha de poner otro mojon y desde halli ba/ corriendo derecho dha demarcacion a otra señal y esta en el Prado de el campo que llaman de fonte de/ mouro que finco de Pedro Marcos que hoy tiene sus herederos en donde se ha de poner otro mojon y de/  halli va corriendo derecho dha demarcacion a una Piedra que esta entre dho campo y el monte/ de la parte de arriva de el riego que tambien queda señalado y halli se ha de poner otro mojon y/ desde halli va corriendo derecho dha demarcacion a este mojon que esta en el monte que lla/man de esto de hipias, y cividad y desde halli a las demas demarcaciones que hubiere y en esta manera di/geron dho abad de Guillade y dicho P. Prior su nombre de dho convento aceptaban la dha demarcacion.”.

a irmandade circular

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A PARTE DIGNA DA HUMANIDADE

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              Schopenhauer foi ignorado e passou completamente desapercebido até aos setenta e muitos anos, levando unha vida de solteiron solítária e á custa dos seus rendimentos, convencido do valor das suas ideias e de que, mais cedo ou mais tarde, a humanidade (ou a parte digna da humanidade) acabaria por aceitá-las.  A partir de 1855, houve unha reviravolta e alcançou um grande sucesso, ainda que non tivesse sido com a sua obra fundamental, escrita três décadas antes, mas com unha versón menos difícil de compreender (e de aceitar) do seu pessimismo metafísico, unha perspectiva, intelectual e moralmente, mais suavizada, ou, como ele a apelidava, unha “filosofia para o mundo”; unha colecçón de reflexóns éticas para sobreviver e, até, conseguir melhorar a passagem por este vale de lágrimas.  Os seus últimos quatro anos foram de fama e reconhecimento, um sucesso que acolheu com enorme complacência, tal como o séquito de submissos admiradores que o idolatravam.  Lonxe de practicar a moderaçón dos desexos e a renúncia que aconselhava como princípios éticos, era muito dado á boa mesa, fumava belos charutos e assistia com bastante frequência a concertos (adorava Rossini, mas também Mozart), óperas e peças de teatro.  Durante a xuventude e xá na idade adulta teve várias relaçóns amorosas.  Sempre viu as relaçóns humanas nunha perspectiva vertical, em termos de submissón e admiraçón em que ele, naturalmente, devia ocupar o polo superior. Salvo na infância e na primeira xuventude, non conheceu a amizade. No caso de Schopenhauer (tal como no de Nietzsche e de Kierkegaard), non é possível, nem desexável, analisar as ideias em abstracto e descarnadas, á margem da personalidade que as concebeu, tendo em conta a intensa humanidade da sua obra.  Além disso, Schopenhauer dá ao carácter humano um enorme relevo no conxunto da sua doutrina, xá se enunciou que, segundo esta, o mundo é unha manifestaçón de unha força ou energia universal que se objectiva e expressa em todos os seres individuais.  Nessa manifestaçón há unha gradaçón do ser de acordo com a sua complexidade, em sentido crescente, de menos complexo (o inorgânico: unha pedra) até ao mais complexo.  O topo desta hierarquia é ocupada pelo carácter dos seres humanos: cada carácter individual de cada pessoa singular é unha expressón única e irreductível da força, ao contrário do que acontece com os animais, nos quais non existe um carácter individual, isto é, o indivíduo non se diferença da espécie.  Cada carácter humano é algo fixo e atemporal, non se modifica nem se transforma pelas circunstâncias ou pelo passar do tempo. Se qualquer carácter idiossincráctico revela esta força, é obrigatório prestar atençón ao carácter do ser humano que forxou esta concepçón, porque nos mostrará algo essencial da força que nele se expressa.

joan solé

O TIA MATILDE 2017

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              O “Tia Matilde”, subiu um pouco na qualidade, ainda que nunca mais conseguiu alcançar aquela altura memorável das “Anguias assadas nas brasas”, e do branco “Madrigal” de Bento dos Santos.  Mártir, condenado por elitísta.  Perdeu o seu programa televisivo.  ¡¡Viva a trangalhada!!   Muito boas “Pataniscas de Bacalhau”, melhor “Canxa de Garoupa”, e o “Arroz de Pato”, tamém estava quá-quá!

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O YIN E O YANG (4)

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.              Um observador taoista diria que os dous professores (Schopenhauer e Hegel) encarnavam o “yin e o yang”, dois princípios opostos.  Non era pouco o que separava o sucesso hegeliano do falhanço schopenhaueriano.  Hegel  falava de unha História com um sentido e um fim, cuxo apogeu era atingido graças aos conceitos filosóficos que ele espelhava nos seus livros e nas suas aulas.  Que oferecia o candidato ao seu lugar?  Exactamente o contrário.  Quanto á História, afirmava que non fazia qualquer sentido, comparando-a a unha grotesca representaçon da “Commedia dell’Arte”, em que algumas personagens recorrentes – Arlequim, Pantaleón, o militar patéctico – levaram a cena, unha e outra vez, a mesma representaçón tráxico-cómica, sem nenhuma melhoria, sem nenhum progresso, apenas com unhas leves variaçóns no argumento e no cenário, das quais elas non estavam, sequer, conscientes;  também a comparava a um caleidoscópio que mostrava formas diferentes a cada volta, mas sempre com os mesmos espelhos.  Mas a sua concepçón da história até nem era a questón menos atractiva.  Com a metafísica mais pessimista que alguma vez unha mente europeia foi capaz de conceber, defendia que este mundo que vemos e no qual vivemos, desde o nosso corpo e do nosso querer mais íntimo até ao último confim do universo, é a dolorosa manifestaçón de unha força ou energia cósmica cega que ele denominava de “vontade”, eternamente desexosa, eternamente insatisfeita.  A vontade manifesta-se nos indivíduos, marionetas dessa força devastadora e insaciável, tal como em todos os fenómenos naturais, nas árvores, nos animais e nas pedras.  Explicava que a existência humana é um pêndulo em oscilaçón entre os polos da dor e do aborrecimento, ambos igualmente insuportáveis.  Recomendava que se aprendesse a renunciar e a refrear os desexos de forma a alcançar um estado de serenidade e indiferença – influência do hinduísmo e do budismo – e apresentava a compaixón como única relaçon positiva possível entre as pessoas: a amizade e o amor eram quimeras, aspiraçóns impossíveis de realizar: os que as buscam parecem-se com porco-espinhos que, numa noite fria, se apertam uns contra os outros para manterem o calor e apenas conseguem espetar os espinhos uns nos outros.  A única felicidade que os humanos podiam atinxir era de índole negativa: ausência de sofrimento, de desexo e de tédio.  Para compreender esta amarga verdade, era preciso corrigir o “erro inacto” por excelência; achar que se chegou a esta vida e a este mundo para ser feliz.  Non só se sofria todos os males físicos e morais imaxináveis, como ainda se era víctima de um engano: o suxeito, para além de pensar que estava aquí para ser feliz, achava que podia mandar na própria vida, quando, na realidade, era unha marioneta cuxos fios eram movidos por essa insaciável “vontade” universal.  Além de ser um simples meio para a perpectuazón da espécie; quando pensava que se tinha apaixonado no mais profundo do seu ser, quando lhe fervia o sangue nas veias e se sentia na lua, era a espécie que o levava a copular para que procriasse e, assim, garantir a sua permanência; a cada indivíduo em particular non prestava atençón.  Além disto, na indolente ignorância de si mesmo, o homem desconhecia que o seu ser individual se encontrava num sonho e que, quando acabasse esse sonho, desvanecer-se ia a sua falsa singularidade.  Enquanto non descobrisse todas estas verdades, e se mantivesse como um vehículo do desexo insaciável, continuaria a assemelhar-se ao aplicado hamster que corre na roda da sua gaiola e que, apesar de todo o seu esforço, non avança nem um centimetro.  Non, Schopenhauer non tinha encontrado a fórmula do sucesso.  Nem seria provável que, hoxe, o contratassem como “coach” para dar cursos de motivaçón, participaçón em dinâmicas e sinergias de empresa ou superaçon pessoal.

joan solé

 

O DEFUNTO COM GORRO DE GAITEIRO

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              Estava eu, com a porcaria da televisón acesa, quando de repente, no segundo canal da espanhola, começou um novo programa sobre os “Celtas”.  Cousa muito rara!  Pois segundo os entendidos na matéria, a civilizaçón Celta vêm sofrendo unha ocultaçón, que se prolonga por milénios, e que começou pelo assassinato dos Druídas por parte dos romanos e tamém de Carlos Magno.  Como se as crenças igualitárias e o seu modelo de organizaçón social, representaram unha ameaça para as civilizaçóns modernas.  Nas massácres dos Príncipes e Druídas, buscava-se, borrar radicalmente a insolència de uns e a prestixiosa sabiduria dos outros.  Non eran compatíveis com um mundo de vassalhos, nem com os grandes impérios megalómanos, non obstânte, penso que non conseguiron eleminá-los de todo.  Prova disso, é o nosso Druída de Guillade, e tamém todos aqueles que seguem aparecendo das tumbas.  Sendo o nosso Prisciliano, a maior de todas estas reminiscências, e que apesar de ter acabado igualmente de forma tan tráxica, marcou fundamentalmente o carácter Galaico durante séculos. Mas, retornando ao nosso tempo e ao espectáculo televisivo, esta série sobre os Celtas, mostrou unha mâmoa descoberta há pouco em França, em cuxa câmara funerária estava sepultado debaixo do seu escudo, um personaxe importânte, que ademais do seu torques e braceletes de ouro bellissimos, tinha um altaneiro gorro de duas puntas, igualinho áquel que usan os nossos gaiteiros. 

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EXACTAMENTE Á MESMA HORA (3)

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.              …a poucos metros de distância (da conferência de Hegel),  mas noutro universo conceptual, um xovem professor de trinta e poucos anos dava os primeiros passos na sua carreira universitária.  E podia contemplar o vazio absoluto exposto nos bancos desocupados á sua frente.  O curso que se anunciava, com unha certa pompa, há que dizê-lo, como “Filosofia Xeral ou teórica da essência do mundo e do espírito humano” apenas tinha despertado a curiosidade de cinco ouvintes.  O doutor Arthur Schopenhauer publicara a sua tese há sete anos e apenas há dous a sua obra-prima;  “O Mundo como Vontade e Representaçón”, que, segundo o seu autor, clarificava o mistério da existência humana e do universo.  Mas o mundo demorava a dar-se conta daquela revelaçón.  O balanço mais positivo do seu exercício académico seria unha diminuta assistência que, no segundo semestre daquele ano, correspondia a quatro seguidores; um funcionário público, um dentista, um professor de equitaçón e um comandante aposentado.  O digno professor non tinha encontrado a fórmula ganhadora.  Apesar de ter iniciado o curso com ímpeto e confiança, tendo pedido expressamente á direcçón da universidade que programasse as suas aulas á mesma hora que as de Hegel, xá que queria derrotar o que classificava como filosofastro e autor de unha “ladainha inintelixível”, a verdade é que, naquele ano, teve de comer o pan que o diabo amassou, tal como nos anos seguintes em que a Universidade de Berlim continuou a anunciar o seu curso sem qualquer repercusón.  Ao fim de unha década de indiferença,  Schopenhauer acabou por renunciar á carreira docente e, daí em diante, passaria a desprezar e a ridicularizar a filosofia de academia.  O mundo non lhe deu importância nenhuma durante os trinta anos seguintes e, enquanto isso, o filósofo viveu no anonimato sem que as suas concepçóns tivessem qualquer repercusón.

joan solé

A CASA DO BACALHAU

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              Na rua do Grilo, alá polo Beato, onde há anos fun a pé propositadamente, vários kilómetros por esta zona arcaica da cidade de Lisboa, tan chea de lembrânzas para mim e para a minha família, com a intençón de comer um “Galo de Cabidela” feito por um xovém xefe de cozinha, o qual me recomendou que non o comera porque era demasiado pesado.  Mas eu, que sempre fun teimoso, e depois da caminhada efectuada, insistin no galo acompanhado de vinho da “Quinta do Peso” (ainda para mais inri), no Alentexo.  E confesso, que non me arrependo da minha contumácia, pois ainda hoxe conservo grata memória dessa aventura gastronómica.  Hoxe em dia (tempos duros de “eficácia” neo-liberal), nun convento xelado, do qual saim com escalofrios, non sabendo se o mau era eu ou o lugar, está agora a “Casa do Bacalhau”.  A sopa “aveludada de verduras” estava deliciosamente boa, e foi o melhor que alí comemos.  O “Bacalhau á Brás”, non estava mal.  O Irmán Comuneiro Chico pediu um “Bacalhau com natas”, que era unha amassada de queixo e natas, difícil de tragar.  Mas como non é homem de voltar a cara ás dificuldades, acabou por comer tudo.

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UNHA GRANDE CRISE DA FILOSOFIA (2)

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.              No ano de 1820, na Universidade de Berlim, foi possível assistir, várias vezes, ao início da tarde, a unha situaçón de acentuado contraste.  Por um lado, Georg Wilhelm Friedrich Hegel,  porta-estandarte do triunfante pensamento idealista, enchia a sala até ao tecto com mais de duzentos assistentes em cada unha das suas aulas, o que non seria nada de extraordinário para qualquer espectáculo mas, tratando-se de filosofia, era excelente.  A audiência de Hegel non se limitava a filósofos principiantes, muito pelo contrário, incluía trabalhadores de todos os tipos, bem como outros funcionários do Estado prussiano (o que hoxe conhecemos como Alemanha era, enton, em traços largos, a Prússia).  Havia várias razóns para tal sucesso clamoroso.  Hegel partia de um hiper-racionalismo levado ao extremo – “tudo o que é real é racional e tudo o que é racional é real”, sendo tudo o resto escória indigna de consideraçón filosófica – para construir unha interpretaçón optimista da sociedade, do Estado e da história.  Do seu ponto de vista, a história universal tinha um sentido definido, cuxo apogeu era a Prússia até áquele momento, enquanto o servidor (ele mesmo) era, naturalmente, o apogeu da filosofia, xá que tinha sido ele quem tinha identificado o desenvolvimento triunfal dos acontecimentos e das ideias.  A coisa era exposta com argumentos muito subtis e enrevesados, mas a ideia principal era essa e se todos ficavam satisfeitos non havia razón para a negar.  Hegel utilizava unha linguagem críptica e opaca para expressar esses conceitos obscuros que, ainda assim, gozavam de enorme aceitaçón nunha arrebatada audiência, podendo-se questionar até que ponto compreendia aquelas filigranas idealistas, em que um espírito absoluto se exteriorizava na história universal para atinxir a sua autorrealizaçón e autocompreensón.  Fosse como fosse, Hegel tinha encontrado unha fórmula ganhadora, um “leitmotiv” que fazia fortuna e um público que lhe aplaudia tudo.  E non só.  O Estado prussiano promovia-o na hierarquia universitária nacional, porque a sua mensagem, que afirmava o progresso histórico e social, mas dentro de unha ordem e subjugado á autoridade, vinha-lhe mesmo a calhar, numa altura particularmente vonvulsa (Napoleon fizera alguns estragos com os seus exércitos na Europa e na Prússia, estendendo os ideais da Revoluçón Francesa e tendo até a ousadia de proclamar-se imperador).  A Igrexa também estava contente com Hegel, porque o espírito universal non chocava com nenhuma das principais questóns da doutrina.  Feitas as contas, Hegel non podia pedir mais, a vida sorria-lhe.

joan solé

VELA LATINA

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.              Estava unha tarde demasiado calorosa, para ser o mes de Outubro.  Polo qual, fomos para as bandas do rio Tejo, perto da Torre de Belem, onde fica o restaurânte Vela Latina.  Lugar “Chick”, na vaga esperânza de encontrar por lá o nosso Doutor Sócrates, para assistir a unha das suas brilhantes conversas, das quais nos vimos privados, por abuso de autoridade do estado português.  Encontro bastante difícil de darse, porque em primeiro lugar el non nos conhece, e apesar do nosso apoio el nunca nos viu mais gordos.  Mas, estáva-se bem, é um lugar para o calor, a parsimónia, tomar um xelado de “frutos do pecado”, e sobre todas as cousas falar largamente.  E pensar, como o “Leviatán” português, devorou um dos seus filhos mais brilhantes, hoxe em dia, somente comparável a Pablo Iglésias.

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ARTHUR SCHOPENHAUER (1)

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“SCHOPENHAUER, QUE DESCIFROU TALVEZ O UNIVERSO”

.               Perante a invexosa quezília, que tenhem todos os filósofos do club académico para com Schopenhauer, eu mesmo me vim obrigado a fazer esta presentaçón.  Visto na extrema necessidade de defender este xénio, tal como a Bakunín, dos seus maldizentes introductores, que como perros assanhados lhe ladran, intentando morder-lhe as canelas.  Arthur Schopenhauer (1788 – 1860),  A principal das suas virtudes, depois das filosóficas e literárias, foi a misântropía, non era precisamente um homem caloroso, mas sim orgulhoso.  Durante toda a sua vida gostava de “falar da intelixência estúpida e, da estúpidez intelixênte”,  Em contra do “discurso,discursivo”  da “explicaçón, explicativa” e da “arte, artística”.  Falou mal e desprezou, os filósofos profissionais, em particular a Georg Wilhelm Friedrich Hegel, a quem acusava de ter elocubrado unha inclemênte “salgalhada”.  Afortunadamente, para todos os seus leitores, o dinheiro que recebeu do seu difunto pai, permitiu-lhe viver para a Filosofia, e non da filosofia.  Ás vezes, non podia aguantar-se mais, e montava alguns escandalozitos, acabando por insultar toda aquela borregada, sobre tudo nas tertúlias, nas que participava gustosamente até altas horas, se necessário fora. Estava dotado de um grande humor, brilhante e corrosivo, que atirava á cara do público, dizendo, que provávelmente non chegariam a entender nada do tratado, por estarem intelectualmente a baixa altura. “Quando unha cabeza que batia contra um livro, soá-se a oco, non necessáriamente sempre era culpa do livro”, e que non se preocuparam com o dinheiro gasto, xá que a elegante edicçón poderia muito bem decorar os seus “buffetes”.  Non obstante, muitos foram os leitores que disfrutaron verdadeiramente com as ideias de Schopenhauer, um dos nomes mais queridos de toda a Philosophia.  “Que em breve os vermes roam o meu corpo, é um pensamento que eu posso aguantar.  Mas que os catedrácticos universitários rumiem a minha filosofia, é unha ideia que me horroriza!”.  Mergulham na sua vida pessoal para intentar rebaixá-lo, ás vezes sem qualquer pudor, colando-lhe ás costas o cartel de pessimista.  Mas todos aqueles, que tenhem a fortuna de entendê-lo, sabem que aquí está um dos homens mais intelixentes que paríu madre.  E quando el fala, há que arrecrichar as orelhas, pois dificilmente alguém poderá faze-lo melhor.    

antónio argibay sebastian

EM NOME DE GUILLADE (XIV)

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.               Outro dos  pleitos, refere-se á apropiaçón por parte de Antonio Gregores e Pedro Damil de monte comúm e caminho de carro no lugar de Porto de Oleiros, em 1738. (ARG, Vecinhos, 9920-46).

               Nestes pleitos compróba-se como se recurre ás testemunhas dos vecinhos mas tamém a velhos litíxios ou deslindes parroquiais para ratificar os dereitos que os vecinhos reclamavam sobre o monte comúm e os seus recursos.  Deste xeito aparecem documentos como probas que c’o passo do tempo desapareceron ao se perder a custódia sobre os mesmos ou como acontecia por non se ter conservado nos rexistros parroquiais, lugar de guarda de moitos documentos importantes para a aldeia.

lèria cultural

O DEVIR EXISTENCIAL

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               Apresentamos o suxeito segundo Kierkegaard como um devir existencial, como unha existência que procura a sua essência num tempo finito aberto á transcendência.  A noçon de devir, de desenvolvimento, é fundamental para o pensador dinamarquês, que descreve a traxectória moral e espiritual do ser humano no seu processo de individualizaçón.  O suxeito define-se a cada momento como o que quer ser e estabelece um horizonte de anseios e expectativas.  Dissemos, no capítulo anterior, que Kierkegaard conserva aspectos da filosofia hegeliana, embora despoxados do seu idealismo absolucto e interpretando-os de um ponto de vista existencial.  Em nenhum outro ponto se dá tan claramente esta adaptaçón como na dialéctica.  Hegel descreve com ela o desenvolvimento de um espírito universal.  Kierkegaard apropria-se desta dialéctica, introduz-lhe modificaçóns substanciais e usa-a para mostrar o devir do ser humano.  Vexamos como se produz esse salto qualitativo.  Na dialéctica hegeliana, o processo e a mudança (ou, dito de outra forma, os conceitos do processo e da mudança) cumprem-se segundo unha evoluçón necessária que exclui a continxência e a liberdade pessoal.  A razón individual e xeral, o pensamento e a realidade (unha vez que na filosofia de Hegel son essencialmente idênticos), têm movimento interno, son um fluxo de devir.  Cada um dos seus princípios é unha ideia, e cada unha das suas ideias contêm a ideia contrária, que pugna por emergir e impor-se á primeira.  Há primeiro unha tese (imediatez, afirmaçón), que choca com unha antítese (negaçón ou contradiçón, mediaçón), e do encontro entre ambas surxe necessáriamente unha síntese (superaçon ou negaçon da negaçón).  Por sua vez, esta síntese transforma-se numa nova tese. que xera unha nova antítese, que desemboca nunha síntese nova, que dá orixem a unha tese nunha nova oposiçón dialéctica, e assim por diante indefinidamente:  eis aqui o processo dialéctico segundo Hegel.  Vexamos um exemplo; a) Tese: Unha pessoa está muito bem sendo solteira;  b) Antítese: mas a companhia de outra pessoa é enriquecedora;  c) Síntese: o melhor é criar unha relaçón com outra pessoa que respeite a independência de ambos;  a) Tese: o melhor é criar unha relaçón com outra pessoa que respeite a independência de ambos;  b) Antítese: mas unha relaçón a sério requer o compromisso e a participaçón na vida do outro;  c) Síntese: na relaçón deve combinar-se a independência com a participaçón na vida do outro;  a) Tese: Na… (e assim por diante).  Ou, segundo um exemplo aduzido por Victor Gomez Pin:  a) Tese: a monarquia é ordem;  b) Antítese: a monarquia é desordem; ordem republicana;  c) Síntese: a monarquia restaurada é ordem, e a partir daí unha nova antítese, e assim sucessivamente.  Kierkegaard adopta a estructura dialéctica hegeliana para entender a estructura da mudança ou transformaçon pessoal (vemo-lo, por exemplo, nas três esferas de existência), mas introduzindo três modificaçóns tan decisivas que quase fazem pensar numa estructura distinta.  Em primeiro lugar, muda a dinâmica do processo.  Em  Hegel, a passagem de um termo para outro dá-se forçosamente por necessidade lógica.  A tese enxenda a sua antítese e ambas derivam numa síntese num movimento automático, circular.  Nesta dialéctica non conta nem intervém a personalidade nem a liberdade individual.  É como um processo fabril em cadeia em que as máquinas bem oleadas funcionam automaticamente, sem necessidade de operário.  A dialéctica hegeliana do absoluto non deixa lugar para as contradiçóns que se dan na experiência vital da pessoa, porque os movimentos desta dialéctica do espírito racional, e impessoal son abstracçóns alheias á existência concreta e particular.  Por isso, tudo é tan fluido e circular, Kierkegaard opón a este modelo abstracto unha dialéctica existencial pessoal em que a continxência e a liberdade son decisivas.  A escolha subjectiva e voluntária do indivíduo, e non unha dinâmica interna que funciona sozinha, é aquilo que produz o devir e a mudança. 

joan solé

¡¡BUSCACHE A MULHER QUE ESTÁ ROUCA!!

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              Frase, que Maria do Pazo, aplicava inclemênte, a todas aquelas mulheres que eran acusadas de incontinência femenina.  Fora unha velha história, que passou na sua época a unha boa moza de todas conhecida, e que non fora precisamente inventada pela literatura contemporânea, unha mulher de cuidado, que se atirava ós mozos.  Qual, valorosa “Xoanna D’Arque” galega, acostumada a tomar a iniciativa amorosa nas suas mans.  Famoso foi, aquel “affaire” no passo do rio Uma, quando lhe soltou a um incáuto barón: ¡¡Ai, Xoanzinho, se me quixeras ser bô!!

           ¡¡Si, pero tu gritávas!!

           ¡¡Buscáche a mulher que está rouca!!

               Decia, Maria do Pazo, com um brilho azul nos seus olhos malandros.  Sorriso aberto de mestra contadora, repartindo refráns, para cada caso que se presentava, sacava um da manga.

              ¡¡Em mim mandava o meu marido!!  ¡¡Morreu!!

                        ¡¡Agora, quem manda son eu!!

 

a irmandade circular

                                                           

VERDADE SUBJECTIVA

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.               “Em Kierkegaard dá-se a particularidade de o pensamento se ter formado menos por assimilaçón de elementos estranhos que por aprofundamento contínuo da própria personalidade, por unha consciência cada vez mais lata e exigente das condiçóns, non xá da sua existência em xeral, mas do seu próprio existir”.  A verdade non é algo que se pensa, mas que se vive na própria existência individual, subjectiva.  Non se pode compor á força de estudo livresco, compoê-se no existir real.  A expressón dessa verdade non pode ser mais que unha observaçón exacta e honesta da própria interioridade:  “Toda a obra xira sobre mim mesmo, única e exclusivamente sobre mim mesmo” (Pós-Escripto).  Neste ponto encontramo-nos muito perto do “Ensaios” de Montaigne, para quem “o pior estado do homem dá-se quando perde o conhecimento e o governo de si mesmo”.  A consciência da própria existência coincide com esta mesma existencia.  É unha consciência interior que leva a compreender a própria existência a partir de dentro, non de fora, teoricamente, como se fosse um objecto como os outros.  Este é precisamente o erro do racionalismo, que ao objectivar a subjectividade faz desaparecer a existência.  Non há um hiato entre o ser e o saber, os dois están fundidos.  A diferença entre  verdade subjectiva e objectiva pode ser ilustrada pelo uso do verbo “acreditar” com e sem preposiçón.  Pode acreditar-se que a alma é imortal, unha alternativa á possibilidade de ser mortal;  Sócrates acreditava na imortalidade da alma,  por isso aceitou tomar cicuta depois de ser objecto de um veredicto injusto e aguardar a morte conversando tranquilamente com os discípulos acerca da imortalidade.  Se alguém nos diz que acredita que Deus existe (ou que non existe) só nos comunica unha ideia;  se disser que acredita em Deus está a envolver-se pessoalmente.  “Acreditar” é, nestes exemplos, algo meramente intelectual,  um saber que non compromete o ser;  “acreditar em si” implica a totalidade da pessoa, porque representa unha verdade subjectiva que dá alento e impulso.  Em algunhas questóns procura-se a verdade subjectiva: a morte, casar-se, o modo de vida que se escolhe, admitem tratamentos “objectivos”, mas, pelas suas profundas implicaçóns para a pessoa, o que requerem é a procura de unha verdade subjectiva.  Os epicuristas do período helenístico diziam que era absurdo preocuparmo-nos com a morte, porque quando estamos ela  non está e, quando ela está non estamos nós.  É um argumento muito sensato, muito sóbrio, muito claro.  Mas quem pode ficar satisfeito com a sua assepsia? Non está muito mais perto da alma humana, da sua verdade subjectiva, o desabafo de Miguel de Unamuno: “Non quero morrer, non, non quero, nem quero querê-lo;  quero viver sempre, sempre, sempre, e viver eu, este pobre eu que son e me sinto ser aqui e agora, e por isso me tortura o problema da duraçón da minha alma, da minha.”?

joan solé