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O MAESTRILLO
A sua vida, como a de muitos outros, que viveron aquelas matanzas franquistas que seguiron ó fim da Guerra, daria, deu, e dará no futuro, para muitos romances literários. Oriundo de Santiago de Oliveira, o filho da “Pajuela”, casou em Guillade D’Arriba com Flora Costa Candeira. Home de grande sangre fria, e tamém favorecido pola sorte, foi posto em liberdade por engano em Lugo, onde xá se encontrava preso por adoutrinar os seus alumnos na escola. A xente afirmava que era comunista, e que gritando-lhe desde o alto do monte, insultava as sobrinhas do abade Montero, que era natural de Guillade. Parece ser, que era bastante ciumento, e um mal dia, marcou a sua mulher na cara com um coitelo (gritando-lhe ¡¡Soy rojo Flora!! ¡¡Soy rojo!!), quedando a partir desse dia as relacions entre ambos definitivamente rotas. Andou muito tempo escapado polo monte, e decia “dejaron escapar el pajarito de la jaula, y no lo van a pillar jamas”. Nos montes próximos da Portela, tinha as suas guaridas, dormia metendo-se polo “sifón” da estrada nas Amieiras, tamém se enfiava polas valeiras de vinha brava, que faziam unha maranha infernal (os guardas pisavam porriba para intentar encontrá-lo), costumava meter-se debaixo das penas do monte, e sentia os guardas passar de unhas para outras. Mas a sua base principal, era um escondite debaixo da “Casa das Carbalhas”, sendo elas muito amigas da sua nái. Certa altura, a raíz dunha denúncia, as xentes avisaron que vinha a Guardia Civil caminho do lugar, As mulheres assustáron-se e rogáron-lhe que marchara, pois podian matá-los a todos, se o encontravam alí. El, esperou tranquilamente a que os guardas chegaram, e entón saíu pola xanela de trás, cara ó monte, onde assistiu observando de pé a toda a operazón de cerco. Os guardas, lograron dar com o escondite cheio de puntas de cigarro, xerando-se um momento de grande perigo, que as mulheres lograron resolver, Generosa das Carbalhas conseguiu dissimular deitando-lhe as culpas ó Generoso das Carbalhas, fora o pequeno que andava a fumar ás escondidas. Tan pronto marchou a tropa, ele baixou tranquilamente do monte, non demostrando qualquer tipo de medo. A “Grila”, mandava-lhe a comida atada ó pescozo de unha cadelinha, que iva ter com eles, alá onde se encontraram escondidos, pois non era o único que se atopava a monte. Acabou por ser tan perseguido, que houvo que preparar a sua fuga. O “contácto”, era o Cura Don Manolo, dos Bouças de Meder, o qual salvou muitos de unha morte certa, e que chegou inclúso a ir ó lazareto de Redondela buscar xente. Vinha o Padre Cura, muitas vezes buscar água á Costa, porque parecia ser que a devandita era muito boa para curar a vista. Claro que aproveitava a ocasión para entrar em contacto com os foraxidos, fornecendo-lhe ao nosso “Maestrillo” vestimentas de eclessiástico, e algo de dinheiro, para passar a Portugal, e desde alí embarcar para Chile. Lugar onde parece ser, que a vida lhe foi bem, estabelecendo-se com unha loxa de facendas. Muitos anos despois, fala-se que a filha Maruxa o foi visitar alá.
a irmandade circular
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“Pode objectar-se aquí que a condizón dos súbditos é miserável, dado que están sujeitos aos caprichos e a outras paixons irregulares daquele ou daqueles em cujas mans recai tan ilimitado poder” (Leviatan, XVIII). A resposta de Hobbes a tal objeczón é pessimista, pois volta a recordar-nos o desastroso estado de natureza. Adverte-nos, com um certo tom moralizante, que a alternativa a essa incomodidade é um desastre e uma miséria muito superiores. Neste aspecto, Hobbes mostra-se um pragmático, um filósofo possibilista que tenta convencer os súbditos de que, num Estado soberano, o seu mal-estar na política non passa de um mal menor. Voltamos a deparar-nos com unha parte terrívelmente provocadora do pensamento de Hobbes. O complexo objectivo que pretende alcançar e a demonstrazón de que também se pode ser livre num regime absolutista, inclusivamente quando nos submetemos a um poder que non conhece límites. Um verdadeiro quebra-cabeças ético-moral para defender o que é dificilmente sustentável: que a liberdade dos súbditos é compatível com a autoridade sem restriçoes do soberano. Como leva a cabo tan intrincada misson? O primeiro passo que dá é redefinir a liberdade, aplicando a reduzón a que nos referimos xá nos dous capítulos anteriores, mais concretamente, nas secçóns “Um universo material determinado causalmente” e “Somos movidos por apetites e adversóns”. Deste modo, acaba por falar de unha liberdade de forma negativa. Se compararmos as suas duas definizóns mais importantes, salta á vista que têm uma grande similitude, apesar de terem sido escritas em décadas diferentes; “A liberdade se quiséssemos defini-la, non passa de uma ausência de abstáculos que impedem o movimento. Assim a água que está contida num copo non tem liberdade, porque o próprio copo a impede de transbordar, mas se o copo se partir a água fica liberta” (De Cive, IX), e; “Liberdade significa, propriamente falando, a ausência de oposizón (por oposizón quero dizer impedimentos externos ao movimento); pode aplicar-se tanto ás criaturas irracionais e inanimadas como ás racionais” (Leviatan, XXI). A sua estratégia de argumentazón é pensada a partir de uma liberdade que se assemelha mais a um conceito físico e é mais própria da dinâmica do que da política, como no caso da mencionada ausência de obstáculos ao movimento. A liberdade hobbesiana é simplesmente a capacidade dos corpos para se moverem em liberdade. Nesse sentido estricto, os seres humanos son fisicamente livres da mesma forma que a água, o vento, um pássaro ou unha borboleta, Hobbes insiste na ideia: “Se encaramos a liberdade no seu verdadeiro sentido, como liberdade corporal, isto é, como liberdade de grilhetes e prisóns, seria deveras absurdo que os homens clamassem, como fazem, pela liberdade de que tan evidentemente desfrutam” (ibid.). Assim para deixarem de ser livres têm de aparecer impedimentos tangíveis, como algemas, grilhetas e barrotes, que nos autorizem de forma fidedigna a declarar a nossa ausência de liberdade. Caso contrário, a nossa potencialidade dinâmica deve ser considerada intacta. Esta maneira estranha de conceber a liberdade como a sua mínima expressón vai permitir a Hobbes torná-la compatível com outros conceitos que a ela se contraponhem a partir do bom senso. Assim, opondo-se a muitas concepzóns éticas anteriores, confirma que a actuazón livre é perfeitamente coerente com a motivada pelo temor. “Non conheço nenhum outro autor que tenha elucidado por completo o que é a liberdade e o que é a escravidón. Em geral, pensa-se que é liberdade fazer tudo conforme os nossos desejos sem sermos castigados; non poder fazê-lo, julga-se que é prison. Mas essa liberdade absoluta non é possível quando há governo civil e quando a humanidade vive em paz, pois non há cidade que non tenha um comando e uma série de restrizóns impostas pela lei” (De Cive, IX). Na verdade, quando existe Estado, a liberdade civil fundamenta-se na obediência á lei, que, por sua vez, se baseia principalmente no temor.
ignacio iturralde blanco
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Antigamente, quando as Angulas ainda non estavam polas nubes, e que pecaminosamente se atiravam ás galinhas, porque non eran debidamente apreçadas polas nossas xentes, que preferian outras viandas mais substânciosas. Se acaso temos potêncial económico suficiente, para comprar oitocentos gramos de Angulas; cento vinticinco gramos de toucinho gordo; duas colheres de sopa de azeite; duas colheres de graxa de porco; unha colher de chá de pimentón; duas folhas de loureiro; sal; pimenta e zumo de limón. Lavam-se em várias águas até que larguem completamente a viscosidade. Depois escaldam-se em água bem quente, mas non a ferver. Cortamos o toucinho em tiras, que se levam ao lume a derreter com a graxa e o azeite. Quando o toucinho largue unha boa parte da gordura, introduzir as Angulas, o pimentón, o louro e a pimenta. Deixam-se refogar um pouco, rectificar o tempero que deve ser bem apimentado, e antes de servir, expremer alguns pingos de zumo de limón. As Angulas ou Meixon, que son as pequenas enguias, capturadas muito novinhas, coitadas, no rio Minho e na ria de Aveiro, sendo as primeiras, todas papadas pelos sempre atentos espanhois. O Meixón, têm que ser afogado três vezes, bem lavado em água, afogadas tamém em gordura e finalmente por terceiro lugar, nunha boa botelha de viño.
léria cultural
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As dificuldades nas comunicazóns entre bairros e Igrexa facía com que as parróquias se modificasem nos seus límites eclesiásticos para favorecer o acceso de todos os feligreses aos servizos relixiosos, de aí que no século XIX se criassem novas parróquias segregadas de entidades maiores, mas tamém que moitos bairros, afastados do seu centro parroquial preferissem optar a sumar-se á feligresía doutra parróquia, máis próxima e de melhor acceso, como sería o caso dos bairros de Vigaira e Carbalhas em 1959 que solicitarám unirse a San Miguel de Guillade polas dificuldades que tinham os vecinhos de chegar ás Igrexas de Santiago de Oliveira e San Estevo de Cumiar:
“Excmo, Señor: José Fernández Costa, Enrique David David, Generosa David Argibay, Carmen Vidal Reguera feligreses de Santiago de Oliveira. Inocencio Yglesias Candeira, José Yglesias Rodríguez, Laura Cerqueira Silva e Edelmira Rey Pazos, feligreses de San Esteban de Cumiar, na diócesis de Tui, uns e outros cabezas de família, a V. Excia. Com o maior respeito e amor filial exponhem: Que encontram grande dificuldade – por non decir impossibilidade – em cumprir com os seus deveres relixiosos – principalmente os da Santa Misa e Preceito Pascual – pois se atopan a non pequena distância das suas respectivas Igrexas parroquiais – de dous a três kilómetros -, tendo que fazer o recorrido por sendeiros pedragosos e estreitos, veredas, entre silvaredos e pedregais solitários, onde non é raro encontrar-se com algunha alimanha perigosa, como o lobo, que infunde espanto e medo principalmente ás mulheres, retraindo-as por isto de ir ás Igrexas cumprir com os seus deveres e obrigazóns de bom cristán; – por tudo o qual recurrimos a V. E. Rdma. em súplica de que prévios os requisitos de Direito, nos sexa concedido o traslado ou agregazón como feligreses á vecinha parróquia de San Miguel de Guillade, cuxa Igrexa dista das nossas vivendas, nos bairros da Vigaira e das Carbalhas, uns dous kilómetros, tudo por carretera, o que nos facilita muito o cumprimento das nossas obrigazóns relixiosas. É graça, pois, que esperamos obter da bondade e recto critério de V. E. cuxa vida guarde Deus muitos anos. Santiago de Oliveira e Cumiar, a vintidous de Abril 1959.”
a irmandade circular
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A forma como criamos o Estado é, portanto cedência individual do nosso poder a um soberano e, a partir desse momento, o cidadán deve considerar-se sua propriedade até ao momento em que “se reconheça a si mesmo como autor de qualquer coisa que faça ou prometa” (idid.). A partir do momento em que assinamos o pacto e o “Leviatan” começa a funcionar, caminhamos com ele e fazemos tudo o que ele faz. Justamente, na sua definizón, Hobbes realça esta questao da autoria partilhada de súbditos e soberano. Assim, o Estado consiste “numa pessoa de cujos actos uma grande multidón, por pactos mútuos, realizados entre sí, foi instituída por cada um como autor, com o objecto de poder usar a força e meios de todos, como xulgar oportuno, para assegurar a paz e a defesa comum” (ibid.). Também realça a artificialidade deste producto humano e chega a equipará-lo, non sem um pouco de irreverência, á criazón divina: “Os convénios mediante os quais as partes deste corpo político se criam, combinam e unem entre sí, assemelham-se áquele “fiat, ou façamos o homem, pronunciado por Deus na criazón” (Leviatan, introduzón). No mesmo sítio, apenas unhas linhas antes, Hobbes leva a metáfora biologística ás últimas consequências, descrevendo em grande pormenor, e com unha prosa de tan grande lirismo que merece ser reproduzida aquí em toda a sua extensón, muitos dos orgaos que configuram o “Leviatan”. Assm, o corpo político “é apenas um homem artificial, embora de maior estatura e robustez que o natural para cuja protezón e defesa foi instituído; no qual a soberania é uma alma artificial que da vida e movimento ao corpo inteiro; os majistrados e outros funcionários da xudicatura e do poder executivo, nexos artificiais; a recompensa e o castigo (por meio dos quais cada nexo e cada membro vinculado á sede da soberania é induzido a cumprir o seu dever) son os nervos que fazem o mesmo no corpo natural; a riqueza e a abundância de todos os membros particulares constituem a sua potência; a “salus populi” (a salvaçao do povo) son os negócios; os conselheiros, que informan sobre as coisas que é necessário conhecer, son a memória: a equidade e as leis, uma razón e uma vontade artificiais; a concórdia é a saúde; a sedizón, a doença; a guerra civil, a morte” (ibid.). Mas Hobbes non fica por aí. Bastante á frente, na mesma obra, afirma que este autómato protector possue também a faculdade nutritiva, a motriz e a racional, que correspondem, respectivamente, á capacidade de cobrar impostos, ao poder de coaczón e á actividade legislativa. O mecanismo do “Leviatan” é posto assim em evidência. Inclusive o seu próprio movimento depende da capacidade de obrigar as suas partes constitutivas -os cidadans- a orientar os seus movimentos através de leis e ordens. Apesar de rejeitar o direito divino dos reis (o contracto social é a explicazón alternativa da fonte da soberania), Hobbes atribui a Deus, o de soberano incontestável. Á semelhança da Biblia, onde o monstro marinho é chamado “rei dos orgulhosos” (Job 41:34), aquí chamámos ao “Leviatan” de criazón humana “o Deus dos orgulhosos”, xá que Hobbes patilhava esta mesma considerazón a respeito do orgulho dos homens. Esta grande efíxie viva é um corpo artificial composto por cada um dos indivíduos, mas, ao mesmo tempo é um deus (mortal, evidentemente, porque pode ser destruído), um deus que disfruta o poder terrenal ao Deus imortal, aquele a que Hobbes ainda non está em posizón de renunciar completamente na sua teoria política sem ser considerado herexe. É este o grande poder soberano, que depende completamente do medo que é capaz de causar, como fica patente nas linhas seguintes: Embora os benefícios desta vida possam aumentar através da axuda mútua, o certo é que se alcançam melhor dominando os nossos próximos do que associando-nos a eles. Espero, portanto que ninguém ponha em dúvida que se desaparecesse o medo, os homens seriam máis intensamente levados a obter domínio sobre os seus semelhantes do que a estabelecer unha associazón com eles.
ignacio iturralde blanco
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