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Segundo os neurocientistas, o medo produz-se em dois lugares diferentes do cérebro. No mais profundo gera-se o pânico, o medo instintivo que se activa mesmo de forma inconsciente perante estímulos exteriores. A responsável por este mecanismo de defesa é a amígdala, uma rede de circuitos neuronais do tamanho de uma amêndoa. Este sistema fica no centro do cérebro reptiliano, que partilhamos com muitos animais. Aí desencadeiam-se as respostas fisiológicas de grande intensidade que conhecemos como medo e que, em certas ocasions, nos podem levar a reagir de forma agressiva, por exemplo, quando atacamos ao sentir-nos ameaçados. Além deste medo primário, existe um segundo tipo de receio que se aloja no córtex cerebral, na zona pré-frontal, por cima dos olhos. A funçao dessa parte do cérebro é contextualizar os estímulos que recebemos para lhes dar uma resposta mais elaborada e racional, menos “automática” que a da amígdala. Aquí compensa-se a resposta, fisiológica através da actividade consciente. Por exemplo, este córtex permite-nos avaliar as consequências das nossas acçoes e, por isso, inibi-las, descartando-as ou retardando a sua satisfaçao. Além disso, esta parte da massa cerebral mais recente na evoluçao da espécie – daí o nome de neocórtex – pode modificar-se através da educaçao. Numa nota de rodapé, Hoobes parece ter antevisto uma distinçao similar entre os dois tipos de medo referidos. Em sua opiniao, nao significa só estar assustado: “inclue sob a palavra medo uma certa antevisao de males futuros; também nao concebo que a fuga seja a única propriedade do medo: desconfiar, suspeitar, vigiar, apetrechar-se para nao ter medo sao também próprios de quem está atemorizado” (De Cive, I).
IGNACIO ITURRALDE BLANCO
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Están dispostos de tal modo
estes dous espellos -un fronte a outro-
que eu – sentado ante un deles –
vexo o rostro e as costas miñas
ao mesmo tempo.
(Os amigos a meu carón
conversan de política
e a min non me importa o tema neste intre.)
Contemplo o meu rostro e as costas miñas.
E vexo un pensamento biunívoco,
cara e cruz do silencio asemade.
Mais non vexo o meu rostro aculto,
non sinto nada subterráneo
ou subconsciente, non percibo
nada do pasado que me forxou,
non sinto o olvido.
Sinto sí o futuro do pasado
que, reprimido pola vida que alongo
en loitas e trabalhos, xa olvido,
isto é: o silencio, a música
dos regueiriños, a paz, a desposesón.
francisco candeira
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