Arquivos diarios: 31/07/2017

SOBRE A FISIOLOGIA DO MEDO (XIII)

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               Segundo os neurocientistas, o medo produz-se em dois lugares diferentes do cérebro.  No mais profundo gera-se o pânico, o medo instintivo que se activa mesmo de forma inconsciente perante estímulos exteriores.  A responsável por este mecanismo de defesa é a amígdala, uma rede de circuitos neuronais do tamanho de uma amêndoa.  Este sistema fica no centro do cérebro reptiliano, que partilhamos com muitos animais.  Aí desencadeiam-se as respostas fisiológicas de grande intensidade que conhecemos como medo e que, em certas ocasions, nos podem levar a reagir de forma agressiva, por exemplo, quando atacamos ao sentir-nos ameaçados. Além deste medo primário, existe um segundo tipo de receio que se aloja no córtex cerebral, na zona pré-frontal, por cima dos olhos.  A funçao dessa parte do cérebro é contextualizar os estímulos que recebemos para lhes dar uma resposta mais elaborada e racional, menos “automática” que a da amígdala.  Aquí compensa-se a resposta, fisiológica através da actividade consciente.  Por exemplo, este córtex permite-nos avaliar as consequências das nossas acçoes e, por isso, inibi-las, descartando-as ou retardando a sua satisfaçao.  Além disso, esta parte da massa cerebral mais recente na evoluçao da espécie – daí o nome de neocórtex – pode modificar-se através da educaçao.  Numa nota de rodapé, Hoobes parece ter antevisto uma distinçao similar entre os dois tipos de medo referidos.  Em sua opiniao, nao significa só estar assustado: “inclue sob a palavra medo uma certa antevisao de males futuros;  também nao concebo que a fuga seja a única propriedade do medo: desconfiar, suspeitar, vigiar, apetrechar-se para nao ter medo sao também próprios de quem está atemorizado” (De Cive, I).

 

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

XOGO DE ESPELLOS

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Están dispostos de tal modo

estes dous espellos -un fronte a outro-

que eu – sentado ante un deles –

vexo o rostro e as costas miñas

ao mesmo tempo.

(Os amigos a meu carón

conversan de política

e a min non me importa o tema neste intre.)

Contemplo o meu rostro e as costas miñas.

E vexo un pensamento biunívoco,

cara e cruz do silencio asemade.

Mais non vexo o meu rostro aculto,

non sinto nada subterráneo

ou subconsciente, non percibo

nada do pasado que me forxou,

non sinto o olvido.

Sinto sí o futuro do pasado

que, reprimido pola vida que alongo

en loitas e trabalhos, xa olvido,

isto é: o silencio, a música

dos regueiriños, a paz, a desposesón.

 

francisco candeira