THOMAS HOBBES (III)
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Segundo a ciência política de Hobbes, o Estado é um “Leviata, um ogre filantrópico, como Octavio Paz gostava de lhe chamar, protector e pacificador, e simultaneamente temível e repressivo. Mas, ao contrário do que opinam os anarquistas, a alternativa a este autómato coercitivo nao nos torna mais livres. Na concepçao hobbesiana da vida política, a disjuntiva dá-se entre um temor regulado, ordenado e partilhado (veiculado pelo medo ao castigo) e um temor geral, constante e caótico: a guerra de todos contra todos. Assim, o realismo pessimista de Hobbes procura convencer-nos de que as incomodidades da submissao sao inevitáveis, tanto num governo democrático como em qualquer outro. Trata-se de um saudável mal menor. Devemos, por conseguinte, obedecer agradecidos, porque a alternativa ao seu regime absoluto é muito mais desagradável e aterrorizadora. Na ausência de um soberano forte, tudo se transforma num perigoso e brutal “salve-se quem puder”. Em resumo, a autoridade é também recomendável a partir de baixo, a partir da perspectiva dos súbditos.
ignacio iturralde blanco
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