THOMAS HOBBES (II)
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Perante a situaçao de insegurança e a guerra civil que marcaram a sua vida, Hobbes considerou que a forma mais acertada de garantir a paz era combater tudo aquilo que debilitasse o poder central do monarca. Para tornar o seu país um reino mais unido, entendeu que devia fazer campanha por dois valores intimamente relacionados, por um lado, o absolutismo como forma de governo, já que defendia a centralizaçao de toda a autoridade política na figura do soberano e, por outro, a independência do Estado perante qualquer interferência da Igreja. A respeito deste segundo ponto, Hobbes dedicou muitas páginas á demonstraçao de que se podia levar uma vida crista ao mesmo tempo que se obedecia a uma moral secular ditada pelo soberano. Estava consciente que através da culpa, do pecado e dos castigos do além, a Igreja centralizara em si um enorme peso político que nao hesitava em usar em questoes pura e simplesmente terrenas. Nesta cruzada pela secularizaçao do Estado, Hobbes chegou a afirmar que a salvaçao estava ao alcance de quase todos, pondo em duvida a própria existência do inferno. Deste modo, debilitava a posiçao de anglicanos e calvinistas, uma vez que defendia que a ética do seu tempo se podia sustentar independentemente dos dogmas da fé crista, sem oposiçao a ela, mas relegando a teologia para o papel de saber afastado da filosofia e da verdadeira ciência. De facto, um dos principais alvos do trabalho de demoliçao empreendido por Hobbes foi o fundamentalismo religioso, que no seu tempo provocava (como hoje, infelizmente) guerras e matanças. E este ataque á Igreja (sobre tudo á Protestante, embora também á Católica) valeu-lhe ter sido considerado herege e ateu no seu país, embora nenhum eclesiástico tivesse alguma vez conseguido processá-lo por isso, ao contrário do que ocorrera com Giordano Bruno no final do século XVI. (…) A sua teoria do contracto social baseia-se na constataçao de que apenas renunciando a uma parte dos nossos direitos (naturais) a favor de uma autoridade suprema podemos realmente ser livres, embora esta liberdade seja definida á sua maneira. É este o argumento, pouco intuitivo, que Hobbes nos apresenta: só na submissao alcançamos a máxima liberdade a que podemos aspirar. Em relaçao a Rosa Luxemburgo e ao seu “quem nao se movimenta nao sente as cadeias que o acorrentam”, Hobbes replicaria “que essas mesmas correntes sao aquilo que nos protege. Mas Hobbes nao foi guiado apenas por um interesse político ou filosófico; fazendo jus á consideraçao de cientista que tinha de sí mesmo, fez contribuiçoes para os campos da matemática, da óptica, da lógica e da linguística, entre muitas outras disciplinas. Além disso, prestou grande atençao ao método de investigaçao e á forma de produçao do conhecimento científico. Hobbes – juntamente com Francís Bacon e muitos outros – contribuiu para estabelecer os fundamentos e o método hipotéctico-deductivo das ciências sociais. Por esta razao, das trés secçoes em que tinha previsto dividir e publicar o seu sistema filosófico, começou pela terceira, aquela que achava ter maior utilidade social: a que versa sobre a autoridade soberana e a obrigaçao de lhe obedecer. O objectivo fundamental da política, segundo Hobbes, nao é a realizaçao do bem (que, como teremos ocasiao de comprovar, exige que previamente se abandone o estado de natureza), mas a convivência pacífica e harmónica da vida em sociedade, sem a qual nao há uma noçao comum do que está bem ou mal.
ignacio iturralde blanco
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