.
A diferença da idade dos filósofos mencionados em relaçao a Sartre nao é esclarecedora. De facto, Barthes e Althusser nasceram em 1915 a 1918, respectivamente. Deleuze em 1925, e Foucault em 1926. No entanto, o facto de a sua ressonância só começar a ser considerável a partir do final da década de 60 resulta de a filosofia francesa estar fortemente estructurada em redor do horizonte existencialista e da consideraçao social e teórica proveniente do marxismo. Ambos os movimentos dificultam o aparecimento de uma perspectiva nova, que por fim se formará. Os impulsos renovadores caracterizam-se muito levemente como “estructuralistas”, embora quase ninguém aceite ser considerado como tal. Barthes estudou Filosofia Clássica em Paris. Leitor de Francês em Bucareste e Alexandria, a sua precoce carreira académica é interrompida por uma tuberculose que o obriga a internamentos sucessivos. Próximo da filosofia e da crítica sartriana durante a sua juventude, a sua respeitabilidade começa a amadurecer quando publica, em 1953, “O Grau Zero da Escrita” e leva a cabo uma análise sociológica dos grandes mitos do mundo contemporâneo, que se publicará com o título de “Mitologias” em 1957. A partir de 1977 deu aulas no Collége de France. Althusser estudou na École, onde mais tarde será professor, até ao fatal acontecimento que o obrigou a abandonar toda a actividade académica e pública o assassinato da mulher. Membro do PCF, desenvolveu, no entanto, um trabalho teórico heterodoxo e crítico da leitura ortodoxa de Marx, muito especialmente no que se refere á noçao de ideologia, que Althusser considera uma mediaçao necessária entre a consciência e o real, nao sendo possível estabelecer ideologias verdadeiras e falsas, e no que diz respeito á análise das determinaçoes ou condiçoes do que é histórico. Nos seus seminários e aulas da École formaram-se muitos dos mentores políticos do Maio de 68: Ranciére, Bernard-Henri Lévi, Glucksmann, entre outros. Entre as suas obras mais importantes podemos referir “Análise Crítica da Teoria Marxista” (1965), e a apaixonante autobiografía “O Futuro é Muito tempo” (1992). Deleuze é o mais heterodoxo da geraçao pós-sartriana. Espinosiano e nietzschiano, move-se entre um marxismo de tendência libertária e um nietzschianismo de orientaçao muito marcada. Em 1968 publica o que se pode considerar a sua grande obra: “Diferença e Repetiçao”. Os acontecimentos de 68 levam-no a intervir na práctica política. Começa a sua colaboraçao com o psiquiatra Guattari, e o primeiro resultado é o monumental “Anti-Édipo” (1968), resultando explosivo, tal como reconheceriam os autores, da revolta social de maio. Foucault, professor do Collége de 1974 até á sua morte, começou a ser internacionalmente reconhecido com a publicaçao da “História da Loucura na Idade Clássica” (1964) e pelo deslumbrante tratado que é “As Palavras e as Coisas”. Foi especialmente motivado pela análise dos límites da racionalidade moderna, com a consideraçao dos comportamentos sexuais. Foi muito activo no Maio de 1968 e posteriormente, centrando-se no apoio aos movimentos anticarcerários e defensores da libertaçao sexual. Morreu de sida em 1984.
j. l. rodriguez garcia
Publicado en Uncategorized