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No seu conjunto, nao se pode considerar que Hobbes tenha sido uma criança prodígio. Embora de inteligência precoçe, só descobriu a geometria aos 42 anos, só escreveu a sua primeira obra política depois dos 50 e só foi considerado filósofo a partir da publicaçao do seu “De Cive”, quando se aproximava dos 60 anos. Nao obstante, acabou por ser um grande pensador político, um sistematizador filosófico completo, matemático, óptico, físico, e até deu os seus primeiros passos como domador de cavalos. Além disso, compôs a sua autobiografia em forma de poema, quando já passava dos 80 anos, primeiro em língua latina e depois em traduçao livre, também em rima, que ele mesmo fez em inglês. A sua perícia foi notável em ambas as línguas e esta aproximaçao bilingue é um traço do seu processo de trabalho, no qual sempre manteve a perspectiva do traductor. “Lamento os tempos adversos e os males que nasceram comigo” é um dos primeiros versos da sua autobiografia, Refere-se ao facto de a sua idade adulta, como explicaremos adiante, ter sido marcada pela guerra civil inglesa e pelo seu apoio ao lado realista. Testemunhou como Carlos I tentou governar sem ter em conta o Parlamento e como essa decisao desembocou na Guerra Civil, que Cromwell ganhou e o rei perdeu, pelo que foi decapitado em execuçao pública. Foi nessa altura que Hobbes partiu para o exílio devido ás suas ideias políticas, mas os seus aliados acabariam por inimizar-se com ele, quando publicou “Leviatá”, a obra que transmitiu as suas ideias á posteridade, mas que lhe trouxe muitas dores de cabeça desde que chegou ao prelo.
ignacio iturralde blanco
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Cando me pides, alta, unha razón
póñome a brincar, deixo de vivir
porque así vivo máis en queimazón
ao esconder a sinrazón do dicir.
Vivir é brincar neno no salón
e como un louquiño botar a rir
da vida que é morte triste a carón
de cousa moi séria a deixarnos ir.
E tes razón cando me pensas nécio
se por tal entendes a seriedade
do home que non brinca por ser de prezo.
Mais seriedade é brincadeira tonta
daquel que tonto sabe a súa idade
e non brinca, porque xa o morrer conta.
francisco candeira
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Vamos parsimoniosamente, caminho de Ribadávia, cheios de honestas intencions. Nada pecaminoso entúrvia o nosso espírito cuncupiscente. Discutimos serenamente de política mais rastreira, repetimos as horrendas frases televisivas, como si foramos dioses terrenos, aos que nada disto lhes puidera afectar. Tira para Arnoia, alá queda o “Templo do Viño”, que afortunadamente está pechado a cal e canto, como debe ser, para evitar que venhan todos.
Como é possível? Que este “Chateau” tan modesto, sexa conhecido en todo o mundo dos vinhos? Isto nos devia servir de escarmento, para ver como o mundo da fama é inseguro e carente de fundamentos sólidos. A paisaxe fermosa e arcáica, invoca a outros tempos en que a xente andava a pé, e isto era um fim de mundo, povoado por autosuficientes agarrados vitalmente a esta terra nái nossa.

Avançamos, cara ó nosso incontornável Louredo, outrora povoado de fermosas mulheres loiras como espigas, muito mais bonitas que as de Mahiary (cantadas en sonoros versos por Compay Segundo. Repilado para os amigos), Alí onde antes brilhava um sol mais forte, vive agora o abandono da morte, um lugar para vir morrer con dignidade,sentado a um sol morno.
Entramos no fantasmal labirinto de pedra, no qual um se poderia atopar de repente, en qualquer esquina con “El Chacho”, e seria lóxico enton perguntar, ¡¡Hei Chacho!!¿¿Quen anda aí??

Tudo está ermo e abandonado, para onde iría esta xentinha toda? Para trabalhar nas cidades do franquismo? Ou talvez para aumentar as riádas de emigrantes afogados com liberalidade.

Bom aquí há vida, xa se mira azulexos de quarto-de-banho á vista, seguramente algúm emigrante retornado do inferno do dessarrolho.

Portais de fria lata, vedan as miradas indiscrétas dos transeuntes, sempre incómodos e perturbadores da paz da aldeia.

O Labirinto é enorme, e enmaranhado, silêncioso e intrigante. Há pouca xente, mas non se mira nem se ouve, permanece pechada nas suas histórias particulares e segredas.
Herexia! Blasfémia! Unha igrexa tornada em corte de ovelhas. Mas ovelhas doutra espécie animal. Isto é dunha falta de respeito pelos feligreses, que outrora rezavan nesse lugar sagrado as suas aflicions. Xa non há lugar para honrar o passado!
Non há espigas nos canastros, a autosuficiência findou. Os morcegos xa non revoletean ó seu redor, a nossa alma e os nossos corpos sómente se alimentan de porcarias.

As duras escaleiras de pedra, unha mala caída por elas abaixo podia deixar unha pessoa éivada para toda a vida.

Cada vez que a xente morre, as casas fican á sua espera sentadas, e é um dos espectáculos mais trístes e desoladores para a profundidade do ser.

¡¡Chacho!! ¡¡Chacho!! ¿¿Quen anda aí??

Esta casa adivinha-se o centro do poder na aldeia, está mais bonita así cerrada. O taberneiro costumava ser o funesto “Cacique” das nossas xentes, ele era quem dividia a droga por todos, o que informava as autoridades, repartia o correo e facia “negocio” com os seus semelhantes.

Algunhs velhos ainda conservan na mente o duro paraíso agrário dos seus tempos mozos, e resisten-se a abandonar a sua independência.
O Mundo semi-comunal agrário, é muito difícil de esquecer, poque as relacions de trabalho comun davan outra alegria á vida, e outra satisfacion tamém.
Estes foron bastante respeituosos con esta bonita casa, o qual nos dá unha certa esperanza nalgunha xuventude, e nos fai enganar e crer em certa evoluccion progressiva da humanidade.
A videira ainda pervive, deve levar aí muitos anos, e é unha mostra dos boms gostos âncestrais, pois esta Amadríade seguirá protexendo estes lares mentres viva.
O carro de bois, espera empoleirado na varanda melhores tempos, talmente o seu irman de Guillade que apodreceu encima do andén.
¡¡Longa Vida a Louredo!! ¡¡E ás boas xentes que aí ocultas vivan!!
Continuamos viaxe para a fronteira de San Gregório, a qual era aproveitada pelos nossos maiores, para certas irregularidades alfandegárias, pois a benignidade dos guardas compensava os muitos kilómetros que se facian demais. Curiosamente, aquí se verifica tamém unha dupla paradóxa nas edifícacions fronteirizas entre Portugal e Galiza, pois as portuguesas costuman ser muito melhores e mais bonitas. Mas aquí, onde quase ninguém as mira, a portuguesa é pequena bonita e modesta. Mas a galega é espectacular, parece talmente unha gasolinera da Mobil Oil Company. Seguidamente adentramonos na Serra D’Agra, sempre atentos, por se vemos algum cabrito. Enfrente, caminho do Mosteiro de Faians, com a sana intencion de comer em Melgaço, mas o restaurante estava fechado com a ementa roida pelos ratos, o qual nos deu unha impresion de “Crise Liberal” super aguda. Non quedou mais remedio, que ir comer ó restaurante Costa do Vez. nos Arcos do Val do rio Vez.
léria cultural
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Hai unha nube dentro de ti.
Hai unha nube en ti
máis pequena,
sempre máis pequena que ti.
Unha nube branca (ou incolora)
que se volve azul ou negra, ou branca ou gris,
depende, de cando en cando.
E esa nube só te cobre enteiro,
só se fai tan grande como ti
cando che pasan algo,
quizáis unha escura comprensón
do mundo,
cando acadas a madurez,
mixto de misterio e segredo,
ou cando te cren na vellez serena,
neno vivido mais olvidado,
e es ceo e terra
e terra e ceo
e rodeas, andas encol do teu silencio,
amas o sono, descres risoñamente
dos soños, queres un ventiño
que pasa, que outros compran.
Esa nube só crece toda,
só te ocupa enteiro,
só é ti mesmo
e se confunde contigo
cando comezas a aprender.
Mais pode crecer de golpe
se por un azar
acaece un accidente.
E pode chorar un ceo limpo,
unha nube soa, enorme, total,
se acaso, se en verdade expiras,
se de certo desapareces,
ti, ou a nube túa.
francisco candeira
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Segundo a ciência política de Hobbes, o Estado é um “Leviata, um ogre filantrópico, como Octavio Paz gostava de lhe chamar, protector e pacificador, e simultaneamente temível e repressivo. Mas, ao contrário do que opinam os anarquistas, a alternativa a este autómato coercitivo nao nos torna mais livres. Na concepçao hobbesiana da vida política, a disjuntiva dá-se entre um temor regulado, ordenado e partilhado (veiculado pelo medo ao castigo) e um temor geral, constante e caótico: a guerra de todos contra todos. Assim, o realismo pessimista de Hobbes procura convencer-nos de que as incomodidades da submissao sao inevitáveis, tanto num governo democrático como em qualquer outro. Trata-se de um saudável mal menor. Devemos, por conseguinte, obedecer agradecidos, porque a alternativa ao seu regime absoluto é muito mais desagradável e aterrorizadora. Na ausência de um soberano forte, tudo se transforma num perigoso e brutal “salve-se quem puder”. Em resumo, a autoridade é também recomendável a partir de baixo, a partir da perspectiva dos súbditos.
ignacio iturralde blanco
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A túa mirada
non retén nada,
canciño amigo,
e por iso ládrasme,
e por iso ladras e ladras;
a túa mirada
nada retén e mira
con todo o amor do mundo,
cunha ternura suprema;
non es meu, can amigo,
mais mírasme tan fixamente
que de certo non sei se me miras ou non,
ignoro se algunha vez me viches.
Nós, os homes, somos como somos
porque retemos coas mans e cos ollos
as cousas, os obxectos, as tonterías…
As cousas deste mundo
móvense todas,
andan sempre movéndose
dun lado para outro…
E nós somos homes
porque as retemos, as gardamos,
escondémolas con silencio
da vista dos outros.
E anque se moven as cousas
no noso escondite,
nós equivocados, cremos
que as detemos.
E porque as detemos, ou cremos
que as detemos e gardamos
somos donos de dúas cousas:
do silencio e da palabra.
Si, porque escondemos e gardamos
cousas nun espazo de noso,
aprendemos a calar co silencio
e a falar coa palabra.
Por iso os homes falan, e calan,
e non somos deuses, e non somos como ti,
canciño amigo.
francisco candeira
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Non vén ao caso agora actualizar as Vidas Paralelas de Plutarco: nin se pretende; mais si semella interesante tirar do fío da vida pública de dous personaxes senlleiros e naturais de Ponteareas. Interesante, quero insistir, até chegar mesmo a defender que por estes dous inimigos íntimos pasaron sucesos transcendentais da historia hespañola (coa agá de Castelao) do século XX: quer a Setmana Trágica de Barcelona ou a Guerra do Rif, quer o Bienio Negro da II República ou o propio golpe de estado feixista posterior. Falamos do xornalista e escritor Manuel Dominguez Benavides (nado en 1895) e máis do político radical e polémico avogado Emiliano Iglesias Ambrosio (nado en 1878). Republicanos os dous: o primeiro, concienciado na esquerda – derivou do PSOE até posicións comunistas- e referente da intelectualidade antifeixista; e o segundo, cunha longa carreira política aboiando entre o populismo radical, o liberalismo, os intereses do capital e as relacións perigosas. Un e outro cruzan notoriamente os seus camiños públicos cando Benavides escribe e publica El Último Pirata del Mediterráneo (1934), a renomeada e popular novela sobre a vida do polémico empresario balear Juan March Ordinas. Na obra, Iglesias, vaise ver reflectido como un secundario imprescindible: no tempo era o home para todo do plutarca balear. Benavides non terá piedade co seu paisano. A publicación do libro (no Museo Municipal de Ponteareas consérvase un orixinal da primeira edición) foi un dos feitos máis significados da vida hespañola (insisto) de 1934 nos meses previos á Revolución de Asturias. Convertido en anatema de inmediato pola poderosa influenza do magnate e contrabandista retratado, o libro acadou, porén e aínda baixo ameazas, grande sona, mesmo europea, multiplicándose de contado as súas edicións. Un falar: en 1936 Benavides cede os dereitos da publicación á Unión Soviética para, verquido ao ruso, ser distribuído de xeito masivo como exemplo das derivas caóticas do capitalismo que representaba March. Mesmo en 1953, xa falecido o autor, volve a editarse polo PCUS, agora no seu orixinal, anotado e con biografía de Benavides, como libro de referencia para aprender o idioma nas escolas. Daquela é unha brincadeira dar conta de que os espías rusos na crise dos mísiles de Cuba aprenderan o español (aquí si) coas floridas frases coas que Benavides conta a historia de Ponteareas no tal libro. Así é. Ao nos narrar como Emiliano Iglesias chega a ser o avogado e íntimo colaborador de Juan March, o autor dedica unhas poucas de páxinas á vida de Ponteareas, co nome mudado en San Miguel de Pontenovo. O libro, nas súas primeiras edicións, como defensa legal do autor e da editorial que o publicou, recorre aos seudónimos; o propio Juan March é Juan Albert; e Emilano Iglesias é Pepe Luna. A descrición do protagonista, do March, é contundente en todo o relato; mais a imaxe do seu cómplice, o Iglesias, non queda atrás. Ao primeiro, Benavides, íspeo con moreas de datos até amosar a imaxe máis crúa, a máis fusca, a dun “pirata dos negocios”, a do ladrón -di- dos cartos e da conciencia do país. E faino no intre en que se está a debater no Congreso a súa idoneidade como deputado. Juan March xa é na altura un personaxe indispensable para entender o devir da triste historia do século XX hespañol: el é o traficante que vende armas a Abd el-Krim na Guerra do Rif e el é o financeiro que apoia ao ditador Primo de Rivera para se beneficiar co monopolio do tabaco e do transporte marítimo. Foi preso, xa coñecido como o Grande Corruptor, na primeira etapa da II República e, tras dunha fuxida que o transforma nunha celebridade europea, remata como deputado e membro no Tribunal de Garantías Constitucionais (!¡). Logo, aínda financia o golpe de estado de 1936 e até mesmo negocia con Mussolini a intervención do exército italiano na Guerra Civil. Contodo, ao segundo, a Emiliano Iglesias Ambrosio, Benavides resérvalle un papel de peso. Sen el -di o autor- sería “muy difícil la comprensión de un hecho tan evidente como el de que don Juan Albert figure en la sociedad española con una personalidad”. Será, xa que logo, a sombra do mafioso: un bribón, di, un canalla. Dende El Tea (edición do 03.03.1932) xa o chamaban “El compadre del máximo contrabandista de España”, e rexeitan a adhesión que o daquela deputado electo pedía para non ser declarado incompatible co Parlamento “por su intervención en las porcalladas de Juan March”. A súa traxectoria coñecémola dende moi cedo. El Áncora, Diario Católico de Pontevedra (12. 10. 1898), reclama a atención sobre o xove Iglesias: sometido a xuízo por “delitos contra o governo e escarnio da relixión”. A sona que acada lévao a se incorporar á primeira liña do partido radical de Lerroux, a quen segue a Barcelona. Co xeito demagogo do seu líder, celebra numerosos actos nas sociedades obreiras da capital catalana entre citas de Reclus ou de Kropotkine. Non lle collía o talento na cabeza, di, retranqueiro, Benavides, ao relatar esse período. Muda en avogado polémico: defende a Ferrer i Guardia logo do intento de rexicidio de Mateo Morral; e participa a dúas bandas nos sucesos da Setmana Trágica. Entrementres, apadriñado por Lerroux, medra na súa carreira política. Elixido deputado por varias veces, chega a gobernador civil de Barcelona e a embaixador en México. Antes, polos anos da Ditadura de Primo de Rivera, é cando muda en compadre do March para servilo no papel de avogado do diaño e facerlle de ponte na política. No libro sae narrado maxistralmente ese primeiro encontro (páxina 87 da 1ª edición). Benavides, como diciamos, acha en Iglesias o elo co que pechar a cadea para atar en corto ao empresário balear. Así, pescuda, con datos de primeira man, nas orixes do ponteareán, até presentalo como un herdeiro da nobleza galega vendida a Castela. Aproveita para reflectir no relato (páxinas 130 a 142) unha síntese histórica fascinante (do atraso) da nosa terra e máis da propia vila de Ponteareas, onde se detén, gorentoso, cunha crúa visión da sociedade mercantil, señorita e fachendosa dos seus veciños. Supoño que de aí o de Pontenovo. Daquela, arredor do controvertido March, en paralelo, o Benavides dando a crónica (precisa e desgarrada) e o Iglesias como argallador, ambos os dous de Ponteareas, deixan pegada na tráxica historia hespañola do passado século. Benavides morreu (1947) no exilio, en México, no que foi símbolo, aínda que borrado da memoria do seu país. Deixaría escrito La Escuadra la Mandan los Cabos, onde informa, con profunda dor, como se viviu o 18 de Xullo no Condado. Iglesias, logo de deixar a embaixada de México, non acadou acta de deputado nas últimas eleccións da República e faleceu en Madrid nos primeiros anos corenta, sen máis transcendencia (que xa lle chegou). Para rematar, non podo resistilo, traio, agora si, as Vidas Paralelas de Plutarco. Cito textual da Comparación de Demóstenes e Ciceron: “De los destierros, el del uno fue ignominioso, teniendo que ausentarse por usurpación de caudales, y el del otro fue muy honroso, habiéndosele atraído por haber cortado los vuelos a hombres malvados, peste de su patria”.
kiko neves
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Para un ser omnisapiente, yo no soy el hombre
Que ese jardín hace temer. Sin embargo, lo he creado.
Adolfo Bioy Casares
Estou namorado:
vou facer un xardín
en torno da muller que está no penedo,
pra que fique contenta.
Un irmán meu
filma o meu pasatempo.
Tamén o filma a dobre da muller
que está no penedo.
Á medida que vou colocando flores
arredor do penedo
voume alonxando dela.
Decátome deste detalle cando xa estou moi lonxe.
Decido entón comezar
a arrincar as flores, fila por fila, para non pisalas,
pra acercarme á muller.
Cando chego ao penedo
a muller xa non está alá, desapareceu.
O meu irmán filmou todo,
o meu pasatempo e a fuga da muller.
A dobre da muller filmou todo,
o meu traballo e a fuga da muller.
E agora todos se preguntan
se eu son ela
e
se ela xa non é eu.
francisco candeira
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Perante a situaçao de insegurança e a guerra civil que marcaram a sua vida, Hobbes considerou que a forma mais acertada de garantir a paz era combater tudo aquilo que debilitasse o poder central do monarca. Para tornar o seu país um reino mais unido, entendeu que devia fazer campanha por dois valores intimamente relacionados, por um lado, o absolutismo como forma de governo, já que defendia a centralizaçao de toda a autoridade política na figura do soberano e, por outro, a independência do Estado perante qualquer interferência da Igreja. A respeito deste segundo ponto, Hobbes dedicou muitas páginas á demonstraçao de que se podia levar uma vida crista ao mesmo tempo que se obedecia a uma moral secular ditada pelo soberano. Estava consciente que através da culpa, do pecado e dos castigos do além, a Igreja centralizara em si um enorme peso político que nao hesitava em usar em questoes pura e simplesmente terrenas. Nesta cruzada pela secularizaçao do Estado, Hobbes chegou a afirmar que a salvaçao estava ao alcance de quase todos, pondo em duvida a própria existência do inferno. Deste modo, debilitava a posiçao de anglicanos e calvinistas, uma vez que defendia que a ética do seu tempo se podia sustentar independentemente dos dogmas da fé crista, sem oposiçao a ela, mas relegando a teologia para o papel de saber afastado da filosofia e da verdadeira ciência. De facto, um dos principais alvos do trabalho de demoliçao empreendido por Hobbes foi o fundamentalismo religioso, que no seu tempo provocava (como hoje, infelizmente) guerras e matanças. E este ataque á Igreja (sobre tudo á Protestante, embora também á Católica) valeu-lhe ter sido considerado herege e ateu no seu país, embora nenhum eclesiástico tivesse alguma vez conseguido processá-lo por isso, ao contrário do que ocorrera com Giordano Bruno no final do século XVI. (…) A sua teoria do contracto social baseia-se na constataçao de que apenas renunciando a uma parte dos nossos direitos (naturais) a favor de uma autoridade suprema podemos realmente ser livres, embora esta liberdade seja definida á sua maneira. É este o argumento, pouco intuitivo, que Hobbes nos apresenta: só na submissao alcançamos a máxima liberdade a que podemos aspirar. Em relaçao a Rosa Luxemburgo e ao seu “quem nao se movimenta nao sente as cadeias que o acorrentam”, Hobbes replicaria “que essas mesmas correntes sao aquilo que nos protege. Mas Hobbes nao foi guiado apenas por um interesse político ou filosófico; fazendo jus á consideraçao de cientista que tinha de sí mesmo, fez contribuiçoes para os campos da matemática, da óptica, da lógica e da linguística, entre muitas outras disciplinas. Além disso, prestou grande atençao ao método de investigaçao e á forma de produçao do conhecimento científico. Hobbes – juntamente com Francís Bacon e muitos outros – contribuiu para estabelecer os fundamentos e o método hipotéctico-deductivo das ciências sociais. Por esta razao, das trés secçoes em que tinha previsto dividir e publicar o seu sistema filosófico, começou pela terceira, aquela que achava ter maior utilidade social: a que versa sobre a autoridade soberana e a obrigaçao de lhe obedecer. O objectivo fundamental da política, segundo Hobbes, nao é a realizaçao do bem (que, como teremos ocasiao de comprovar, exige que previamente se abandone o estado de natureza), mas a convivência pacífica e harmónica da vida em sociedade, sem a qual nao há uma noçao comum do que está bem ou mal.
ignacio iturralde blanco
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Paseaba en compaña
polo Parque do Retiro
entre libros de Feira
e cousas de outros días
viñanme á memoria:
estatuas enormes,
monicreques de teatro,
follas caídas.
E as follas no chan
leváronme a unha viaxe
pola neve andando Sete Picos.
O tramo que percorrín
non está na cidade,
creo que non está en parte algunha,
non recordo case nada.
Sé me lembro da partida,
das últimas palabras
de despedida
antes de partirmos todos.
Quedeime atrás, solitario,
e non recordo que os vise
de verdade, como se os
perdera de vista.
Porque un silencio divino
seméllase a camiñar en silencio
e a solidón do mundo
non ve os outros
e estar só entre outros
quere ser unha estatua
ecuestre nunha Praza Maior,
elevada, un cabalo de bronce
elevado sobre un pedestal
cunha pata no ar,
pisando e non pisando,
etérea, silenciosa, pisando o ar,
mentres os ollos meus pisan
levemente o ar
sen homes e estatuas
cando sen embargo, abaixo,
hai homes e estatuas.
francisco candeira
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Acabada a Guerra Civil, a ditadura de Franco estabeleceu un sistema económico de autarquía, que daquela se estaba aplicando na Italia fascísta e na Alemaña nazi. Segundo isto, tódalas forzas produtivas do país, os montes incluídos, supeditáronse ao interese político de lograr a autosuficiencia económica de España. O franquismo optou pola repoboación forestal masiva cun enfoque produtivista, fomentando a creación de novas masas forestais por parte do Patrimonio Forestal del Estado (PFE) coa finalidade de abastecer de celulosa á industria do papel, de embalaxes, de travesas de ferrocarril, de tecidos artificiais, de explosivos, de materiais para a construción…, sen recorrer ás importacións. Para este proxecto. o Condado resultou ser unha terra idónea porque “la comarca del Condado es una de las mas forestales de la província (…) y hoy existen en el Partido Judicial de Puenteareas, numerosísimas fábricas de aserrío (…). Por eso es de enorme interés aumentar la superficie arbolada (…), una magnífica inversion, de la que se obtendrán en un futuro próximo, (…) pingües beneficios.” Así, a repoboación intensiva de piñeiros efectuouse nos montes de Utilidade Pública e os de Libre Disposición de tódalas parroquias, e debia facerse con especies de madeiras brandas e crecemento rápido. No Condado, a principal especie introducida na repoboacion foi o Pinus Pinaster (piñeiro bravo) “que es la especie que se consume casi exclusivamente en las fábricas de madera próximas, y como por otra parte no es de esperar que se monten fábricas en la comarca del Condado, que necesiten matéria prima de eucaliptus ó acacias, estimamos que la repoblación debe ser a base de Pinus Pinaster”. O <Novo Estado> impuxo consorcios asinados entre o PFE (por medio do Distrito Forestal de Pontevedra) e as 5 corporacións municipais da bisbarra. En Ponteareas, en 1944, o Distrito Forestal solicitou ao Concello a cesión de montes para repoboar e este cedeu primeiro o monte Galleiro (Padróns) e mais tarde Seijo e Forna (Xinzo), Salgueirón e Cobas (Ribadetea), San Cibrán (Guláns), Bouza da Vaca (Cristiñade) e outros. Nas condicións do consorcio para a repoboación de San Cibrán, vemos que a propiedade seguía sendo municipal pero podia venderlla ao PFE. O arboredo existente e o que se crease pasaba a ser propiedade do Patrimonio. Este faciase cargo da dirección técnica dos traballos, da garderia do monte, dos gastos de repoboación, os costes das vías de saca necesarias no monte e edificacións permanentes pagábanse entre ambas institucións. O Servicio Forestal encargábase de elaborar e executar os proxectos. O Concello recibia o 40% dos beneficios das talas e o 95% dos demais aproveitamentos; os aproveitamentos de pastos e leñas de carácter veciñal, subordinaba sempre “su localización, época y cuantía a las necesidades de la repoblación y conservación del arbolado”. A comercialización dos productos do monte realizouse desde os Concellos mediante un sistema de subastas anuais nas que participaron os numerosos industriais madeireiros. Empresas como Serrerías del Miño (Salvaterra), Compañia Maderera del Noroeste de España (As Neves); José Ucha Bugarín e Hijos (Areas-Ponteareas), Manuel Álvarez e Hijos (Vigo) e um amplo etc… En virtude da apropiación municipal das propiedades comunais que impuxo o rexime franquista, os aproveitamentos madeirables foron unha fonte de ingresos imprescindible para nutrir os seus orzamentos. Así, en As Neves, en 1946 “teniendo en cuenta que existen obras de urgentísima necesidad en el término municipal e de perentória realización, (…) se acuerda autorizar al Sr. Alcalde, para que (…) gestione la venta de pinos”. E, cando dez anos despois a subasta anual quedou deserta, ocasionou grande preocupación no concello por “el grave problema que se crearia al Municipio en el caso de que la realización de los aprovechamientos no tuviera efectividad en el presente ejercicio, porque no sería posible cancelar las obligaciones contraídas”. Para a campaña forestal 1947-48 o mesmo concello solicitou o aproveitamento de 3.400 piñeiros “entendiéndose que esta corta es absolutamente necesaria para los intereses del Municipio ya que tiene proyectado y en trámite obras municipales de capital importancia”. E o mesmo argumento utilizase na campaña forestal de 1949-50. A enorme dependencia que tiñan os orzamentos municipais dos aproveitamentos produto da repoboación foi unha constante en todo o Condado. En Ponteareas “en el presupuesto para el actual ejercicio se ha previsto un ingreso de 54.000 pesetas por aprovechamientos forestales, (…) pues si no se acudiera a este recurso se desvirtuaría el Presupuesto y no podrían atenderse varias necesidades. E en 1944. “en el Presupuesto Municipal (…) figuran como ingreso 40.000 pesetas, por aprovechamientos forestales en montes comunales, cantidad de la que no puede prescindirse para atender a los gastos previstos en dicho Presupuesto”. Esta situación culminou en 1953 cando os aproveitamentos forestais representaron o 22,18% do orzamento de ingresos. Así explícase que, ao final, pesasen ben máis nas decisións municipais os beneficios dos aproveitamentos cá protección da economia labrega. Na comarca do Condado, a política de repoboación forestal foi un torpedo na liña de flotacion da economia tradicional agrária e das ancestrais prácticas comunais. Os consorcios, pese a algunhas apariencias de toma en consideración dos intereses labregos, arrecuncharon aos lexítimos donos, as comunidades campesiñas, e atacaron con moi poucos miramentos á economía das aldeas. Durante os Anos da Fame o aproveitamento dos montes comunais, era un complemento esencial para a súa supervivencia. Neste sentido a incautación dos comunais e as fortes limitacions ás prácticas económicas tradicionais das parroquias, resultou unha agresión sen precedentes que empeorou aínda aínda máis as durísimas condicións de vida. Algunha corporación, como a de Mondariz, expresaron a necesidade de protexer as colectividades rurais no proceso repoboador. Sen embargo co paso dos anos 40 ocasionou unha sistemática solicitude de concesións de parcelas de comunal a particulares, para cultivar. As corporacións adoptaron unha actitude cambiante pero a medida que a repoboación se espallaba, os beneficios económicos que reportaron para os concellos, fixeron que se acabase impoñendo unha actitude de denegación das solicitudes. Así, os montes comunais repoboados encheronse de restriccións: ás rozas destinadas ao cultivo, ao pastoreo, ás queimas para creación de pastos, fortes restriccións á caza. Xa en 1942 varios veciños de Pias solicitaron “se deje sin efecto la repoblación del monte de la Cruz para dejarlo libre para el pastoreo”, Tamén os veciños de Celeiros pediron que “se deje libre el monte nombrado <Pedra do Cabalo> desde la carretera de Guillade hasta la <Dagoada>”. En Guillade permitíase provisionalmente o pastoreo nas zonas ainda non repoboadas pero advertíase aos veciños da obriga de “sustituir dicho ganado cabrío hasta llegar a su extinción en el plazo de 3 años”. Asimesmo, en Vilacoba (Salvaterra) no proxecto para repoboar o monte Porto Escuro, sinalábase que “en el monte pasta ganado vacuno de los vecinos de la parroquia (…). Además fraudulentamente pastorea ganado cabrío de la parroquia de Batallanes. Para el ganado vacuno se deja zona de pastoreo en las proximidades de la parroquia. La supresión del pastoreo de cabrío no crea problema, puesto que lo efectúan fraudulentamente”. Aquí o Concello de Salvaterra preferiu pactar cos “vecinos más caracterizados” de Vilacoba, as zonas a repoboar e as zonas destinadas ao pasto do gando vacún, concluíndo que “de esta forma hay seguridad de que los vecinos de Vilacoba no pondrán dificultades, al emprender los trabajos de repoblación”. Pero resolvián de maneira expeditiva os inconvenientes cunha verdadeira persecución ao gando caprino, que é tamén moi visible no resto dos concellos do Condado, enviando a mensaxe de que o proceso repoboador continuaría a costa dos intereses campesiños se fose necesario. Pese a todo, e por pura necesidade de supervivencia, os veciños seguiron coas prácticas propias da súa economía tradicional aínda sabendo os riscos de sancíons en que podían incurrir. Así, en 1950, en As Neves “han sido impuestas multas a varios vecinos de las parroquias de San Cipriano y Batallanes por apropiación indebida de terrenos comunales y pastoreo abusivo en los mismos” por importe de 12.210 ptas. Pero onde máis claramente se percibe o malestar labrego é no escrito dos veciños de Gargamala ao Gobernador Civil e ao Alcalde de Mondariz en marzo de 1958, porque cando “estaban tranquilos en posesíon de la modesta explotación de estos terrenos, donde llevan a cabo sus operaciones de pastoreo, se encuentran sorprendidos, con los nuevos trabajos de repoblación forestal, de tal forma llevados que (…) invadiendo estos terrenos se les priva y perjudica hasta el extremo que sus ganados se encuentran sin pasto. Y al verse desprovistos de este único medio de vida, la ruína para todos los vecinos es inminente y total, dado que la mayoría tendrán que ausentarse de las tierras que los vieron nacer y buscar otros medios de vida”. En 1943, aparece o que tal vez foi o intento de dez veciños do barrio de Couso (Guláns-Ponteareas) de manter os aproveitamentos veciñais. Solicitaron estes a suspensión da orde da alcaldía de repoboar “el monte denominado <Couso> (…) toda vez que -dicen- tal monte les pertenece”, asunto que se denega con rotundidade porque, “aunque se admitiera que el barrio de <Couso> como Entidad disfrutara del monte, por no estar organizado administrativamente, siempre correspondería al Ayuntamiento la ordenación de todo lo referente a la repoblación forestal. E no mes de agosto deste ano engádese ao carácter confiscatorio da repoboación, outro gravame para as aldeas: que parte dos traballos de repoboación “han de llevarse a cabo con carácter vecinal gratuíto durante el año forestal 1943-44”. O caso é que, aínda á altura de xuño de 1951 “la repoblación de (…) San Ciprián (…) causa transtornos a los vecinos de la parroquia (..) especialmente a los aprovechamientos de pastos y esquilmes”. E por se, pese a todo, os veciños das parroquias quixesen arriscarse a ser sancionados polo incumprimento da normativa, o Concello de Ponteareas acordou conceder aos gardas forestais “la gratificación del 50% del importe de las multas que se impongan en las denuncias presentadas por los mismos”, magnífico estímulo para extremar a vixilancia nas terras en repoboación. Por outro lado, a práctica da caza quedou fortemente afectada pola lesiva normativa emanada do Distrito Forestal de Pontevedra na súa intención de protexer as zonas repoboadas. En 1954 establecia que “las superficies que se hallen en repoblación quedarán acotadas a la entrada de los cazadores para evitar los probables daños y muy especialmente a los posibles incendios que como consecuencia de la práctica de la caza pudieran producirse.” E efectivamente, constátase o incremento dos incendios forestais que teñen como telón de fondo a “hostilidad contra la forma en que se estaba acometiendo la repoblación”. (Cabana Iglesias, 2007) En 1948, as dificultades para controlar de maneira efectiva cada vez máis áreas repoboadas, obrigou en Ponteareas a unha distribución de gardas forestais por zonas. Pero ao ano seguinte o alcalde Ojea expresaba a urxencia de reorganizalas porque “los montes se hallan completamente abandonados debiendo volver algunos guardias a encargarse de la vigilancia de los montes en los que hay en la actualidad una enorme riqueza que es preciso conservar o incrementar”. Isto non evitou, por exemplo, que en 1947 ardesen os montes repoboados de Seijo e Forna (Xinzo) e o de Salgueirón e Cobas (Ribadetea), nin que en 1955 volvese a arder o primeiro deles. A repoboación forestal no Condado durante o primeiro franquismo tivo a súa continuación nos anos 60 e 70 e, pese á crecente resistencia veciñal, acabou cambiando por completo a cobertura vexetal dos montes e a súa dinámica ecolóxica, co predominio abrumador das especies alóctonas de carácter produtivista en detrimento das variedades climax de frondosas caducifolias que neste medio se desenvolve de xeito natural baixo as condicións do clima oceánico. Tamén o ser humano tivo que reorientar as súas estratexias de supervivencia coa esperanza posta na emigracíon a Europa.
francisco candeira mosquera

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Eu debo ser algo tonto:
vibro oíndo unha canzón de radio
nunha discoteca. E bailo emocionado,
e canto a cantiga tonta.
Despois marcho e olvídome da letra
e máis da música.
Non aprendín nada, non gocei sublime,
non disfrutei de poesía: vibrei
naquel intre. Vibro cunha canzón
de discoteca, con canzóns de moda.
Mais nunca formará
parte da minha intimidade.
Disfruto como un parvo cunha canzón
tonta, canto con elas, bailo como un tolo.
Máis non será pracer para min
recordar unha canzón de radio.
Recordaránma
e vibrarei de novo
mais nunca irá comigo sempre
unha canzón tonta,
non me acompañará, amiga.
Nunca irá comigo a cotío, non será
parte de min, non será esencia miña
como o pode ser “El guardagujas”,
ou un poema de César Vallejo,
ou un conto ou un prólogo de Borges.
Unha canzón tonta só serve
pra decatarnos que a música da arte
vale un millón de veces máis.
francisco candeira
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Como abordar a filosofia de Thomas Hobbes? Como enfrentar a grandeza da sua figura, que uns consideram próprio de um anjo, enquanto uma grande maioria a abomina por ter ajudado a justificar a tirania e o poder mais absolutista? Qual era a sua verdadeira intençao ao imaginar e descrever um estado pré-social como uma situaçao de guerra sem quartel, na qual os homens transformam a vida num espectáculo vil e hediondo? Porque pôs tanto empenho em convencer-nos de que o poder soberano, sem límites, é bom por definiçao e de que a nossa obrigaçao é obedecer em tudo ao gigante Leviata, o Estado, acima de todas as coisas? Talvez seja chocante para o leitor que uma das chaves de muitas dessas perguntas seja a procura da paz e a manutençao da ordem social. Nao é por acaso que o principal objectivo da filosofia política de Hobbes tenha sido tentar convencer os súbditos sobre as vantagens de obedecer ao soberano, e, assim, evitar a guerra civil que se avizinhava em Inglaterra. Além disso, se nos atrevemos aqui a nomeá-lo como príncipe da paz nao é pela sua coragem, mas exactamente pelo contrário. Como ele próprio nao teve qualquer pudor em reconhecer, a maioria dos actos que empreendeu ao longo da sua vida partiram de um traço do seu carácter muito mais comum que a valentia: “A grande paixao da minha vida foi o medo”. De facto, esse mesmo sentimento – que considerava forçosamente seu irmao gémeo – constituir-se-ia a pedra angular da sua ciência política, sobre a qual erige toda uma sofisticada teoria da autoridade suprema. O contexto histórico no qual Hobbes desenvolve a sua actividade política e filosófica, que abordaremos no próximo capítulo, é caracterizado por um choque prolongado entre a aristocracia e a burguesia. Trata-se de uma época em que se sucederam e amalgamaram grandes conflictos sociais. políticos e religiosos, tanto no plano interno de Inglaterra como no internacional, naquilo a que podemos chamar o início do fim do “Antigo Regime”. Apesar de a principal força motriz da sua vida pessoal ter sido o medo, deu mostras de uma grande coragem no que respeita ao seu percurso intelectual e foi um autêntico livre-pensador. A verdade, tal como a entendia, foi a sua única companheira: “Sou um homem que ama as suas próprias opinioes e crê na veracidade de tudo o que afirma” (Leviata, dedicatória). E o compromisso, que assumiu com o seu método filosófico e a nova ciência foi inquebrantável e esteve acima de questoes políticas, de modo que decidiu levar o seu sistema filosófico até ás últimas consequências pois acreditava que este estava absolutamente certo e, em sua opiniao, haveria de trazer a paz á humanidade. Nao obstante, as suas convicçoes suscitaram inimizades e estiveram quase a conduzi-lo a um processo por heresia, prova clara de que, no que ao conhecimento se referia, o medo nao o paralisava. Devido ás suas ideias teve, primeiro, de se exilar em Paris, com medo de represálias dos parlamentaristas, e viu-se mais tarde obrigado a regressar á Inglaterra liderada por Oliver Cromwell, com medo de represálias tanto dos realistas franceses como dos ingleses exilados em Paris.
IGNACIO ITURRALDE BLANCO
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Falabamos emocionados de poesía
por non falar dolorosamente intensos
das amigas que non tivemos.
E entramos casuais
nunha Estazón de Trens
e unha muller embarcou
pra darnos conta que tiñamos
que calar.
Soubemos onde estabamos
porque esa muller decide partir.
Despois discutimos
sobre quen queda e quen parte.
Acaso non nos quedamos nós no andén
ao mirar partir o tren:
acaso partimos nós nese tren
e acaso quedou no andén a muller
que partira.
Só o recordo ou o desexo o saben.
francisco candeira
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A ressaca repressiva de 68 foi enorme. A revolta acabava de ser sufocada quando, a 12 de Junho, se proibiram grande parte das organizacions esquerdistas que a tinham protagonizado. Sartre envolve-se na defesa dos militantes presos. A sua actividade é frenética. No entanto, a sua saúde começa a deteriorar-se com gravidade e, por outro lado, os estragos da cegueira progressiva tornam-se inevitáveis. Entre as múltiplas intervençoes que levará a cabo, entre as dezenas de entrevistas que concede, existe uma serie de conversas que quero referir porque reflectem a fase final do pensamento sartriano. Desenvolvem-se entre novembro de 1972 e março de 1974 e serao publicadas com o título de “Porqué a Revolta?” Os seus interlocutores sao Victor e Gavi. Quem sao estas personagens ás quais Sartre concede tal confiança, que se permitem discutir e contrariá-lo, matizar as suas afirmaçoes? O primeiro, que se tornará cecretário particular de Sartre no período 1974 – 1980, é um emigrante do Cairo, alumno de Althusser, militante maoista na Esquerda Proletária, que derivará, quando se converte ao judaísmo, para um estranho horizonte a que gostava de se referir como síntese Mao-Moisés, e que estabelecido em Jerusalém, dirigirá o Instituto de Estudos Levinasianos. Por seu lado, Gavi é de filiaçao trotskista e um dos fundadores do jornal “Libération”. Com eles, Sartre manterá uma discussao em longas sessoes: é o último testemunho teórico da sua aventura filosófica.
j. l. rodriguez garcia
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