Se é inegábel a influênça de Freud na comprehensón de nós mesmos como suxeitos movidos por obscuros desexos inconscientes, também teremos de reconhecer que a sua influênça nas artes visuais contemporâneas foi particularmente significativa e fecunda. Em primeiro lugar, encontramos Freud na arte de vanguarda, concretamente no “surrealisno”, um movimento artístico que, em rigor, situaríamos entre os anos 1924 e 1945. Se algunha cousa caracterizava os pintores e os escritores “surrelistas” era a sua enérxica reivindicaçón da liberdade criativa. Fixérom tudo o possíbel por fuxir do anquilosado modo de vida burguês e por conquistar outros mundos completamente inverossímeis a partir da estreita órbita da lóxica racional. A sua reivindicaçón era o ilóxico, o orixinal, o estranho, o desconexo. De facto, nos seus escritos e pinturas respirava-se unha atmôsfera tán irracional, orixinal, extranha e desconexa como o sonho. Non debe surprehender-nos, pois, que André Breton, reconhecido como o pai do “surrealismo”, reivindicasse, em repetidas ocasións, a figura de Freud como precursora ideolóxica do movimento. “Quando chegará, senhores lóxicos, a hora dos filósofos dormentes?”.
ENRÍQUEZ DEL CASTILLO, Diego (Segovia, 1433-1504?). Biógrafo que foi capelán e conselheiro do rei Enrique IV. A sua “Crónica del rey don Enrique el cuarto de este nombre”, foi publicada nunha edicçón sem data e reeditada em 1787 e em 1878. A primeira versón desta crónica, que vai do ano 1454 a 1467, perdeu-se depois da batalha de Olmedo. Enríquez reconstruíu-a de memória e, em consequência, é a parte mais débil da obra, à vez que a menos precisa. Está cheia de colorido na descripçón dos detalhes e vivacidade na descripçón das personáxes, mas carece de serenidade e da obxectividade da verdadeira história. Favorece nela ao rei Enríque, e a Alfonso Fernández de Palencia o ataca sem piedade.
ENRÍQUEZ, Carlos (1907-1957). Novelista cubano. “Tilín García” (1939) trata da reforma agrária em termos moralistas, mas “La feria de Guaicanama” (1960) logrou superar o corsé da novela de tese, para aproximar-se ao anarquismo selvaxem e à exuberante sensualidade de D. H. Lawrence e ao extremismo político de Bakunin e Kropotkin, que de algunha maneira se perde baixo um alud de metáforas e de hipérboles. “La vuelta de Chencho” (1960) é unha novela picaresca e directa sobre a vida no campo cubano.
ENEASÍLABOS. Versos de nove sílabas infrequentes na literatura espanhola. Villasandino utilizou-os no Cancioneiro de Baena. Depois foi Valverde, como no verso “No quieren beber en el río”; Darío, autor dos melhores eneasílabos em “El clavicordio de la abuela”; Rosalía de Castro e Salvador Rueda também os utilizarom. O “trocaico” está acentuado na 4ª e na 8ª sílabas, mentras que o “dactílico” na 2ª e na 8ª, e o “mixto” na 3ª e na 8ª.
ENDECASÍLABOS. Versos de onze sílabas cada um. O tipo mais comúm utilizado por Garcilaso de la Vega, baseado no modelo de Petrarca, é o “endecasílabo heroico”, acentuádo na 2ª, 6ª e 10ª sílabas: “¡Oh más dura que mármol a mis quejas…” (Garcilaso, Égloga primeira). Também existe o “endecasílabo enfático” (mistura de “dactílico” e “trocaico”), que se acentúa na 4ª, 7ª e 10ª. Finalmente, o “sáfico”, acentuádo na 4ª, 6ª e 10ª.
ENCINAS, Fray Pedro de (Burgos, c. 1530-1595). Monxe dominico que estudou em Salamanca e passou a maior parte da sua vida em Huete. Os seus “Versos espirituales, que tratan de la conversión del pecador, menosprecio del mundo y vida de Nuestro Señor” (Cuenca, 1596), abarcam seis églogas relixiosas em “terza e ottava rima” (das mais antigas no seu xénero) e outros poemas líricos. As suas obras também aparecerom em “Séptima e ottava”, parte de “Flor de varios romances nuevos” (Alcalá, 1597) e em “Novena parte” (Madrid, 1597). Foi citado e eloxiádo (erróneamente como Ezinas) no Buscapié.
ENCINA, Juan del (Salamanca, 1469-1529?). Músico, autor teatral e poeta, foi conhecido como o pai do teatro renascentista espanhol. Estudou em Salamanca e graduou-se como “bachiller” em leis. Tomou as ordens menores. Entrou ao serviço do duque de Alba em 1492 (ou em 1495, segundo outras fontes); passou vários anos ao seu serviço como cortesán, dramaturgo, músico, actor e productor de entretimentos. Em 1498 competíu para ganhar o posto de cantor na catedral de Salamanca, mas o posto foi para Lucas Fernández, e Encina partíu para Roma, onde se convertíu no favorito de Alejandro VI. O papa Julio II nomeou-o arcediano da Catedral de Málaga em 1509, mas Encina era home inquieto e finalmente acadou de León X o cargo de prior da Catedral de León, cidade onde morreu a finais de 1529 ou princípios de 1530. O seu “Cancionero” (Salamanca, 1496; ed. facs. de E. Cotarelo y Mori, 1928) contem toda a sua obra poética e as suas primeiras oito églogas dramáticas. Estas obras curtas de tipo pastoril forom escritas para comprazer ao duque de Alba, no seu retiro de Alba de Tormes. Non apresentam mais influênça italiana que a que lhes dá o tema pastoril. “El Cancionero” tivo várias reediçóns às quais se agregarom algúns poemas e continuou sendo, durante bastante tempo, unha fonte de estilo e temática para todos os dramaturgos espanhois anteriores a Lope de Vega. Só três das suas églogas seguem a tradiçon cristán medieval: a segunda, que é unha obra de Natal, e a terceira e a quarta, sobre a paixón e resurreiçón de Cristo. As obras restantes som de tema secular e verdadeiramente dramáticas pola sua tensón e os seus contrastes. Algunhas resultam enxenhosas e divertidas. A “Égloga de Cristino y Febea” pode ter antecedentes italianos. Outras obras suas com seguridade os tenhem: a “Égloga de Fileno, Zambardo y Cardonio”, por exemplo, é unha imitaçón do poeta italiano Antonio Tebaldeo. Também com antecedentes italianos, podemos citar a “Égloga de Plácida y Vitoriano”. A linguaxe de Encina resulta tán vigorosa, que chega a ser innovador. Foi o criador do parlamento do campesino cómico chamado “sayagués”, muito imitado depois por outros autores. É um versificador intelixente, que tem o cuidado de adoptar a linguáxe adequada a cada unha das personáxes. A pesar de que os seus argumentos som sinxélos, a estructura é cuidadosa. Atribuirom-se-lhe várias obras que non som do seu cunho: o “Auto del repelón” e a “Égloga interlocutoria”. As suas obras forom reeditadas e estudadas neste século (1968-1976).
ELIZONDO, Salvador (México, 1932). Novelista, poeta e contista. Os seus “Poemas” (1960) mostram unhas paixóns violentas, com técnica semisurrealista. Fíxo-se famoso com a publicaçón da novela “Farabeuf o la crónica de un instante” (1965) que, na opinión de George McMurray, é um momento climático de orgasmo e morte, nunha atmôsfera de erotismo e sadismo. “El hipogeo secreto” (1968) resulta menos impresionante, a causa fundamentalmente da sua aridés intelectual. Nela as verdadeiras protagonistas som as palabras e a novela em si mesma, que descende directamente das experiências e técnicas de Joyce e Faulkner. Escrebeu unha autobiografía, “Salvador Elizondo” (1966), e excelentes contos reunidos em “Narda o el verano” (1966) e “El retrato de Zoé y otras mentiras” (1969).
ELIZONDO, Martín (n. 1923?). Importante dramaturgo, que viveu em França desde o final da guerra civil, como Fernando Arrabal e José Guevara. Foi fundador e director de “Los Amigos del Teatro Español”, grupo que produze obras espanholas para os exiliádos que vivem em França. Professor da Universidade de Toulouse. As suas obras ocupam-se xeralmente dos efeitos da tiranía nos individuos. Começou a escreber em francês, para poder ter accéso a públicos maioritários. “De verdugo a verdugo” (1964), “La garra y la dura escuela de los Perejones” (1966), na qual a família marxináda dos Perejones som desaloxados por unha anciana centenária, “La Garra”. “Otra vez el mal toro” (1967) é unha visón sardónica da inutilidade das revoluçóns. “La faim” (1968) versa sobre a distribuiçón inxusta das reservas alimentárias do mundo. “Pour la Grèce” (1969) é unha obra de teatro baseada no golpe militar de 1967 em Grecia. A estreia da obra em Toulouse foi interrompida por um comando fascista, mas o público pensou que este feito formaba parte da obra e o comando quedou completamente em ridículo.
ELIPANDO DE TOLEDO (Toledo, 717-794?). Godo que foi prelado das Espanhas em 783, ano em que sucedeu a Cixila. Atacou a herexía de Migecio, que ensinaba que a primeira pessoa da Trindade era David, a segunda o seu descendente Jesús, e a terceira, san Paulo. O mesmo Elipando ensinaba que Jesús non era o filho natural de Deus, senón somente o seu filho adoptivo. A herexía do adopcionismo orixinou-se nas Espanhas e foi impulsada por Félix de Urgel, que foi condenado, xunto a Elipando, na Assambleia de Frankfurt em 794. Sobrevivem sete cartas suas: todas reeditadas por Menéndez y Pelayo na sua famosa “Historia de los heterodoxos españoles” (1880, vol. I).
ELAN, Grupo. Movimento literário equatoriano dos anos trinta, formado polos escritores: Alfonso Cuesta y Cuesta, Alejandro Carrión, Jorge Fernández, José Alfredo Llerena, Augusto Sacotto Arias, Ignacio Lasso e Humberto Vacas.
EIXIMENIS, Francesc (Gerona, a. de 1327-1409). Foi franciscano. Estudou em Toulouse e foi ordenado em Barcelona em 1352. Desempenhou altos cargos eclesiásticos. Foi embaixador de vários reis. Compilou a sua enciclopédia “Lo chrestià” partindo de prácticas e principios do cristianismo. Escrebeu também outras obras menores. “Primer del chrestià” (Valencia, 1483) escríto entre 1379 e 1381, sendo o primeiro de treze libros planeados. Terminou de escreber quatro deles, que em total tenhem 2.587 capítulos. “El Segon del chrestìa” foi escríto entre 1382 e 1383, mas non chegou a publicar-se. “El Terç del chrestià” foi escríto em 1384. Os primeiros 352 capítulos da obra forom reeditados em Valencia (1929-1932, três volûmes). O doceavo libro, “Dotzè del chrestià”, foi escríto entre 1385 e 1386 e foi publicado com pouca precisón por Bulbena baixo o título de “Tractat de regiment de princeps e comunitats” (Barcelona, 1904). Nesta edicçón som publicadas únicamente 68 dos 907 capítulos, que orixinalmente formabam o libro. A obra é unha fonte inagotábel de conhecimento sobre o pensamento medieval e a religiosidade do seu tempo, que permanecerom intactas a pesar da sofisticaçón de Metge ou o xénio intelectual de Llull. Eiximenis nos dá unha vivida crónica do surximento da clásse média, escrebendo específicamente para “persones simples e legues e sans grans lletres”, como o mesmo afirma. Viaxou constantemente. Sabemos que esteve em Oxford, Avinhón e em varias cidades italianas. Os diálogos intercalados em várias partes da obra, alixeiram tán longa leitura, que poucas vezes chega a ser tediosa. Tivo a suficiênte penetraçón para assinalar que o “pactisme” (gobernar por mutuo consentimento) foi unha das maiores contribuiçóns cataláns à tradiçón política europeia.
EIELSON, Jorge Eduardo (Lima, 1921). Poeta e novelista peruano. Os seus primeiros poemas estabam influênciados por Rilke e os poetas franceses postsimbolistas: “Reinos, separata da revista Historia” (n.º 9, 1945) e “Dédalo dormido” (1946). “Canción y muerte de Rolando” (1959), apareceu publicado por primeira vez em “El Mercurio Peruano” (Xunho de 1944). A meiados dos anos cinquenta, Eielson interessouse mais polas artes plásticas, mas desde entón, escrebeu unha obra de teatro, “Maquillaje”, um volûme de poesías “Mutatis mutandis” (1967) e unha novela, “El cuerpo de Gulia-no” México, 1971). Compilou, em colaboraçón com S. Salazar Bondy e J. Sologuren, unha importante antoloxía: “La poesía contemporánea del Perú” (1946) e el mesmo está representado na antoloxía de M. Lauer e A. Oquendo “Surrealistas y otros peruanos insulares” (Barcelona, 1973), Em 1977 publicou as suas poesías completas em “Poesía escrita”.
EICHELBAUM, Samuel (Domínguez, Entre Rios, 1894-1967). Dramaturgo arxentino. Ao princípio adheríu à proposta naturalista, mas foi-se afastando gradualmente, para extender a sua técnica ao realismo emotivo, que contrasta com as suas obras anteriores, bastante mecânicas; nelas mostrou a degradaçón dunha personáxe a causa das influênças exteriores (determinismo ambiental). Com Conrado Nalé Roxlo, está considerado o autor teatral mais importante da Arxentina da sua época. Escrebeu também narraçóns curtas e novelas. As suas obras mais conhecidas som: “La mala sed” (1920), “Un hogar” (1922), “La hermana terca” (1924), “Señorita” (1930), “Soledad es tu nombre” (1932), “El viajero inmóvil” (1933), “Pájaro de barro” (1940), “Un guapo del 900” (1940) (que trata de um “matón” professional, é unha das suas melhores obras e um excelente retrato de Buenos Aires de princípios do século). “Um tal Servando Gómez” (1942), “Nadie le conoció nunca” (1956) e “Las aguas del mundo” (1959).
EGUREN, José María (Lima, 1874-1942) Poeta e pintor peruano. Home de possibilidades económicas, foi criádo no campo, aínda que adquiríu âmpla experiência da vida urbana. Escrebeu sobre âmbos modos de vida, com igual confiança nunha linguáxe de asombrosa orixinalidade. É o poeta peruano mais importante depois de César Vallejo. O seu primeiro libro, “Simbólicas” (1911), dá a errónea impressón de que estaba baixo a influênça dos poetas simbolistas franceses, quando de feito utilizaba palabras mais polo seu valor musical, que polo seu significado. Influíu intensamente ao grupo experimentalista “Colónida”, que começou a reunir-se em 1916 e no qual estabam: E. Bustamante y Ballivián, A. Valdelomar, A. Hidalgo e J. Parra del Riego. O seu segundo libro foi importante: “La canción de las figuras” (1916), e as suas “Poesías” (1929) reúnem a sua poesía mais antiga e a sua aínda mais impressionante obra nova. Românticas no sentido clássico da linguáxe e às vezes simbolistas na expressón, as suas “Poesías completas” (1952), forom reimpressas em 1961 e em 1970, com unha selecçón de prosa. A obra non poética foi recolhida no volûme “Motivos estéticos” (1959). R. Silva Santiesteban editou as suas “Obras completas” (1974). Um tema constante da sua poesía é a cidade de Lima e os seus arredores. Usa abundantes neoloxísmos, num alarde de criatividade, mas isto non obstaculiza a apreciaçón da suavidade dos seus poemas oníricos, que ofertam extranhos pensamentos e repentinas metamorfoses, que tán bem forom aceitadas polos surrealistas peruanos, cuxa cabeça é sem dúvida César Moro.