Segundo a tribu dos Boshongo da África central, no início só había obscuridade, água e o grande deus Bumba. Um dia, Bumba, nunha dor de estômago, vomitou o Sol. Transcorrido um tempo, o Sol secou parte da água e deixou ao descoberto terra firme, mas Bumba todavía padecía a dor e vomitou mais cousas: a Lua, as estrelas e algúns animais: o leopardo, o cocodrilo, a tartaruga e, finalmente, o home. Os maias de México e América Central falan de unha época semelhante antes da criaçón, quando tudo o que existía era o mar, o céu e “El Hacedor”. Na lenda maia, o Hacedor, entristecido porque ninguém o adoraba, criou a terra, as montanhas, as árbores e a maioría de animais. Mas, como os animais non podíam falar, decidíu criar os humanos. Primeiro fixo-os de barro, mas so decíam cousas sem sentido. Deixou que se desfixéram e intentou de novo, fazendo-os agora de madeira, mas essa xente era muito torpe. Decidíu destruílos, mas escaparom para a selva, sufrindo sucessivos danos ao largo da sua carreira, transformando-se em macacos. Depois deste fracaso, El Hacedor finalmente encontrou a fórmula que funcionou, e construíu os primeiros humanos com milho verde, branco e amarelo. Actualmente fazemos etanol com milho verde, mas ainda non conseguímos repetir o fito de El Hacedor, de construir xente que o beba. Mitos da criaçón como estes intentam dar resposta às perguntas que nos formulamos neste libro. ¿Por qué existe um universo e por qué o universo é como é? A nossa capacidade de tratar tais questóns foi crescendo ao largo dos séculos, desde os antigos gregos e de maneira mais profunda no último século. Pertrechados com as bases proporcionadas polos capítulos anteriores, estamos em disposiçón de oferecer unha possíbel resposta a estas perguntas. Unha cousa que resultou evidente incluso em tempos muito primitivos foi que, ou bem o universo é unha criaçón muito recente, ou bem os humanos só existirom durante um pequeno lápso de tempo na história do universo. Isto é assim, porque a espécie humana foi melhorando (ou empiorando), de forma tán rápida em conhecimentos e tecnoloxía que, se a xente tivéra estádo aquí durante milhóns de anos, a nossa espécie estaría muito mais avanzada nas suas destrezas e conhecimentos (isto, sempre que os avances foram num sentido positivo, cousa que está bem lonxe de ser assim).
Voltaire preocupa-se com o cultivo das terras, supervisiona a plantaçón das árbores, o cuidado do vasto xardim e, enquanto continua a emprestar dinheiro a príncipes alemáns e nobres franceses com elevados xuros, emprega artesáns especialistas em seda e renda, xuntamente com os xá referidos reloxeiros xenebrinos, que após conflíctos com os seus patróns, decidem trabalhar para o senhor de Ferney, que promove a venda dos relóxios em todas as cortes europeias. Também considera que tem o deber de amparar os moradores da comarca, na qual non deixa de ter certos direitos senhoriais. De facto, protexe-os de um modo quixotesco, o que faz com que tenha sérias disputas com o bispo e com outras autoridades locais. O xá mencionado historiador britânico Gibbon descrebe um dos seráns de Ferney, mais concretamente um em que se representa “O Órfan da China”, com Voltaire e a sobrinha nos papéis principais: “Talvez” – escrebe Gibbon – “eu estivesse demasiado perplexo perante a ridícula figura de Voltaire, xá septuaxenário, a fazer de conquistador tártaro com voz profunda e roufenha, a cortexar unha sobrinha realmente horríbel com cerca de 50 anos. A peça começou às oito e acabou às onze e meia. Todos forom convidados a quedar. Por volta da meia-noite, sentámo-nos diante de unha elegante mesa com cerca de cem talheres. O xantar terminou às duas, toda a xente dançou até às quatro; quando xá non aguentávamos mais, metemo-nos nas nossas carruaxens e regressámos a Xenebra quando estavam a abrir as portas da cidade”. “Diz-me” – desafia Gibbon à sua madrasta – “se conheces outro poeta, na história ou na lenda, que aos setenta anos tenha representado as suas próprias peças e tenha concluído a cena com um xantar e um baile para cem pessoas. Acho que esta última questón é a mais extraordinária das duas”. O escoçês James Boswell, o futuro biógrafo do doutor Samuel Johnson, também visita Ferney. Primeiro é informado de que Voltaire está doente e de que non pode recebê-lo por estar acamado. Na verdade, levanta-se sete ou oito vezes por dia e acaba por travar brilhantes conversas com um Boswell desconcertado perante a vigorosa vitalidade do seu anfitrión, bem como perante o ambiente hospitaleiro que reina no castelo.
CALDERÓN, Fernando (Guadalajara, México, 1809-1845). Autor teatral e poeta mexicano. Afiliou-se ao partido liberal e foi logo perseguído e posteriormente elevado à alcaldia de Zacatecas. É um poeta imitativo, como nos poemas em que se serve do romantismo mais temperán para expressar imaxinárias penas amorosas. Non obstânte, as suas “Obras poéticas” (1844) forom reimpressas muitas vezes. Destacou como autor teatral, especialmente em “A ninguna de las tres” (1854), que foi unha réplica a “Marcela” ou ” ¿Cuál de las tres? de Bretón de los Herreros. Nela satirizou a manía de copiar tudo o procedente da França, a hipocrisía política e a deficiente educaçón das mulheres no mundo hispâno. Escrebeu também o drama em cinco actos “Ana Bolena” (1854), “Hernán, o la vuelta del Cruzado” (1854), a obra em quatro actos com reminiscências cabaleirescas “El torneo” (1865), a traxédia neoclássica “Muerte de Virginia por la libertad de Roma” (1882), em verso, e a comédia em prosa “Los políticos del día” (Zacatecas, 1883). Considerado o melhor autor teatral mexicano da sua época. Tivo grande êxito na escena, ainda que como poeta foi menor. Manexou com maestría a construçón dramática nas suas obras, assim como o diálogo, a intensidade da trama e outras técnicas. Em 1959 Francisco Monterde publicou “Dramas y poesías” (México).
CAIRASCO DE FIGUEROA, Bartolomé (Gran Canaria, 1540). Poeta, autor teatral e canónigo da Catedral de Las Palmas. Escrebeu um longo poema de cinco mil oitavas, “Templo de la Iglesia militante o Flos sanctorum” (Lisboa, 1612, três volûmes). A. Castro seleccionou algunhas das suas “Definiciones poéticas morales y cristianas” para a BAE (1857, vol. XLII).
CÁDIZ, Beato Diego José de (Cádiz, 1743-1801). Nome relixioso do capuchino José Caamaño García Texero. O seu estilo fixo-se muito popular no seu tempo pola sua sinxeleza e o seu alonxamento tanto do conceptismo como do culteranismo, considerados indispensábeis até nos sermóns. Das suas obras mais conhecidas citaremos “Afectos de un pecador arrepentido” (Barcelona, 1776) e o seu ataque às obras teatrais, “Dictamen sobre asunto de comedias y bailes” (Pamplona, 1790).
CADALSO Y VÁZQUEZ, José (Cádiz, 1741 – 1782). Poeta e autor de sátiras. Foi, com Jovellanos, unha das figuras literárias mais importântes do século XVIII, herdeiro do desengano de Quevedo e de Gracián. Estudou no coléxio dos Xesuitas em Cádiz e aprendeu inglês, francês, alemán e italiano nos seus frequentes viáxes por Europa. Regressou a Madrid em 1758. Combateu na campanha portuguesa de 1762 e foi nomeado cabaleiro da Ordem de Santiago de Espada em 1766; nesse mesmo ano conheceu a Jovellanos. Exilou-se em 1768 por ser o suposto autor de um manuscrípto que ofendía a honra de várias damas da corte: o “Calendario manual”. Durante os dous anos seguintes escrebeu desde o seu desterro de Aragón os poemas reunídos em “Ocios de mi juventud” (Salamanca, 1773), os melhores do libro forom ecrítos na honra “Filis”, a actríz María Ignácia Ibáñez, que representou a personáxe de Dona Ava na traxédia de Cadalso “Don Sancho García” em Xaneiro de 1771. Cadalso amou a Ibáñez até à sua morte em Abril de 1771. Durante o ano seguinte acudíu pontualmente à tertúlia da “Fonda de San Sebastián” em Madrid e publicou “Los eruditos a la violeta y el suplemento”, sátira sobre a falsa sabedoría dos pedantes, que sem apenas saber ler e sem minimamente estudos, querem opinar de tudo e o fán com pretensóns. O libro está estructurado a partir de unhas “Lecciones” de poesía, filosofía, leis, matemáticas e outros temas. O grande êxito da sátira, levou-o a escreber “Un buen militar a la violeta” (1790). Passou parte dos anos 1773-1774 em Salamanca, onde conheceu a Juan Meléndez Valdés. Nesse lápso escrebeu as suas melhores obras, “Cartas marruecas” (1793), e “Noches lúgubres” (1798), que apareceron por entregas no “Correo de Madrid” (1789-1790). Foi ascendido a coronel em 1782 e quinze dias depois morreu no sítio de Gibraltar. A história amorosa de Cadalso, o seu activo patriotismo, o seu atrevimento crítico frente às intituiçóns hipócritas encumbram-no a unha figura imprescindíbel do prerromantismo espanhol.
CABRERA INFANTE, Guillermo (1929). Novelista, contista, guionista e crítico de cinema cubano. As suas críticas publicaron-se reunidas em “Un oficio del siglo XX” (1963). Em 1959 fundou “Lunes”, suplemento semanal do diário “Revolución” que se publicou até que foi prohibido em 1961. Ingresou no serviço diplomático, do qual foi cesado em 1965. O seu libro de contos basado no período do dictador Baptista foi publicado em “Así en la paz como en la guerra” e traducído ó francês, polaco, italiano e outros idiomas. Com a novela “Tres tristes tigres” ganhou em 1964 o “Premio Biblioteca Breve”. A versón non censurada desta obra non se editou até 1967. Aparentemente, a obra é unha espécie de guía da vida nocturna de La Habana, mas o verdadeiro protagonista é a linguáxe, cheia de experiências, neoloxísmos, associaçóns fonéticas, palabras inventadas e intelixência. Cabrera Infante narra neste libro a decadência do seu país na etapa prerrevolucionária. Vive em Londres e foi privado da nacionalidade cubana. Em 1975 publicou “Vista del amanecer en el trópico y O”; e em 1980, “Habana para un infante difunto”.
CABRERA DE CÓRDOBA, Luis (Madrid, 1559-1623). Historiador, Cortesán que tomou parte na Armada Invencíbel. A sua obra mais importante foi “Biografía de Felipe II, rey de España” (I, 1619; II, 1876-1877, quatro volûmes), que foi a fonte da importante obra teatral de Pérez de Montalbán, “El segundo Séneca de España”. O melhor da sua obra foi a precisón e a brevidade, mas o seu estilo resulta a miúdo ilexíbel: os capítulos non tenhem unha estructuraçón lóxica e isto dificulta a comprehensón dos complexos feitos que narra. Ao parecer, non practicou o que predicaba no seu manual “De historia, para entenderla y escribirla” (1611). Um estudo relativamente menos importante, ainda que com notabeis dactos, é “Relaciones de las cosas sucedidas en la Corte de España, desde 1599 hasta 1614” (1857).
CABRAL, Manuel del (Santiago de los Caballeros, 1907). É o poeta dominicano mais importânte deste século. A pesar de que os seus primeiros libros forom publicados durante a dictadura de Trujillo (1930-1961), a sua poesía reivindicou aos negros e aos mulatos antillanos e denunciou as inxustiças que padecen, A sua poesía última benefícia-se de unha maior amplitude temática e de unha actitude tolerante respeito da sociedade que lle tocou viver e el amor, que el divide em quatro categorías: sexual, literário, romântico e metafísico. A sua gama de expressón resulta tán âmpla como a sua temática. A sua “Antoloxía tierra” (Madrid, 1949) incluie poemas publicados em “Pilón” (1931), “Color de agua” (1932), “Doce poemas negros” (1935), “Biografía de un silencio” (1940), “Trópico negro” (1942), “Compadre Mon” (1943), “Sangre mayor” (1945), e “De este lado del mar” (1949). “La Antología clave, 1930-1956” (1957) selecciona poemas de outros libros: “Los huéspedes secretos” (1951), “Sexo y alma” (1956) e “Dos cantos continentales y unos temas eternos” (1956). Desde entón publicou unha autobiografía, “História de mi voz” (Santiago de Chile, 1964), que revela a elaboraçón interna das obras de um grande poeta. “Pedrada planetaria” (1958), “Carta para un fósforo no usado y otras cartas” (1958), “Catorce mudos de amor” (1962), “La isla ofendida” (1965) e “Los anti-tiempo” (1967). Também escrebeu dous volûmes de poemas em prosa: “30 parábolas” (1956) e “Chinchina busca el tiempo” (1945), ademais da novela “El presidente negro” (1973).
CABELLO DE CARBONERA, Mercedes (Moquegua, 1845-1907). Novelista peruana. Foi membro da tertulia de Juana María Gorriti em Lima e escritora de “escandalosa reputaçón e grande talento” segundo V. García Calderón, As suas três primeiras novelas forom: “Los amores de Hortensia” (1888), “Sacrificio y recompensa” e “Eleodora” (1886 e 1887, respectivamente), todas igualmente insípidas e sentimentais. “Blanca Sol” (1889), em câmbio, foi a primeira novela naturalista escrita no Perú; na qual se analisam os vicios e a hipocresía da alta sociedade peruana. “Las consecuencias” (1890) ataca o vicio do xogo, agora num escenário rural. A sua última novela, “El conspirador: autobiografía de un hombre público” (1892), som as memórias fictícias de um xefe de partido que é atraiçoado polos seus amigos e logo encarcerado. “La novela moderna” (1892) reimprimíu-se em 1948.
CABANYES, Manuel de (Vilanova i la Geltrú, 1808-1833). Poeta prerromántico de verdadeira inspiraçón e uso directo e sinxélo da língua. A través de fray Luis de León foi influído polos epítetos de Horacio, os seus xiros e os seus sentimentos, ainda que non pelos seus metros. Leu com paixón a Tomás Moro e Byron, ainda que rechazaba a tendência deste último para a desilusón. Traducíu a “Mirra” de Alfieri em 1831. Em colaboraçón com Joaquín Roca y Cornet publicou em 1832 unha versón de “Las noches” de Torcuato Tasso (Barcelona). Enfermou de tuberculoses e morreu unhas semanas depois de ter sído publicado o seu primeiro libro, “Preludios de mi lira” (Barcelona, 1833). As suas “Poesías escogidas” publicarom-se em 1858. Menéndez Pelayo pensou que “Cabanyes tinha o que faltou a Moratín: ideias, sentimentos e vida poética própria”.
CABANILLAS ENRÍQUEZ, Ramón (Cambados, Pontevedra, 1873-1959). Poeta galego. Colaborador da importânte revista “Nós” e do “Seminario de Estudos Galegos”. Foi escritor muito versátil: em “Vento mareiro” (La Habana, 1915) escrebeu versos ao mar. Versos narrativos, basados em três poemas celtas em “A noite estrelecida” (1926), e poesía amorosa de grande poder expressivo e economía de formas, em “A rosa de cen follas” (1927). A sua obra no campo da poesía oral foi reunída em “Antífona de cantiga” (Vigo, 1951). Em muitos dos seus poemas rende homenáxe ao seu pobo natal e a temas mais cosmopolitas, âmbas cousas com igual tino. Escrebeu a obra teatral “A man de Santiña” e, em colaboraçón com Antón Villar Fonte, a peça histórico-mítica “O mariscal” (1926).
CABALLERO CALDERÓN, Eduardo (1910). Escritor de libros de viaxens, ensaísta e româncista colombiano. Fundou a Editorial Guadarrama em Madrid e servíu no corpo diplomático em diversos lugares de Hispanoamérica e em Espanha. Foi corresponsal do diário colombiano “El Tiempo” em Buenos Aires. A sua novela “El Cristo de espaldas” (Buenos Aires, 1952) está basada na guerra civil colombiana de 1948-1958, durante a qual morreron mais de douszentos mil campesinos. Um sacerdote progressista enviado desde o seminário a unha aldeia nos Andes opôn-se ao goberno conservador, ao cacique local e à própria Igrexa, que defendíam aos poderosos. O bispo, ao final dos cinco dias que abarca a novela, ordena ao sacerdote que volte para o seminário: Cristo é forzado a dar a espalda a Colombia. “Manuel Pacho” (Barcelona, 1966) narra a história de um rapaz que, escondido nunha árbore, contempla como é massacrado o seu povoádo. Carga o dadáver do seu pai a través dos campos e enterra-o em lugar consagrado. Durante o caminho, sofreu fame, sede e fatiga, vé-se forzado a desmembrar o corpo, para fazê-lo mais lixeiro. Quando chega ao poboádo onde está o cemitério, os habitantes mostram-se pouco interessados em dispor o enterro do corpo pestilente e desmembrado, e pensam mais em salvar as suas próprias vidas. A narraçón evita todo sentimentalismo com a sua sequedade, contando simplesmente os sentimentos do xovem campesino. A sua seguinte novela “El buen salvaje” (1966) ganhou o Prémio Nadal. “Siervo sin tierra” (1954) refére-se a um campesino obsesionado por poseer unha pequena parcela que cultivar. Escrebeu também ensaios sobre as relaçóns de Hispanoamérica com o mundo, como “Suramérica, tierra del hombre” (1942) e “Latinoamérica, un mundo por hacer” (1957).
Mas, polo contrário, o conhecimento que se tem do externo mediante os sentidos é superado em certeza polo que se obtem com o que está em nós ou por nós é producído. Pois estou mais certo de que tenho apetite e vontade, de que agora estou pensando isto, de que fai pouco evitaba aquilo ou o detestaba, que de estar vendo um templo ou a Sócrates. Acabo de dizer que temos certeza de que existe na realidade o que está ou acontece em nós. Porque, em quanto ao que pensamos xulgando acerca das cousas, mediante o discurso e o raciocínio, barruntamos que é de todo ponto incerto que sexa na realidade tal como nós pensamos. Tenho eu muita mais certeza de que existe e de que é branca esta folha de papel em que escrebo, que da sua composiçón polos quatro elementos, assím como de que tais elementos se den nela em acto e de que tenha unha forma diferente à destes. Nunha palabra: se deixas a um lado, o que está em nós ou que por nós é producido, o conhecimento mais certo de todos é o que se leva a cabo por meio dos sentidos, e o mais incerto, o que se realiza mediante o discurso, pois este non é verdadeiramente conhecimento, senón tanteo, dúvida, opinión, conxectura. A partir de ahí pôn-se unha vez mais de relêbe aquilo de que non é ciência o que se obtem por meio de siloxismos, divisóns, predicaçóns e outras operaçóns semelhantes da mente. Non obstânte, se fora possíbel captar a natureza interna de cada cousa, da mesma sorte que percebemos polos sentidos, de um modo ou outro, as qualidades externas das cousas, entón poderíamos dizer de nós que sabemos na verdade. Mas ninguém – que saibámos – púido xamais fazer isto. ¡¡Logo non sabemos nada!!
Había alá, non sei onde e en non sei en que tempo, dous hirmáns, Bastián e Crispín, Bastián, de legítimo matrimonio e rico, pro moi simplote e envidioso, por añadidura; Crispín, ilegítimo e pobre ben que moi espabilado, entreverte e pillo. Casados ambos, vivían, pois, coas súas respeutivas mulleres, en condicións diferentes. O primeiro, en boa casa e con cartos moitos que de seus pais herdara. O segundo, nun pequeno chopete e carecendo hasta do máis preciso, tanto que, dedicado a vender sardiñas polas aldeas, houbo de empeñarse á fin de mercar un burriquiño que llas porteara. Logo que se veu cun duro en roda, dixo a sua muller: -Pepa, meu hirmán éche moi envidioso e, tan pronto seipa que teño besta, ha de querer mercarma: mira o que discurrín, pra que ma pague ben. O noso diñeiro é a roda que xa sabes; cámbioa en pesetas, doullas a comer ó burro, entre a palla, e, asegurando a meu hirmán que o animal cisca pesetas, verás o que me dá por el. -Ti xóga-lo todo polo todo. E ¿se sales mal? -Déixame a min. Sobre un ovo pon a galiña. Fixo, en afeuto, que tragara o burro as cinco pesetas e, pasando con el seguidamente por diante da casa do seu hirmán, saleulle ó encontro este e exclamou: -¡Mama, Crispín! ¡Con que xa tes un burro e eu non! -Si, empeñandome pra mercalo. -Véndemo e merca outro. -Sei o que teño e non vendo. Este animal é a miña fortuna. El non tardará en facerme rico coma ti. -Pois ¿que milagres obra? -Cisca pesetas e ahora o verás, que vai a gastear. Gasteou o burro: rexistraron os dous hirmáns e, topando ó instante entre o gasto as pesetas que tragara, dixo entonces Bastián: -Hirmanciño, véndeme o burro, que cho pagarei ben. -E ¿canto me dás por el? -Dareiche mil reás. -Menos de dous mil non o deixo e eso por ser pra ti. -Vaian logo os dous mil reás. Cobrou Crispín os cartos, deixou o burro en poder de seu hirmau e, volvéndose á casiña, chamou pola mulher e díxolle: -Pepa, esta non saleu mal. Aqui tes dous mil reás que Bastián me deu polo burro. Escoita ahora o que has de facer cando veña a queixarse de que o enganei. Temos dous coenllos iguales; prendes un cunha cordiña e átalo ahí en calquera sitio; o outro lévoo eu que vou ó monte a cortar toxo e volvo logo. Bastián de seguro preguntará por min, ti respondes que non estou na casa, sólta-lo coenlliño atado e mándasme a decir por el que veña axiña. Veremos como te sacudes. Marchou Crispín pra o monte cun dos coenllos e Pepa quedou en executar ó pé da letra o encargo do seu home. Bastián, por ben que rexistraba e rexistraba sempre que o burro facía de corpo, nada máis que o que esterco descubría e así non tardou en correr a casa de Crispín, por quen chamou moi enfadado. Pepa saleu á porta e véndoo alí co burro, díxolle, sin imutarse: -Bos días, Bastián. ¿Que se ofrecía? -Que ahí ténde-lo voso burro. A volverme inmediatamente dous mil reis que o teu home me arrancou por el. -E ¿eso? -Que desfago o trato, por engaño. Teu home aseguroume que este burro era a súa fortuna pois tiña a propiedá de ciscar pesetas: merqueillo en tal conceuto e, desque no meu poder está, maldita unha me ciscou, con que así, recolle-lo burro e devolverme os cartos. -Crispín non che está na casa, eu nada teño que ver cos vosos tratos; pero entra, mandareino a buscar e falarás con el. Entrou Bastián; desata entonces Pepa o coenllo e dándolle libertá, bota a fuxir pra onde se lle antoxou. Crispín quedara en vir a almorzar; entrou tamén a pouco co outro coenllo en brazos e preguntou á muller: -¿Que hai de novo, que este animaliño chegou xunta min correndo e dixome viñese de contado á casa? -Hai que teu hirmán non quere o burro e pide a devolución dos cartos. -Si, respondeu Bastián; mais antes, dime, Crispín. ¿E verdá que che levou recado de que viñeses ese animaliño que tras nos brazos? -¡Pois non ha de ser! Non temos outro criado, que somos pobres: se fóramos ricos coma ti, xa o teríamos; pro, amigo, non hai con que pagalo. -Hirmanciño, véndeme ese coenllo. -¡Seica estás tolo! Ti queres acabar comigo. Non cho vendo: é un criado moi fiel e nada nos costa máis que algunha herbiña con que se mantén. -Hirmanciño, véndemo e perdónoche os cartos que polo burro me levache: -Vendereicho, xa que tanto te empeñas, pro dándome mil reás. É moito, Crispín, non vale ese diñeiro. -Xa verás se o vale e inda máis. Aprontoulle pois os mil reás e marchou, levando o burro e o coenllo. Chegado á casa e, alucinado co que seu hirmán lle había dito, fíxolle a conta ós criados, despideunos e manda o coenllo co gando ó monte, mailo animaliño, ó verse libre, fuxeo, como fuxira o compañeiro. Pepa, moi contenta con tres mil reás que Crispín pescara xa a seu hirmán e deseosa de non perdelos, dixo ó home, cando llos amostrou: -Bastián hache de volver; preciso é armarlle outra. -Corre da miña conta e ti axúdame. -¿Que discurres pois? -Matamos ese carneiro flaco que esta na corte, enchemos de sangre del unha das súas tripas e, cando pete á porta meu hirmán, cingues ti a tripa ó pescozo, quéixase el do novo engaño, enfádome eu contigo e, botándoche a culpa toda, fago que te mato, dando unha puñalada na tripa: entonces ti quédaste coma morta; logo, tócoche eu á orella unha gaitiña, e vas pouco a pouco avivecendo hasta pórte de pé en frente a nós. ¿Entendes? -Si, si; descoida. Bastián volveu, en afeuto, á noite, queixándose de que novamente se lle engañase. Mandara o coenllo co gando ó monte e nin arriba, nin abaixo parecía. Reclamou, de consiguente, os mil reás que Crispín maliciosamente lle levara e amenazouno hasta coa xustícia. Crispín contestoulle: -A malicia, ou engaño, que nesto haxa culpa será de Pepa, miña muller; pois ben recordarás que na casa non estaba eu cando a queixarte viñeche polo burro. -Tan bo es ti coma a túa muller. -Vou a matala, pra que vexas e non digas que trato de engañarte. -Tanto coma eso, non. -Si; vai a morrer. E, tirando de navalla, pinchalle a tripa de carneiro, chea de sangre, que posta xa ó pescozo tiña Pepa. Cai esta no chan ó golpe, coma se a mataran. Bastián estonces, abalando e arrepentido do paso dado, non sabía case que decir; mais Crispín, coa navalla na man tinxida en sangre, díxolle: -Xa ves que, por causa túa, matei á miña muller. ¿Que vai ser de nós ahora? -Crispín, perdóname, respondeu Bastián, abrazándoo. Renuncio ós mil reás, pro ti estás perdido; fixeche unha morte e, de seguro, vas pra a carzele. -Non o penses, que teño ahí unha gaitiña e, en tocándolla catro ou cinco veces a Pepa ha de resucitar. Trouxo Crispín un como pínfano de buxo e, meténdollo case dentro dun oído á muller, empezou “tu, tuturutú”. Ela, ós primeiros toques non daba señal de vida, tampouco ós segundos, nin terceiros. Bastián, fixou os ollos en Pepa, coitada xa que non volvía en si. Ó cuarto “tuturutú”, empezou a mover un algo o corpo e dixo Bastián: -Toca, hirmanciño, toca, que xa rebole. Deu estonces Crispín quinto “tuturutú”, que foi o máis repinicado, e levantouse supetamente a fingida morta, deixando a Bastián cun palmo de boca aberta. Logo que a cerrou e non escramentado aínda das xogarretas de seu hirmán, díxolle con lastimeira fala. -Crispín, véndeme esa gaitiña. -Ti queres acabar comigo, quitarme tódolos medios de vivir. Non cha vendo. -Hirmanciño, véndeme esa gaitiña. E ¿canto me dás por ela? -Pide ti, que eu bastante fago se me defendo. -Pois vale dous mil reás e nada menos. -¿Nada menos, Crispín? -Nada menos. Entregoulle Bastián os dous mil reás e foise pra súa casa coa gaitiña. Un día incomodouse coa muller e tratando de a castigar, doulle unha puñalada que a deixou realmente morta, sin que, pra resucitala, de nada a gaitiña lle sirvise. Anoxado estonces de veras contra Crispín, enterrou, non sin cuantiosos gastos e disgustos, a difunta: presentouse logo cun saco grande en casa de seu hirmán e dixolle enfurecido: -Mal hirmán, estafador do meu diñeiro, agora si que chegou a túa; vas a morrer afogado polas moitas veces que me engañache. Métete aquí neste saco. Home, ben. Meteuse Crispín no saco, atouno o Bastián seguidamente e, botándose a carga ó lombo, marcha con ela dereito a certo pozo moi fondo de entrambos conocido. Mais eiquí que, pasando ó pé dunha ermita, tocan alí a misa, pousou sobre unha pedra a carga e, deixándoa así, entrou na capela: Crispín, asementras, non facía senón berrar ¡Ai de min! ¡Ai de min! Un arreeiro, que iba ó tanto por aquel camiño, oieu os laios, acercouse ó saco e preguntou ó que dentro del estaba: -Meu homiño, ¿que lle sucede? ¿Pra onde o levan de tan mala sorte? -¡Ai! lévanme a casar coa filla do noso Rei e, como eu non quero, vou á forza. Home, ¡que tonto é! Cambeemos e lévese usté a miña recua e odres de viño que nela van. -Feito; abra o saco pronto. Desátalle a baraza, pois; sale da prisión Crispín e, posto o outro no sitio del, ata ben o saco e, dando brincos de alegría, marcha pra a súa casiña coa recua e odres de viño do envizoso arreeiro. Bastián, así que se acabou a misa, saleu tamén da capilla; bótase outra vez a carga ó lombo e, chegando ó pozo, guindouno nel, afogando, non a seu hirmán, o que así inda o enriquecía, tanto que ó verse no lugar con recua propia e odres de bo viño, a muller ría como unha descosida e aconselláballe fixese de contado un mesón con cuadras grandes pra as bestas; os veciños pasmábanse, chamábanlle xa señor Crispín e Bastián mismo, noticioso que foi da volta deste, correu a que o enteirase de como sucedera aquelo. -Crispín, ti é-lo diaño -lle decía. ¿Non ibas no meu saco? ¿Quen senón eu te levou ó lombo e no pozo guindou a carga? -Dese pozo viñeron recua, odres e viño, que ti non maxinabas, e machos millores que os que eu trouguen se atopan no seu fondo. -Hirmanciño, volvamos alá os dous, que quero unha recua como a túa. -Envidioso fuche sempre, todo queres e todo che sale mal. Mañán, pois, de madrugada irémo-los dous ó pozo e mira que, se desta tampouco sales ben, escusas de virme á porta queixándote de engaño, cal fas adoito. -Hirmanciño, faime este favor, que non virei, suceda o que suceda. Ó día siguente, ó raia.lo sol, Crispín preparou a súa recua, monta nun dos machos e chegando á casa de Bastián, que xa na porta o agardaba, dille: -Sube a calquera destes machos e vamos logo ó pozo. Montou Bastián no que millor lle pareceu e, postos a camiño entrambos, non tardaron unha hora en estar ó pé do pozo. Apeáronse alí nun campo, levou Crispín a bebe-la recua, que na auga do pozo se dibuxaba, e dixo a seu hirmán. -Mira canto macho asoma por aquí. -Parecen os mismos teus -contestou Bastián mirando. -Os meus non están na auga. -Home, eso é verdá. -Pois a buscalos – añadeu Crispín. Guíndase Bastián ó pozo coma un atolondrado, e, dando voltas na auga, sin saber nadar, afogou ó instante. Crispín estonces sinteu especie de remordemento, de que pouco se coidou, pro, falando consigo mismo, dixo: “O envidioso morreu; basta de falcatruadas; fagámo-lo mesón que me aconsella Pepa”. E esto decindo, tornou pra o lugar a pé, fixo o mesón, xuntou riqueza moita e acabouse o conto.
HÉRCULES DE EDICIONES – GALICIA DE CONTO – VALLADARES, M. (REC.): A MONTEIRA, SOMANARIO DE INTRESES REXIONALES E LITERATURA (1889-1989), I, NÚM. 7. ( Co título de “Contos de rapaces” aparece tamén na revista “A Gaita Gallega”, La Habana, 1886, II, toc. 7ª).