
César Bórgia nasceu em 1475, portanto, era seis anos mais novo do que Machiavelli. Começou a carreira dentro da Igrexa, como era práctica habitual para o segundo varón dentro das famílias de certa linhaxem. Sendo o seu pai sumo pontífice, o César sacerdote foi ordenado nos diferentes gráus da hierarquía eclesiástica, em idades verdadeiramente precoces: bispo de Pamplona aos dezasete anos, arcebispo de Valência aos vinte e aos vintitres xá era cardeal. Quando o seu irmán Xoán morreu, César Bórgia tornou-se na primeira pessoa da História a abandonar a dignidade cardenalícia. E fê-lo para se colocar ao comando dos exércitos papais, cargo polo qual sentía unha especial atracçón, e que fora ocupado precisamente polo seu defunto irmán. Também despíu o hábito para poder casar com unha nobre de alta estirpe e lograr, um principado para os Bórgia, a sua maior obsessón. Em 1498, o ano da execuçón de Savonarola, César Bórgia foi nomeado duque de Valentinois por Luís XII de França, que lhe doou este ducado em agradecimento pola anulaçón do seu primeiro casamento, concedida polo papa Alexandre VI, para que, assim, pudesse desposar a viúva de Carlos VIII e manter a Bretanha sob o poder da Coroa francesa. Por este motivo, César Bórgia também é popularmente conhecido como “o Valentino” ou “duca Valentino”. Foi um dos mais firmes homes de acçón do Renascimento, como sobexamente demonstraria nas inúmeras campanhas que levou a cabo com o apoio do pai e dos seus soldados e como verificaremos a seguir. “Ou César ou nada” era a sua temída divisa, tudo menos conciliadora. Ruivo, alto, bem-parecido, seguro de si mesmo e enérxico, o Valentino produzíu em Machiavelli unha impressón non isenta de fascínio. Non é por acaso que o descrebe nos seus primeiros relatórios como “esplêndido e magnífico, e de tanto entusiasmo com as armas que toda a empresa lhe parece unha cousa de nada”. E acrescenta: “(…) nunca descansar”, e como se isto non bastasse, “unha inaudicta e perpéctua fortuna fazem dele victorioso e formidábel”. Audaz como poucos, César Bórgia tornar-se-á no modelo de príncipe de sucésso, sobre o qual Machiavelli pousa a sua atençón e a quem descrebe partindo de unha penetrante análise. Um modelo que non só vai servir ao secretário-filósofo para reflectir sobre as características pessoais mais importantes para liderar com solvência um principado novo (determinaçón, audácia, implacabilidade), mas também sobre as mudanças repentinas da sorte. Quando o fado estebe do seu lado, César Bórgia chegou a representar a maior ameaça das primeiras décadas do “Cinquecento”. Alguns, entre os quais se inclui o próprio Machiavelli, viram nele a figura destinada a reunificar Itália. Mas, subitamente, quase da mesma forma efervescente como emerxéra, a deusa Fortuna fez com que este magnífico e formidábel príncipe se desvanecesse. Machiavelli tívo, entón, ocasión de presenciar como o seu admirádo príncipe se transformaba num simples fuxitivo, quando César Bórgia se víu obrigado a procurar refúxio em Navarra. Nomeado capitán xeral dos exércitos deste reino, encontrou a morte a caminho do campo de batalha nunha emboscada nos arredores da vila de Viana. Mas o seu infortúnio non acabaría aquí. Enterrado em primeira instância dentro da igrexa de Santa Maria desta localidade, um desalmado bispo ordenou que os seus restos mortais fossem trasladados para um sepulcro debaixo da rua principal, para que assim, homes e bestas inxuriosamente o pisassem.
IGNACIO ITURRALDE BLANCO