
Como sabemos, Espinosa leu a obra de Descartes e assumiu rapidamente a sua abordaxem racionalista, mas concluiu que o francês non chegava às últimas consequências nesta abordaxem, que estaba em muitos aspectos obstaculizada por medievalismos e escolasticismos prévios à mudança de paradigma. Espinosa decidiu levar o racionalismo à sua conclusón lóxica. Sabemos também que o único libro que Espinosa publicou com o seu nome foi “Princípios de filosofia de Descartes”, escrito primeiro a pedido de um alumno e, depois, do seu círculo de amigos em Amesterdám. De facto, Espinosa era um reconhecido especialista na filosofia cartesiana, e assumiu dela vários aspectos: a concepçón do método (deductivo), a terminoloxia (substância, atributo, modo), alguns problemas específicos (relaçón mente-corpo). Mas non era um cartesiano ortodoxo e é muito probábel que tivesse chegado a muitas das suas convicçóns fundamentais antes de conhecer a obra do pensador francês. Por mais que o racionalismo cartesiano o influenciasse, non há dúvida da poderosa orixinalidade de Espinosa, que o ultrapassa em quase todos os aspectos. Espinosa quería destacar as diferênças existentes entre o seu pensamento e o do filósofo francês. Por isso, pedíu ao seu amigo Lodewijk Meyer que acrescetasse um prólogo aos “Princípios”, de modo a assinalar essas discrepâncias. Vejamos primeiro as afinidades entre ambos, para sublinharmos de seguida a especificidade de Espinosa. Neste momento, só nos interessa enunciar as afinidades e as diferenças. Ao longo dos próximos capítulos teremos oportunidade de analisar melhor as segundas. A ambos anima o ideal da unificaçón da ciência, polo desexo de integrar todos os campos do conhecimento através do método de unha matemática universal. A filosofia debe ser a globalizaçón de todo o saber humano: a metafísica, a física ou conhecimento do mundo natural, a antropoloxia ou conhecimento do ser humano, e a filosofia moral. Acresce que o método desta ciência unificada debe ser o deductivo que caracteriza o racionalismo: partir de unhas ideias claras e certas para retirar as consequências que delas derivam loxicamente. Mas Espinosa percebe que Descartes infrinxe com frequência as esixências racionalistas para introduzir, de forma dissimulada, pressupostos relixiosos.
JOAN SOLÉ