
Quando os europeus começaram a colonizar o mundo no final do século XV, o ritmo de extinçón aumentou. O dodó, nativo da ilha Maurícia, foi observado pola primeira vez por marinheiros holandeses em 1598; na década de 1670, estaba extinto. O seu desaparecimento talvez tenha ficado a dever-se ao abate, assim como à introduçón de espécies. Onde quer que os europeus arribassem, levavam com eles ratazanas, neste caso ratazanas de navio. Além disso, os europeus, muitas vezes de propósito, introduziam outros predadores, como gatos e raposas, que perseguiam espécies que as ratazanas deixavam em paz. Desde que os primeiros colonos europeus chegaram à Austrália, em 1788, dezenas de animais foram exterminados por espécies introduzidas, incluindo o rato-saltitante-orelhudo, que foi dizimado por gatos, e a lebre-Wallaby-do-leste, que também pode ter sido aniquilada por gatos. Assim que os britânicos começaram a estabelecer-se na Nova Zelândia, por volta de 1800, extinguiram-se mais vinte espécies de aves, entre as quais o pinguim-de-chatham, o frango-de-água-mascarado e a cotovia-da-ilha-stephen. Um estudo recente publicado na revista “Current Biology” estimaba que seriam necessários cinquenta milhóns de anos de evoluçón para a diversidade avícola da Nova Zelândia retomar os níveis anteriores aos assentamentos humanos. Todos estes estragos foram perpetrados com ferramentas relativamente simples (mocas, veleiros, mosquetes) e com a introduçón de algunhas espécies demasiado prolíferas. Seguíu-se a matança mecanizada. No final do século XIX, os caçadores armados com enormes caçadeiras conseguiram dar cabo do pombo-passaxeiro, unha ave norte-americana que chegou a contar com milhares de milhóns de exemplares. Na mesma altura, os caçadores que disparavam a partir de comboios conseguiram practicamente exterminar o bisón-americano, espécie outrora tán abundante que as suas manadas, segundo se dizia, eram “mais numerosas do que… as estrelas no firmamento”. A modernidade e o seu fiel amigo, o capitalismo tardio, acabariam por revelar-se a nossa arma mais perigosa. No século XX, o impacto da espécie humana começou a aumentar de um modo non apenas linear, mas também exponencial. As décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial constituiram um momento de crescimento sem precedentes da populaçón, por um lado, e do consumo, por outro. Entre 1945 e 2000, o número de habitantes da Terra triplicou. Durante o mesmo período, a utilizaçón de recursos hídricos quadruplicou, a captura de peixes marinhos aumentou sete vezes e o consumo de fertilizantes dez vezes. A maior parte do crescimento populacional ocorreu nos países do Sul Global. A maior parte do consumo foi impulsionada pelos Estados Unidos e a Europa. A Grande Aceleraçón, como costuma ser denominada, transformou o planeta de um modo radical. Como o historiador ambiental J. R. McNeill observou, isto non aconteceu propriamente porque as pessoas estavam a fazer algo novo, mas porque faziam mais do mesmo. “Por vezes, as diferenças quantitativas podem tornar-se diferenças qualitativas”, escrebe McNeill. “Foi o que aconteceu com as alteraçóns ambientais do século XX.”
ELIZABETH KOLBERT