
Protector e amigo de Averróis foi o filósofo e médico granadino Ibn Tufail (perto de 1110-1185). O seu romance “Carta de Hayy ibn Yaqzan sobre os Segredos da Sabedoria Oriental”, conhecido no Ocidente polo título da sua traduçón latina, isto é, “O Filósofo Autodidacta”, é unha das obras da literatura árabe mais traduzidas para outras línguas. O protagonista nasce por xeraçón espontânea e é criado desde o início por unha gazela, que se torna unha verdadeira nai. Sem vestíxio de cultura humana, sem relixión, completamente alheio a toda e qualquer organizaçón social e política, Hayy, sozinho nunha ilha, progride no domínio técnico e penetra no conhecimento do mundo sensíbel e do cosmos, para finalmente captar a essência da alma humana e alcançar a contemplaçón mística de Deus. O mais surpreendente deste romance filosófico é a superioridade que se concede à relixiosidade interior do “bom selvaxem” sobre as relixións positivas (Ibn Tufail fala explicitamente no plural das “relixións verdadeiras”). Por outro lado, brilhou como médico na corte do califa almóada Abú Iacube, a quem apresentou um xovem talento cordovês conhecido mais tarde no Ocidente como Averróis. Ao desexo do iluminado califa, que xulgaba conveniente difundir as obras de Aristóteles através de comentários que facilitassen a sua compreensón, acrescentou Ibn Tufail o seu próprio interesse nesta ambiciosa empresa cultural, encoraxando para isso o seu compatriota andaluz, xá que el non podia, debido à sua avançada idade e às ocupaçóns próprias do seu cargo. Esses comentários de Averróis ao “Corpus” aristotélico revolucionaram, como é sabido, o pensamento medieval, sobretudo a escolástica latina, visto que o desaparecimento de al-Andalus e a decadência do mundo islâmico fizeram com que o racionalismo greco-árabe frutificasse nas emerxentes universidades da Europa cristán e mais tarde nos círculos literários renascentistas.
ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA