
As “emendas” a Aristóteles e Platón, podemos desde xá dizer, sem rodeios, que o neoplatonismo nasce de um interesse consumado por superar a diferença de natureza entre o participado (a “Ideia”) e o participante (a “cousa”), e por fazê-lo, além disso, dando prioridade ao primeiro dos dous termos, que passa a ser o obxecto eminente da filosofia. Dito de outro modo, para os neoplatónicos non se trata exactamente de negar o dualismo platónico, mas de, em funçón dos seus novos interesses relixiosos, negar que esse dualismo sexa insuperábel: “o sensíbel pode reunir-se com o intelixíbel”. Ora, muito rapidamente se apercebem (e Plotino é quem melhor repara nisso) que esta reunión xamais terá lugar partindo de unha ascensón dos mortais às alturas da eternidade: por mais exemplares e virtuosos que sexam os candidatos, a transiçón da imaxem à ideia, como do temporal ao eterno ou do finito ao infinito, é conceptualmente impossíbel, porque implica um salto que a razón non pode explicar (por mais intensa que sexa unha sensaçón non acaba por se transformar nunha ideia clara; por mais bem esculpida que estexa unha estátua continua submetida à erosón dos elementos). Por outro lado, talvez sexa possíbel atenuar esse salto, tomando-o inicialmente ao contrário: como unha “descida” do imortal ao mortal; como unha “degradaçón” do infinito no finito. Para usar unha linguaxem que começava a estar na moda naquela época (e que xá está insinuada, embora apenas metaforicamente, em Platón), toda a explicaçón debe partir do “Pai” e non do “filho”; se o sensíbel carecer por si mesmo da força para se elevar ao divino, o divino, por outro lado, possui a “xenerosidade” para criar o sensíbel.
ANTONIO DOPAZO GALLEGO