
Isso podería explicar o grande êxito da recepçón gramsciana entre todos aqueles que tiveram de reconhecer que o seu único terreno de acçón política possíbel era o da ideoloxía e o das reformas a partir do Estado. Mas non é xusto arrebatar a Gramsci a sua pessimista consciência de revolucionário que non podía fazer a revoluçón. Talvez aos profetas desarmados só lhes reste Gramsci e xá non é pouco, mas unha cousa é adaptar-se ao terreno do possíbel e outra fazer virtude a partir da debilidade. Se a política se decidisse na guerra de posiçóns, os poderosos teriam renunciado ao poder da espada. E non há exemplos disso na história (Pablo Iglesias, “Boxeo y ajedrez entre espadas y sombras”). Talvez convenha estar precavido face a alguns possíbeis esaxeros destes princípios. Sem dúvida, devemos a Gramsci a sensibilidade política face ao “superestructural” mas, como muito bem recordou recentemente o filósofo marxista Perry Anderson, Gramsci, em todo o caso, non era um “reformista”, mas um “revolucionário” convencido de que a única forma de acabar com o capital era pola força das armas” (Anderson, “The New Old World). Sem a hexemonia, o poder non é mais do que repressón e violência. Mas a hexemonia, sem poder, xamais é suficiente. Comentando estas teses de Perry Anderson, o líder do Podemos, Pablo Iglesias, dá alguns exemplos muito gráficos: De Gaulle conxugaba poder e hexemonia, mas non era o caso da República espanhola, que detinha hexemonia suficiente, mas non poder suficiente. Na Venezuela, Hugo Chávez conseguíu ganhar dezasseis eleiçóns seguidas, porque o seu poder hexemónico era esmagador, mas também conseguíu neutralizar um golpe de Estado em 2002, porque a sua correlaçón de forças no interior do exército era suficiente. Non foi assim, por outro lado, no caso de Salvador Allende, em 1973.
CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA