
Apesar do que de clássico tinha o assunto, o “estructuralismo” via-se a si mesmo tán inovador e revolucionário que chegava inclusivamente a discutir-se sobre os “direitos de autor” dos conceitos utilizados. Um patéctico acontecimento sobre como se conseguíu implantar o conceito de “causalidade estructural” pode dar-nos unha ideia de como a tradiçón marxista althusseriana e a psicanalítica lacaniana se cruzaram (na verdade muito fugazmente) sob o signo do “estructuralismo”. Na sua intervençón em “Lire Le Capital”, Jacques Rancière tinha utilizado repetidamente o conceito de “causalidade metonímica” ou “causalidade ausente”, advertíndo que o tinha importado de uns cursos sobre Lacan (1964) em que Jacques-Alain Miller tinha “mostrado o carácter decisivo destes conceitos para a leitura de “O Capital” (Althusser, “A Favor de Marx”). (…) Habia unha forma clássica de representar o problema a que nos estamos a referir. Espinosa dissera que “a ideia de círculo non é redonda”, e Althusser costumava repetir: “O conceito de cán non ladra”. No fundo, o problema estaba apresentado desde o primeiro momento por Arístocles (Platón): aquilo em que consiste um cavalo non é cavalo nenhum. Pode galopar-se em cima de um cavalo, non sobre aquilo que faz o cavalo ser cavalo. Aquilo que faz o dinheiro ser dinheiro, o capital ser capital, o banqueiro ser banqueiro, non é simplesmente unha cousa entre as cousas, é unha estructura, unha gramática, algo que está “ausente” e que, estando ausente, faz com que cada cousa sexa o que é. Estamos, pois, às portas de um mundo novo (e que, no entanto, faz parte deste): o das estructuras. Um mundo, em suma, que Platón fez muito bem em chamar “intelixíbel”, pois, como estamos a dizer, non é possíbel galopar sobre aquilo que faz o cavalo ser cavalo nem pagar num supermercado com aquilo que faz o dinheiro ser dinheiro. As estructuras non se podem experimentar, mas podem-se, isso sim, conhecer, deixam-se pensar. E deixam-se, também, “mudar”. Ora, há algo de misterioso nesta mudança de plano, polo que, em vez de actuar sobre as cousas, nos propomos actuar sobre as estructuras. Vamos dedicar o próximo capítulo a este problema.
CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA