
Em contraste com o tradicional despreço polo corpo, Nietzsche reivindica a importância que têm os aspectos fisiolóxicos para o pensamento. Nietzsche denúncia que questóns que merecem a máxima seriedade, tais como a alimentaçón, a habitaçón, o clima ou a limpeza, sexam habitualmente tratadas com unha “lixeireza horripilante”. Com a intençón de corrixir este menospreço, brinda-nos na sua autobiografía “Ecce Homo” com unha magnífica mostra da associaçón entre filosofia e fisioloxía. Neste libro, os detalhes pessoais, lonxe de serem episódios, misturam-se com as abstraçóns filosóficas. Nietzsche non tem reserva algunha em reconhecer que as ideias contídas nos seus escritos som tán importântes como as “vulgares” circunstâncias de tipo dixestivo, anímico ou meteorolóxico nas quais as escrebeu. A própria existência de Nietzsche, um doente crónico que dedicou os seus dias ao pensamento e à escrita, fornece-nos um exemplo insuperábel de como podem unificar-se o plano intelectual e o plano físico. A este respeito, o filósofo declara: “Fui em tudo o meu próprio médico, e como alguém que em tudo está unido (alma, espírito, corpo), simultâneamente, o mesmo tratamento”. O programa filosófico pretende claramente, converter o corpo no “centro de gravidade” da vida. O programa impugna a concepçón antropolóxica que desde Sócrates, tem imperado no Occidente graças ao cristianismo: o corpo como “prisón da alma”, como fonte de impureza cognoscitiva e moral, como vehículo que nos afasta tanto da Verdade como do Bem. Nietzsche chama “ideal ascéptico” a este “ódio contra o humano”, e ainda mais contra o animal, ainda mais contra o material”, caracterizado por unha “repugnância polos sentidos, (…) unha repulsa pola vida, unha rebelión contra os pressupostos mais fundamentais da vida”. Na sua opinión, o ideal ascéptico acha-se, de algum modo, presente em toda a nossa cultura, mas encontra a sua encarnaçón mais perfeita na figura do sacerdote. Ele é o grande especialista do dizer “non”, alguém que identifica o bom com aquilo que é “contranatural” (pensemos, por exemplo, na abstinência sexual dos relixiosos católicos).
TONI LLÁCER