
Loxe de ser unha celebraçón da nostalxia que prexudicaria o home civilizado, para eloxiar o bom selvaxem, como pretendeu sarcasticamente Voltaire, o “estado de natureza” é unha mera hipótese metodolóxica que quer conhecer “um estado que xá non existe, que talvez non tenha existido nunca, que provavelmente nunca existirá e sobre o qual, mesmo assim, faz falta ter noçóns xustas para xulgar o nosso estado presente”. Rousseau explicita que non defende a destruiçón das sociedades, a aboliçón da propriedade e o retorno à vida na floresta com os ursos, como ironizam os seus adversários. Como explicava Kant no final das suas liçóns reunidas em “Antropoloxia do Ponto de Vista Pragmático”, os seus três textos a respeito dos danos que causarom a saída da natureza e a entrada da nossa espécie na cultura, na civilizaçón e nunha suposta moralizaçón, e que representarom o estado de natureza como um estado de inocência, só tinham o propósito de servir de fio conductor para sair dos males nos quais a nossa espécie se envolveu por sua mala fé. Com o seu “Discurso sobre as Ciências e as Artes”, o “Discurso sobre a Orixem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens” e “Júlia, ou A Nova Heloísa”, Rousseau non queria “que o home retornasse ao estado de natureza, mas que se voltasse para ele a partir da fase actual”, conforme declara Kant de forma precisa na sua xá citada “Antropoloxía do Ponto de Vista Pragmático”. Ainda que o home sexa bom por natureza, “as nossas diversas disposiçóns determinam e alteram as afeiçóns dos nossos coraçóns; seremos maus e viciosos enquanto tivermos interesse em sê-lo. O esforço de corrixir a desordem dos nossos desexos resulta quase sempre ván e muito raramente é verdadeiro; o que é preciso mudar non é tanto os nossos desexos, como as situaçóns que os produzem”, lemos em “A Nova Heloísa”. Portanto, conviria “evitar as situaçóns que colocam os nossos deberes em oposiçón aos nossos interesses e que nos mostram o nosso bem no mal de outro”. O home civilizado estaría em contradiçón consigo mesmo. A voz da sua consciência vê-se silenciada polo alvoroço das paixóns e dos preconceitos. “Os seus sentimentos naturais falam a favor do bem comum”, mas a sua razón, desenvolvida em e pola sociedade, refere tudo ao interesse privado!
ROBERTO R. ARAMAYO