
Embora possa parecer surprehendente o facto de um papa ter descendência, non se trata de unha excepçón. É verdade que non era muito habitual, mas determinados papas procriaram, tanto por terem sido sexualmente activos antes de serem nomeados sacerdotes, como por terem continuado a sê-lo depois de ocuparem a cadeira de San Pedro. O papa Alexandre VI (nascido Rodrigo Bórgia ou Roderic de Borja) reconheceu lexitimamente os seus três filhos, quando ainda vestia de púrpura cardenalícia. De entre eles, o mais conhecido foi César Bórgia. Todavia, as histórias de saias deste papa non ficaram por aquí e continuou a manter relaçóns carnais após ter sido escolhido no conclave. Por esta razón, atribuem-se-lhe, polo menos, outra meia dúzia de filhos naturais. O voto de castidade, note-se, xá se tinha estabelecido no Concílio de Latrón, três séculos antes dos excessos deste pontífice intrigante e marialva. De orixe valenciana, os Bórgia ( Borja), foram unha autêntica família de armas. O pái, além de papa, era mulhereiro e enganador: comprou os votos que o levárom a pontífice e vendeu bulas à discriçón para seu enriquecimento pessoal; a irmán, Lucrécia Borgia, foi unha famosa cortesán, cuxos envenenamentos alcançaram fama lendária (e aquí, pode haber também algo de lenda negra); o próprio César Bórgia, sem ser ele o primoxénito da família, tornou-se herdeiro, quando o seu irmán mais velho, Xoán, apareceu oportunamente assassinado nas marxens do Tibre. O historiador Guicciardini, amigo de Machiavelli, imortalizou um rumor (lenda negra,talvez), que circulava pola Roma dos Bórgia, segundo o qual “o filho nunca dizia o que fazia e o pai nunca fazia o que dizia”. O próprio “secretário” também se fez eco desta falta de palabra do papa: “Alexandre VI xamais fez outra cousa que enganar a todo o mundo, non habendo quem garantisse algo com tanta seguridade, nem quem com maiores xuramentos afirmasse unha promessa, nem quem menos a cumprisse. Contudo, os seus embustes sempre lhe forom proveitosos.”
IGNACIO ITURRALDE BLANCO