
Contra a prepotência dos ricos-homes e dos coutos monásticos, que dominabam na rexión. Nunha carta mandada em 1265 a um dos primeiros moradores, um tal Joao Gonçalves, dizia D. Afonso III: “Sabei que é unha das vilas do meu reino que muito amo, que lhe dei começo por mim, e lhe quero dar cima em meu tempo.” Ora dar cima era concluir, rematar, levar até ao fim. Começaram por viver da pesca; depois fizeram-se negociaçóns e xá no século XV pescavam na Terra Nova: carregavam o peixe seco ou salgado nos seus barcos e levavam-no polos rios ao interior, onde o vendiam (acho que é isso o que eles querem dizer quando falam em “carregar para levante”, visto que logo a seguir dizem que os rios som pequenos e non navegáveis por naus, mas só por caravelas). Com o producto compravam sal, e levavam-no à Irlanda, onde traziam panos, que vendíam aos portos da Galiza. Tudo isso afirmabam eles nas Cortes de 1456: em tanta dilixência talvez ande dedo de Xudeu. Claro que a terra progredíu rapidamente; acontece isso quando se trabalha muito. Entre os séculos XV e XVI, a populaçón quase triplicou. Deixarom-se de sardinhas e forom mais lonxe: os seus navios forom os primeiros bacalhoeiros; unha frota de setenta navios andava a caminho das ilhas, do Brasil e dos portos do Norte da Europa, abastecendo os mercados de azúcar. Muita xente enriqueceu. O visitante que queira ver com os seus próprios olhos o que foi essa transformaçón pode comparar a vida do século XV com a do seguinte. Para isso debe visitar a chamada casa de Joao Velho, que era a mais confortábel habitaçón da vila em 1506, visto ter sido a que o rei D. Manuel ocupou, quando passou por ali, suponho que a caminho de Santiago de Compostela. E vêxa a seguir algunhas das várias moradias que ficaram dos finais do século XVI: a dos Malheiros Távoras, condes da Carreira, por exemplo, actual Câmara Municipal, e a xanela manuelina da casa Costa Barros, na Rua de Sao Pedro. A comparaçón resulta suxestíva. Naturalmente que non aconteceu só em Viana; foi um fenómeno europeu. Mas Viana acompanhou Europa. E o seu vigor económico non foi alheio ao movimento que em 1640 conduzíu à Restauraçón. Por detrás da aspiraçón de unha independência política, estaba a realidade de unha independência económica que xente como a de Viana tinha axudado a restabelecer. Também é significativo que o principal monumento de Viana non sexa, como acontece em toda a parte, românico, gótico, ou barroco, mas sim do século XX. É o monte de Santa Luzia, com os seus aproveitamentos turísticos. Alí o mais notábel é o miradouro, de vista emocionante sobre o mar. Foi a panorâmica, que motivou o santuário, o hotel e o elevador. O tema é inevitábel perante estes monumentos modernos: ¿gosta? ¿non gosta? e a negativa resulta a resposta mais fácil. O proxecto do santuário é do arquitecto Ventura Terra, e as obras foram realizadas entre 1890 e 1930, embora depois disso se tivesse ainda trabalhado muito. Anteriormente, tudo o que había era unha capela, onde se chegaba por unha tortuosa vereda entre mato cerrado. O arquitecto planeou conforme o gosto do seu tempo: unha igrexa que combina elementos tradicionais nunha mistura revivalista a que se chamava estilo “românico-bizantino”. As dimensóns som impressionantes, para a parcimónia portuguesa; as cúpulas e as rosáceas aspiram deliberadamente à escala monumental, mas o conxunto parece mais um grande xazigo, que unha alegre casa de Deus. Algo falta. Os arquitectos medievais dispunham de um ingrediente essêncial para conferir autenticidade e emoçón aos edifícios que planeavam: um forte sentimento relixioso. A régua de cálculo non tem esse valor, e non sei se o computador o sabe encontrar. Em todo o caso, a importância relativa da basílica revela que Viana non parou e que non se envergonha da contemporaneidade. Um hotel monumental foi construído em 1903 e é testemunha presencial (mais que testemunha, pode considerar-se protagonista) das convulsóns do turismo nacional: ora aberto, ora pechado para obras constantes, tem tido unha sorte inferior à que o seu conforto sólido, de granito e mogno, cristal e peitilho engomado, xustificaría. Muito perto dele, a escassas centenas de metros, están os vestíxios de unha citânia neolítica. O que se vê, som os alicerces das habitaçóns e os vestíxios das muralhas de protecçón. Som três essas muralhas, o qual indica que o povoádo teve algunha importância. Por entre os pinheiros avista-se a cidade moderna, alá em baixo, e sente-se unha invencíbel tentaçón de pensar que aquí estaría a sua remota antepassada. Som as ilusóns da perspectiva histórica. É apenas a ossada de unha cidade morta que aparece xunto de unha cidade viva. A relaçón que existe entre elas, é terem ambas surxído da mesma raiz: a foz do Lima. A lembraça da citânia estaba, había muitos séculos, completamente apagada da memória colectiva, quando D. Afonso III decidíu fundar a nova póvoa de Viana.
JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS
