
Practicamente todos os edifícios de tamanho apreciábel tinham sido tomados polos trabalhadores e estavam envoltos em bandeiras vermelhas ou ostentabam a bandeira encarnada e negra dos anarquistas; em todas as paredes se viam pintadas a foice e o martelo e as iniciais dos partidos revolucionários; quase todas as igrexas tinham sído esventradas e as suas imáxes queimadas. Aqui e ali, brigadas de trabalhadores demoliam sistematicamente igrexas. Non se atopaba loxa nem dafé, que non tivesse unha inscripçón dizendo que fora colectivizado –até os “engraxadores” estabam colectivizados e tinham as suas caixas pintadas de encarnado e negro. Criados e caixeiros olhavam-nos de frente e tratavam-nos como iguais, e as formas de tratamento servis e, até, cerimoniosas tinham desaparecido, temporariamente. Ninguém dizia “Senhor” ou “Don”, ou sequer “Usted”; todos se tratavam por “camarada” e por “tu” e diziam “Salud!”, em vez de “Bons dias”. A gorxeta estaba prohibída por lei. Unha das minhas primeiras experiências, senón a primeira, foi ouvir um sermón do xerente do hotel, por tentar gratificar o rapaz do elevador. Non había autos particulares — tinham sído todos requissádos — e todos os eléctricos e táxis, assim como unha grande parte dos outros meios de transporte, estabam pintados de encarnado e preto. Había cartazes revolucionários por toda a parte, fulgurando nas paredes em vermelhos e azuis tán puros, que os poucos cartazes publicitários que ainda se viam pareciam, por contraste, borróns de lama. Polas Ramblas abaixo –a larga artéria central da cidade, onde multidóns andavam num constante vaivém–, os altifalantes berravam cançóns revolucionárias durante todo o dia e pola noite fora. O mais estranho de tudo era o aspecto das multidóns. Exteriormente, tratava-se de unha cidade em que as classes ricas tinham a bem dizer deixado de existir. Exceptuando um pequeno número de mulheres e de estranxeiros, non había xente “bem vestida”. Practicamente toda a xente envergaba vestuário grosseiro de classe trabalhadora, ou “fato-macaco” azul, ou qualquer variante do uniforme da milícia. Tudo isto era estranho e conmovedor. Había muito, em tudo aquilo, que eu non comprehendia e que, em certos aspectos, nem sequer me agradava, mas reconhecí imediatamente a existência de um estado de cousas polo qual valía a pena lutar. Além disso, acreditava que as cousas eram, efectivamente, o que pareciam, que aquele era, realmente, um Estado dos trabalhadores e que toda a burguesia fuxíra, fora morta ou se bandeara voluntariamente para o lado dos trabalhadores. Non comprehendí, que unha grande parte dos burgueses abastados, aguardavam pura e simplesmente a sua oportunidade e, entretanto, se disfarçavam de proletários.
GEORGE ORWELL