
O pensamento garante a primeira certeza e verdade: “Penso, logo existo”. A orixem da construçón cartesiana está, assim, no suxeito pensante, o que implica unha revoluçón com relaçón a toda a filosofia anterior. Este suxeito “demonstrado” encontra no seu interior a ideia clara e distinta de um Deus extremadamente perfeito – aqui afirma-se o cristianismo ortodoxo de Descartes -, que ele non pode ter criado porque o inferior non pode orixinar o superior. A ideia do Ser perfeito, demonstra a sua existência, xá que a perfeiçón implica a existência: um ser non existente é menos perfeito do que um existente, e a ideia é do Ser mais perfeito. (Esta demonstraçón chama-se “argumento ontolóxico”, cuxo desenvolvimento na história da filosofia mostra-se nas páxinas anteriores. E esta perfeiçón garante que o mundo exterior non pode ser unha ilusón, porque um Ser perfeito non pode enganar. Através deste raciocínio, Descartes demonstra o que a dúvida metódica tinha posto em causa: que existe um mundo físico real e que o entendimento pode conhecê-lo. O racionalismo cartesiano, consiste em ter levantado todo o sistema do conhecimento na base de ideias inatas ou, “a priori”, independentes da experiência senssíbel. Quando se obtém a demonstraçón, xá é possíbel investigar a realidade através da aplicaçón de métodos estrictamente científicos.
JOAN SOLÉ