
Também foi assediado polos seus rivais com o ariete da impiedade: era um ateu por substituir as probas tradicionais da existência de Deus por outras mais fráxeis, que encoraxavam os seus leitores a repudiar o Ser Supremo. Tudo isso terminou por xerar distúrbios nas salas de aula, motivando a publicaçón de panfletos a favor de uns e de outros. Quando se prohibíu o ensino da física copernicana e qualquer noçón de cartesianismo em Utrecht, Descartes tentou usar essa condenaçón dos calvinistas, com o “louco, quezilento, invexoso, pedante, estúpido, hipócrita e inimigo da verdade” Voetius à cabeça, para ganhar o favor dos xesuítas. A cousa acabou por chegar aos tribunais por cruzamento de difamaçóns, e apenas os contactos de Descartes na embaixada francesa conseguiram tirá-lo de apuros. A segunda grande polémica teve lugar em Leiden. Em 1646, um professor de teoloxia discutiu a afirmaçón cartesiana de que “a dúvida é o princípio da filosofia indubitábel”. Segundo ele, isso confundia as mentes dos estudantes, levando-os ao cepticismo e ao ateísmo, xá para non falar da insinuaçón blasfema das “Meditaçóns de que Deus podia enganar-nos”. A filosofia cartesiana foi prohibida em Leiden e o aristotelismo restaurado como doutrina única. Para agravar as cousas, foi acusado também de pelagianismo: non acreditar na doutrina do pecado orixinal. Curiosamente, esta via tinha muito mais fundamento, e Descartes sabia-o, pois tinha defendido a bondade natural do ser humano e a ideia de que todas as almas se salvariam (algo relativamente aceite entre católicos, mas de forma algunha entre calvinistas ortodoxos). Por isso, tentou “sacudir a água do capote” e centrar-se nas acusaçóns de blasfémia incidindo sobre que Deus non nos engana. “Unha tropa de teólogos, seguidores da filosofia escolástica, parece ter formado unha liga para esmagar-me com as suas calúnias.” A hostilidade escalou desta vez até tal ponto, que o príncipe de Orange teve de intervir pessoalmente e prohibir a discussón sobre qualquer tipo de metafísica, fosse cartesiana ou aristotélica. O segundo non tinha precedentes, mas, além disso, a física cartesiana ficava exonerada e podia ser lecionada libremente em Leiden, para escândalo dos teólogos. ¡¡Descartes non perdía batalhas!!
ANTONIO DOPAZO GALLEGO