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Causalidade estructural, “ausente” ou “metonímica”. Agora vamos deter-nos na forma como Althusser se ocupou deste assunto através do conceito, bastante enigmático, de causalidade ausente ou metonímica. O importante é repararmos que, de repente, estamos perante um mundo muito imprevisto: o das estructuras. O que significa isto? Em primeiro lugar, é preciso compreender que é como se a nossa vida se desenvolvesse em dous planos. Foi para dar a entender algo parecido que Platón inventou, de facto, a metáfora dos dous mundos, que era simplesmente isso, unha metáfora (embora muitos dos seus intérpretes a tenham entendido em sentido literal, falando depois de um Platón idealista e absurdo). Poderíamos dizer que, na nossa vida, acontecem dous tipos de “cousas”: “factos e estructuras”. Unha cousa, por exemplo, é confrontar-se sindicalmente com o patronato e outra, muito diferente, propor intervir na estructura que fai com que haxa, por um lado, assalariados e, por outro, acionistas. Mesmo se os assalariados possuíssem acçóns da sua empresa ou tivessem os seus fundos de pensóns investidos na bolsa – inclusive, portanto, se o assalariado e o acionista fossem em xeral a mesma pessoa- , nem por isso a estructura tería mudado. O xogo que se está a xogar continuaria a ser o mesmo. Unha cousa é lutar contra a corrupçón dos banqueiros ou, sem chegar a tanto, contra, por exemplo, a sua retençón do crédito, e outra muito diferente, lutar contra “aquilo que faz o banqueiro ser banqueiro”. Em suma, unha cousa é enfrentar os capitalistas e outra, enfrentar o próprio capitalismo. E poderíamos continuar por aí fora: unha cousa é lutar contra o poder do dinheiro e outra, lutar contra o poder que faz o dinheiro ser dinheiro… É necessário ser um pouco platónico para entender o problema ou, enfim, é necessário entender que neste mundo, há non só factos violentos ou inxustos, mas também estructuras violentas e inxustas!
CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA