
De regresso aos Países Baixos e sem qualquer obrigaçón aparente, Descartes inscreveu-se, como ouvinte, nas universidades de Franeker e Leiden para ampliar os seus conhecimentos em astronomia e medicina. Também se interessou por química e por anatomia, além de aprofundar as suas reflexóns sobre metafísica (fundamentalmente na distinçón corpo-alma e na natureza de Deus). A nível técnico, estaba obcecado com o fabrico de lentes que non deturpassem o comportamento da luz, um ambicioso proxecto que non conseguíu levar a cabo por causa da discussón com o óptico Jean Ferrier. Além de reencontrar-se com o seu amigo Beeckman (com quem também cortaria relaçóns pouco depois), em Utrecht, Descartes conheceu Henry Reneri, o primeiro de unha série de influentes professores que começariam a difundir as suas ideias na Holanda. Presisamente com a intençón de que as suas teorias fossem acolhidas nas faculdades holandesas (as Províncias Unidas eram conhecidas pola promoçón das artes e das ciências) antes que os xesuítas o fizessem nas suas escolas, Descartes começou a redixir um libro com um texto capaz de dar unha visón do ser humano e da natureza alternativa ao aristotelismo e que non se imiscuísse na questón de Deus. Assim nasceu “O Mundo”, escrito em francês, onde, usando a luz como fio conductor (as suas fontes, o seu meio, o que a reflete e quem a observa: o ser humano), apresentava unha visón mecanicista da natureza sem forças nem intençóns que a “contaminassem”: “Atente-se que com “natureza” non me refiro a unha deusa nem a qualquer outro tipo de poder imaxinário. Uso a palabra para significar a própria matéria, na medida em que a tenho em conta xuntamente com as outras qualidades que lhe atribuo”. Assim, unha vez posta em marcha, a criaçón “funcionaba” como unha máquina independente do seu criador, mas esta descripçón apenas debia ser considerada como unha fábula “verosímil”, pois, afinal, era Deus quem a conservaba a cada instante, tal como confirmabam os teólogos. Quando o libro estaba quase terminado, chegou aos ouvidos de Descartes a condenaçón do recém-aparecido “Diálogo sobre os Dous Principais Sistemas do Mundo”, de Galileu, que foi preso por promover o heliocentrismo, teoria que xá non se aceitava, nem sequer como hipótese (o texto que a Igrexa aduzia para declará-lo heréctico era o salmo 104 da Bíblia: “Fundastes a terra sobre bases sólidas, / inabaláveis para sempre”). Até enton Galileu, que tinha contado inclusivamente com a proteçón do papa Urbano VIII, conseguira librar-se da condenaçón, mas as cousas tinham ficado muito feias debido aos surtos libertinos e anticlericais. Descartes adquiriu um exemplar do Diálogo e, depois de o ler atentamente, disse a Mersenne que o seu tratado era irrecuperábel sem a hipótese copernicana. “Admito que se a opinión for falsa, também o é todo o fundamento da minha filosofia, pois também com ela ficaria demonstrada, e está tán intimamente relacionada com cada parte do meu trabalho que non posso eliminá-la sem deixar o resto da obra defeituoso”. E acrescentaba: “Desexo viver em paz e continuar a ter a vida que tinha começado baixo o lema “Para viver bem, debes ser invissíbel”.
ANTONIO DOPAZO GALLEGO