
Em qualquer caso, a conxectura de que tudo é água non é, na boca de Tales, unha hipótese científica, mas unha hipótese que contribui para forxar a ciência. Jean Pierre Vernant pôs em evidência tudo o que este pensamento debe às civilizaçóns anteriores, Babilónia e Exípto em primeiro lugar. Sem a eclosón de resultados experimentais parciais que se deu nessas civilizaçóns e sem a sua assimilaçón, Tales nunca tería podido avançar as suas próprias teses. No entanto, com esta certeza de unha necessidade natural que seria intelixíbel ao pensamento, estamos na presença de algo insólito: ao procurar um princípio xerador da multiplicidade de entidades que constituem o mundo, o que menos importa é determinar de que elemento se trata e, de facto, Tales limita-se a abrir um debate a esse respeito que (certamente de maneira sofisticada) se prolonga talvés até aos nossos dias. O mais importânte é a convicçón de que há algo que efectivamente está nos alicerces, algo sobre o qual tudo repousa, algo do qual o nosso discorrer tenta aproximar-se, algo que esixe fazer algunha conxectura… Embora non haxa segurança absolucta de que acertemos, cousa que depois se encarregarám de nos referir. É um lugar-comum da historiografia que a cultura grega é, antes de mais, unha cultura da palabra, palabra considerada depois de passar o filtro do xuízo do outro. Gosta da discussón pola discussón e, para facilitá-la, pode chegar a exacerbar a própria posiçón a fim de que o contrário non possa deixar de se sentir interpeládo (isso é, inclusive, perceptíbel hoxe em dia). Dir-se-ia que esse amor pola confrontaçón non guerreira, que se evidência nos xogos desportivos, manifésta-se também como rivalidade oratória sobre assuntos muito diversos, incluindo os teóricos, que, precisamente por non estarem vinculados a interesses imediatos, se prestam a isso talvés com particular aquidade. As opinións sobre a razón última das coisas naturais non se arquivam e repetem, mas delas mesmas surxe, por vezes, um aspecto problemático que se axiganta e acaba por se transformar nunha tese contrária. Essa é a essência da dialéctica tal como se manifesta de Heraclito a Hegel, passando polos diálogos socráticos. A influência de Tales foi enorme em todos os campos que investigou: matemática, astronomia e ciências da natureza. Basta mencionar que se atribui a condiçón de discípulo de Tales a Pitágoras, degrau fundamental no processo que, introduzida xá a esixência científica, conduz à filosofia. Mas discípulo non significa simples arquivista das opinións do mêstre, mas um continuador da disposiçón de espírito, que faria dele, precisamente, outro mêstre.
VÍCTOR CÓMEZ PIN