
A visón historicista da sociedade, defendida em especial por Hegel e Marx, com a sua crença na validade inquebrantábel de certas leis do desenvolvimento da humanidade a que nenhum ser humano se podería esquivar, conduz, segundo Popper, à promoçón de um tipo de sociedade em que o indivíduo se anula: fica completamente subxugado por um todo que o engloba, o Estado ou a classe social a que pertence. A isso chama Popper unha “sociedade pechada”, um outro nome para o que se costuma designar por “totalitarismo”. Como é óbvio, as ideoloxias fascistas e comunistas do século XX, e os Estados que essas ideoloxias fundarom, som os exemplos arquetípicos de totalitarismo. Popper vê as raízes do fascismo no estatismo absolucto defendido por Hegel, e as do comunismo na utopia da sociedade sem classes de Marx. Contudo, Popper considera que o grande precursor das ideoloxias totalitárias, foi nada mais nada menos que Platón. Por isso, Popper dedica o primeiro volûme de “A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos” a unha crítica pormenorizada e sistemática da utopia filosófico-política que Platón defendeu em algunhas das suas obras. O ideário político de Platón é interpretado por Popper como unha reaçón às ideias progressistas da Atenas de Péricles. Non podemos esquecer que Platón nasceu dentro de unha família aristocrática da velha guarda, e via no processo xeneralizado de democratizaçón das costûmes, que tivo lugar em Atenas na xeraçón imediatamente anterior a ele, um verdadeiro desastre, o princípio do fím da civilizaçón. Era preciso, superar o caos político e, para isso, o único remédio era constituir um Estado forte e absoluctamente intransixente com qualquer veleidade democrática e individualista, precisamente o que hoxe chamamos um Estado totalitário. Popper vê em Hegel o sucessor do século XIX do totalitarismo platónico, embora com a diferença essencial da importância que a dimensón histórica tem no pensamento de Hegel. A configuraçón de um Estado absolucto non é algo por que um indivíduo, mesmo tán sábio como Platón, se deva esforçar nunha determinada época; é algo que se realizará de forma inexorábel como consequência lóxica do desenvolvimento da História, que em Hegel é precisamente o desenvolvimento do Espírito Absolucto. Hegel via no Estado prussiano da sua época – um Estado ultraorganizado e ultramilitarizado, a cuxas regras se deviam submeter, sem excepçón, todos os indivíduos (incluindo o rei) em nome do interesse xeral – a aproximaçón a um Estado perfeito e definitivamente estábel.
C. ULISES MOULINES