
O panótico non é um edifício monumental, que manifeste o poder da lei, é unha máquina cinzenta com toda a visibilidade concentrada no seu interior, para dentro. É unha máquina de ver, non é algo para ser visto. Nesta viraxem na “individuaçón” do poder, Foucault vê um xesto da maior transcendência. Porque se contrapón de forma decisiva ao que era apropriado na época anterior, quando era o soberano quem se daba a ver com toda a sua pompa e obstentaçón, como forma de exercício do seu poder. Agora, polo contrário, o poder torna os cidadáns vissíbeis, individualiza-os, precisa de conhecer as suas diferênças individuais para poder ser exercido. Esse xesto, dirá Foucault, é o que permitirá o nascimento de um saber sobre os indivíduos, o que faz com que sexa necessária a psicoloxia, por exemplo, e da mesma forma, unha a unha, o resto das ciências humanas. Chegados a este ponto, “Vixiar e Punir” apresenta-se como a investigaçón que vem resolver a pergunta polas condiçóns de possibilidade non discursivas ou institucionais que tornaram possíbel o nascimento das ciências humanas, pergunta que, como se viu, “As Palabras e as Cousas” ignoraba. Esse será o obxectivo final do seu trabalho, tal como é anunciado na sua apresentaçón: esclarecer “como o home, a alma, o indivíduo normal ou anormal se acrescentam ao crime enquanto obxecto de intervençón penal; e de que forma um modo específico de fixaçón conseguíu orixinar o home como obxecto de conhecimento para um discurso com estatuto “científico”.
MIGUEL MOREY