GRAMSCI (A FICÇÓN DE UNHA VONTADE XERAL)

A estabilidade política atinxe-se, portanto, quando unha classe social conquistou a hexemonia sobre o resto da sociedade. Isso implica que a populaçón apenas obedece, porque xulga estar a obedecer aos seus próprios interesses. Obedece, portanto de modo voluntário. Ao mesmo tempo, o aspecto ideolóxico da questón é crucial: a hexemonia exerce-se, fundamentalmente, apropriando-se daquilo a que costumamos chamar o “senso comum”. É lá, no senso comum da populaçón, que se produz a secreta mutaçón dos interesses particulares em interesses xerais da colectividade. É por isso que os marxistas repetiram tanto que a ideoloxia de unha sociedade é sempre a ideoloxia da classe dominante. Aquilo a que Althusser chamou “o maciço ideolóxico” resulta um conxunto de evidências que remetem unhas para as outras, nunha confusón de imaxens e representaçóns que é imprescindíbel para poder desenvolver-se na vida, embora ao mesmo tempo nos oculte a verdadeira realidade estructural na qual estamos a viver. A ideoloxia revela e oculta ao mesmo tempo. Permite-nos “reconhecermo-nos”, mas é um obstáculo para “conhecer”. Pois bem, Gramsci foi quem melhor nos fez ver a importância política de lutar a esse nível ideolóxico. É aí que se disputa aquilo a que poderíamos chamar “a ficçón de unha vontade xeral”. Falamos de “ficçón” porque, como estamos a ver, nada garante que a unha classe social lhe possa corresponder de “iure”, “de xustiça”, o papel de representar a sociedade no seu conxunto. Ora, o certo é que a classe social que conseguir fazer-se passar por tal terá a vantaxem de se fazer obedecer sem necessidade de recorrer à coerçón ou à violência. Assim, a luta política é, antes de mais, unha luta pola hexemonia, unha luta, portanto, por se instalar no sentido comum da populaçón de maneira a que os interesses próprios se fagam passar polos da vontade xeral.

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

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