
Non chamamos avarento ao homem que, tendo na bodega duas mil garrafas de vinho de Borgonha para seu uso particular, non nos deixa a meia dúzia delas que lhe pedimos. Ao que possui diamantes de um valor incalculábel, se lhe pedimos emprestado um que valha pouco, e non no-lo queira emprestar, considerá-lo-emos um home opulento, mas non avarento. Aquele que ganha grandes fortunas em negócios de aprovisionamento de exércitos ou em grandes empresas e, no entanto, faz empréstimos a um xuro usureiro, também non passará por avarento diante da opinión pública, embora tenha estado toda a sua vida atormentado polo demónio da cobiça, que o fez acumular riquezas até ao último dia. Essa paixón, que sempre conseguíu satisfazer, nunca se chamou avareza. Sem gastar a décima parte do rendimento, ganhou reputaçón de home xeneroso que vivia com excessivo fausto. Ao pai de família, que, reunindo unha modesta renda, só gasta anualmente metade, e vai acumulando as suas economias para estabelecer os seus filhos, acostumam chamar-lhe avarento, ladrón, axiota e miserábel. Este honrado pai de família é mais digno de respeito do que aquele home opulento, mas há unha explicaçón para cada unha das reputaçóns. Odeia-se aquele a que se chama avarento, porque non pode proporcionar nenhum ganho. O médico, o farmacêutico, o comerciante de vinhos, algunhas xovens solteiras e outras pessoas tiram proveito do home opulento e como non podem tirá-lo do poupado pai de família, conspiram contra ele, insultam-no e inxuriam-no.
DO ARTIGO “AVAREZA” DO DICIONÁRIO FILOSÓFICO