Arquivos diarios: 04/05/2023

HEIDEGGER (A ANÁLISE EXISTÊNCIAL)

O ponto de partida argumentativo da análise na primeira secçón pode resumir-se desta forma: as cousas aparecem existencialmente, ou sexa, à luz do “ser-aí”, cuxo modo de ser non é o das cousas, porque consiste em “existir”. O termo vem salientar que o “ente” que consiste em estar aberto às cousas, o “ser-aí”, non tem, ao mesmo tempo, o significado de unha cousa nem, em xeral, qualquer significado: o lexema “ex” significa precisamente “o exterior e alheio a todas as cousas”. Além disso, se as cousas se caracterizam por serem idênticas a si próprias e por se encontrarem dentro do seu limite (a pedra como pedra, o escudo como escudo), existir non tem nada que ver com “ser si próprio”, mas precisamente com o contrário, “non ser si mesmo”, mas, por isso, estar aberto a todas as restantes cousas e ter assim a possibilidade de ser outras. Neste último sentido, na verdade, só o home existe, xá que as cousas non podem sair dos seus limites (a pedra non pode polos seus próprios meios deixar de ser pedra) e, por isso, delas só se pode dizer que som. Decisivo para o curso da investigaçón sería entender que o exemplar e privilexiado non passa, de qualquer forma, por ser “humano”, que constitui apenas unha mera determinaçón ôntica, mas passa, em todo o caso, por o ser humano “existir”. Esta determinaçón non procede de unha característica que estexa à vista, tratábel de forma teórica, porque non há significado: a existência non será mais um tema ontolóxico, mas, precisamente, aquilo que precede tal tratamento. A isto se refére Heidegger com o “pré-ontolóxico”, que constituirá o único tema propriamente ontolóxico. A filosofia de Heidegger encontra nesta descoberta pré-ontolóxica inicial -a existência- a sua primeira determinaçón. A relaçón ontolóxica moderna entre a consciência ou o suxeito que se opón a um obxecto (que é o mundo) fica suspensa. Da perspectiva pré-ontolóxica, tanto suxeito como obxecto som entes aos quais, portanto, correspondem determinadas características que os tornam incompatíbeis com o ser, tal como começou a compreender-se a partir da existência. Agora trata-se de investigar o âmbito onde ser tem lugar, que é a existência. Aquilo que se entender por suxeito, razón ou consciência só se poderá compreender a partir do próprio existir. Desta maneira, fica sentenciado que a investigaçón ontolóxica non é nem gnoseolóxica, nem epistemolóxica, nem ética, nem política, nem psicolóxica, mas unicamente “existencial”. Abordará a forma como aparece e tem lugar o “ser” -de facto, o ser das cousas- , que o faz de forma existencial.

ARTURO LEYTE