Arquivos mensuais: Setembro 2022

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (122)

CARTA DE DON QUIXOTE A DULCINEA DEL TOBOSO

Soberana e alta Senhora: O ferído de punta da vossa ausência. e o chagado do coraçón. Dulcíssima Dulcinea do Toboso, enviache toda a saúde que el non tem. Se a tua fermosura me despreça, se o teu valor non é a meu favor, se os teus desdêns som em mim afincamento, magister que eu sexa assaz de sufrído, e mal poderei soster-me nésta cuita, que adornas pois de ser longa e duradeira. O meu bom escudeiro Sancho, che fará completa relaçón do meu penar. ¡¡Oh bela ingrata!! ¡Amada enemiga minha! Da maneira, como por tua causa quedo. E, se gostáres de ocorrer-me mal, teu som, e se nón, fai o que che venha em gana. Com acabar a minha vida, terei satisfeito a tua crueldade e o meu desexo. Teu, até à morte, o Cabaleiro da Tríste figura.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

HEIDEGGER (ONTOLOXIA FUNDAMENTAL)

A leitura que aqui se propón embate de frente contra a que reconhece um conteúdo positivo nessa análise, que dará unha descripçón do “ser-aí” como figura existencial ou, em xeral, antropolóxica, desde o momento em que se reinterpreta o “ser-aí” sob o significado do “homem”. Esta última recepçón, que coincide, “grosso modo”, com a versón existencialista de Heidegger e também com aquelas que viram na obra outra forma de entender a questón do suxeito moderno – o “ser-aí” face à consciência -, non tem em conta que o seu conteúdo, a análise existencial, constituía apenas o tema das duas primeiras secçóns, mas sobretudo esquece que tal tratamento analítico se encontrava exclusivamente ao serviço do propósito explícito da ontoloxia fundamental, que era a pergunta polo sentido do ser em xeral, em cuxa elaboraçón a própria análise existencial constituía unha peça decisiva, mas non exclusiva. Naturalmente, e esse é o ponto de partida dessa leitura, isso non é impedimento para que a descripçón analítica do “ser-aí”, elaborada na obra, sexa de tal magnitude que supere largamente algunhas das tentativas mais lúcidas da antropoloxia ou da psicoloxia (ou até da socioloxia) filosóficas. O êxito de Heidegger no cenário do existencialismo francês, bem como na obra de muitos dos seus ouvintes e leitores do seu tempo, como Herbert Marcuse, Hannah Arendt ou Emmanuel Lévinas, teve a ver sobretudo com o eco que despertaram os resultados da analítica, que forom lidos à luz de unha reinterpretaçón do papel histórico da subxectividade. definitivamente entendida a partir da sua constituiçón fáctica e moral. No entanto, segundo o proxecto e também a articulaçón das três secçóns da primeira parte, a questón tem de ser lida a partir de outro prisma. O curso da investigaçón dessa primeira parte decorria segundo três passos; no “primeiro”, leva-se a cabo unha análise preparatória do “ser-aí”, mas só como passo prévio para o “segundo”, cuxo obxectivo é ganhar unha determinaçón do “sentido” do próprio “ser-aí”, a partir da qual se alcançaria o “terceiro”, obxectivo derradeiro da investigaçón: a determinaçón do sentido do ser em xeral. A obra, como xá se dixo, foi interrompida ao chegar ao final do segundo passo, ficando sem redixir o último. Unha leitura adequada teria, contudo, de ter em consideraçón particularmente dous aspectos: a) a necessidade interna desse terceiro passo ausente no desenvolvimento dos dous anteriores, e b) a relaçón interna das duas secçóns da parte escripta, que transcende o carácter de mera sucessón de unha publicaçón; se, na primeira secçón (vexa-se o capítulo “A análise existencial”, pág. 53), descreve-se o comportamento ou modo desse manifestar quotidiano de um ente, o “ser-aí”, sem se perguntar o que quer que sexa sobre o seu sentido, a segunda secçón (vexa-se o capítulo “A morte e o sentido”, pág. 59) constitui apenas unha reiteraçón dos resultados da primeira, mas à luz do “sentido” obtido da “temporalidade” a partir da morte. Sem considerar esta relaçón, que non é de sucessón discursiva nem argumentativa, mas, sim, estructural, perde-se a intençón da obra, que non residia apenas nunha mera análise do “ser-aí” para elevá-lo, a posteriori, a figura ontolóxica ou antropolóxica principal, mas em reconhecer na temporalidade unha interrupçón daquele tempo quotidiano – o próprio do “ser-aí” – no qual nos encontramos sempre de forma subentendida. Assim se cumpriria a intençón que, em xeral, rexe a ontoloxia fundamental desde o início: interromper a ontoloxia xeral, ou sexa, o subentendido que transformou o ser num ente ou, o que é dizer o mesmo, que fez da cousa “o que non é”, algo estranho ao tempo. A terceira secçón da primeira parte, cuxo título é, no proxecto, “Tempo e ser”, era a responsábel por este último desvelamento: reconhecer no tempo o sentido do ser em xeral, ou sexa, reconhecer que a constituiçón ontolóxica, non xá do “ser-aí”, como se avança no trecho escripto da obra, mas da cousa, é temporal. Assim se podería entender a proposta ou meta inicial, non desenvolvida expressamente na obra filosófica: o sentido do ser é o tempo.

ARTURO LEYTE

O CONTRACTO SOCIAL

Houbo um tempo em Barcelona em que, graças ao Latím apreendido dos curas, puidem amassar unha fortuninha, que se me escorreu entre as máns com idêntica naturalidade com que se escapa a àgua de unha cesta. Andava por Barcelona como puta em quaresma, sem um mal bocata de mortadela, bazofia da miséria, que levar-me à andorga; e dormía nos bancos dos xardins, pois tinha sído desahuciádo da pensón por falta de pago. Um dia encontrei em “La Vanguardia” um anuncio que reclamaba professor xovem de Latím. A páxina estaba enrrugada e com signos graxentos de “bocadillo” proletário. Aproximei-me da morada que indicaba o anûncio, por perto do Paralelo ou quase, non recordo muito bem. Na antesala, encontrei unha lexión de faméntos e entre eles ao Villán, ao qual, desde a Laboral tinha visto algunha vez. Quando cosumíu o seu turno de entrevista o Villán dixo-me, isto tem mala pinta! Entón, vem-me à cabeça um incidente que, à custa de outro anûncio semelhante, me tinha acontecído meses antes. Nos presentáramos unha docena de aspirantes a um lugar também de Latím e, ao terminar o exame, o examinador dixo-me: “La plaza es para usted; usted es el mejor con mucha diferencia. Pasado mañana haremos el contrato”, logo marchei a ronear polas Ramblas, a empapar-me de vida e de futuro. Depois passei pola pensón da Verneda e dixem-lhe à maestresa “está tudo arranxado, vou firmar um contracto, senhora Juana, acabarei sendo famoso xá o verá ustede”. A maestresa era da Extremadura, ou sexa, unha modalidade de charnega; todos os emigrantes eram charnegos, como todas as extranxeiras eram suecas. Às maestresas charnegas podíamos chamá-las por senhoras de tal, ou polo seu nome a secas, mas as cataláns eram chamadas por “doña”: doña Nuria por aquí, doña Montse por alá. Ainda que pareça raro, também había pensóns rexídas por cataláns: damas viúvas que mantinham a duras penas o decoro e a dignidade. Estas pensóns só eram para cataláns: funcionários, viaxantes de comercio, oficinistas de boa posiçón. E também algúm pícaro tapado de estudante, fervoroso das grandezas do catalanismo e em busca de algúm medro, impossíbel nas pensóns de charnegos. Confeso sem arrependimento nem pudor que os meus entusiasmos sobre os nacionalismos eram, por entón, tán autênticos como o som hoxe incertos e recelosos. Aos pícaros reciclados de catalanistas, acabába-se-nos logo “la pela” e voltábamos irremissibelmente para os bairros pobres. Alí também, inevitabelmente, o dinheiro acababa rápido. Polo tanto, insistím-lhe à senhora Juana: “Vou firmar um contracto de professor; acabarei sendo famoso…” “A mim, com tal que pages, me vale. Importa-me o que sexas agora, non o que acabes sendo!” Mas, a alegría na casa dos pobres, pouco dura! No dia seguinte, tudo se foi ó garete: o Latím, a Academia de Preparaçión Múltiple, a minha euforia… E o contracto. Sobre tudo o contracto, esse símbolo sacro de poder que tenhem todas as pessoas respeitábeis. Quando me apresentei para firmar, dérom-me com a porta nas trombas! Eu insistía em que era o novo professor de Latím, que vinha a firmar o contracto. Vía o pupitre no qual me tinha examinado, xunto ao qual o xefe de estudos me tinha díto: “é ustede o melhor…” Naqueles momentos o pupitre me tinha parecido um trono de ouro sobre o qual começava a levantar-se o meu futuro glorioso. Agora parecía um patíbulo onde acababam de ser agarrotadas as minhas fantasías. Recordei de golpe, como um fogonazo, o agarrotamento de Pascualillo em “La familia de Pascual Duarte”, a abrupta novela celiana. E entrarom-me as mesmas ânsias homicidas de Pascual: disparar, acoitelar, alzar a mán, acabar com a humanidade. Logo, acometeu-me unha rara placidez, suponho que a placidez da desesperaçón total. E só logrei pronunciar unha palabra: “¿Por qué?” E, ouvín a resposta que mais me podía ferir, naquela época de xudeu errante, sem um sítio onde cair morto. A resposta non partíu da secretária miope, culona e patizamba, velha raposa guardián da porta e da catalanidade. Chegou do xefe de estudos, o mesmo que dias antes me tinha coroado como latinista insigne. Apareceu de repente entre penumbras montserratinas de maldade e dixo, como um abade maricón e meliflou: “Lo siento. Hemos encontrado otro que es catalán”. Entón, gritei: “¡Tu puta madre…!”

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

JACQUES DERRIDA (O FALOCENTRISMO)

Se ao exposto se acrescentam os perto de oitenta libros que componhem a bibliografia de Derrida, qualquer tentativa de abreviar essa disseminaçón nunhas poucas páxinas resulta completamente inútil. E, no entanto, é possíbel entrever um princípio de ordem nesse arquipélago de temáticas que componhem os textos, se as remetêmos à explosón primordial que causou o seu nascimento. Cabe-nos visualizar como unha constelaçón nessa voraxem se alguém se colocar no ponto de partida da “fenomenoloxia”, face à sua caracterizaçón da “consciência como pesença de si”. Ao mesmo tempo a partir de dentro e de fora da fenomenoloxia, a crítica de Derrida, permitiu-lhe situar-se para além dela (em boa medida graças à noçón “estructuralista de signo”, como xogo de diferenças que produzem sentido), conservando, em todo o caso, o desdobramento conceptual da “fenomenoloxia” como referência última das suas prácticas “desconstructivas”. Este desdobramento, nos seus momentos mais doutrinais, será identificado pura e simplesmente como metafísica. O que o “logocentrismo” denuncia é a rexência de um sentido metafísico sobre a escrita, um sentido que é anterior e exterior ao xogo dos signos inscríptos. Unha denúncia que se dobrará como “falocentrismo” no momento em que se tome em consideraçón non xá a consciência, mas o inconsciente. Denunciar-se-á entón a rexência de um sentido anterior e exterior ao xogo de signos inconscientes, que entroniza o “falo” como significante maior. Com este instrumento de dous gumes nas máns, Derrida corta essa “consciência como presença de si” nas suas duas metades. Submetida à “desconstruçón”, a identidade da consciência de si desdobrar-se-á num leque de diferenças, de alteridades. E este será um dos grandes eixos temáticos que alinhava a disseminaçón da sua obra, a alteridade. Podem destacar-se a esse respeito os libros “Psyché: Invençóns do Outro” (Psyché: Inventions de L’Autre, 1987), ou “Políticas da Amizade” (1994). Mas é todo o seu trabalho que é trespassado por essa atençón à alteridade. chegando a entender-se a sua escripta como dirixida por unha fidelidade ao que ocorre nela, à linguaxem “do outro” (que irrompe), “do outro” (que escreve em mim). Nos seus escríptos conxuga-se a alteridade nas suas mais diferentes formas, como “o outro” (a diferença, a repetiçón, o desexo, a morte), como “o outro” (a mulher, o xudeu, o espectro, o estranxeiro), ou como “os outros” (as xenofobias, os nacionalismos, a guerra). E, em todos os casos, a direçón será sempre libertar as diferenças da sua submissón aos antagonismos. A xustiça, dirá o autor, consiste em aprender a viver com o outro.

MIGUEL MOREY

O ILHA (11)

CONTOS DE UMA JUVENTUDE ENLUTADA

A MINHA HISTÓRIA CNA (CAPÍTULO TERCEIRO)

Vejo-me e observo que as minhas referências sobre os professores nao vao além do 4º ano. O quinto ano, nesse aspecto, é um ano que nao existe. No entanto, durante o 5º ano tive aulas com o Dr. Raul Lopes e também com o seu amigo que leccionava Português. Mas, nada ficou além das suas figuras. O Dr. Raul Lopes, ao ser o Director do Colégio, era um homem cheio de lendas que iam desde a sua etapa de Coimbra como estudante até aos últimos dias. A sua figura sempre era situada no epicentro da lenda. Devo dizer que além das reunioes onde estava a minha família a interessar-se pela minha evoluçao, pouco contacto tive com ele. A minha memória só me fala de mais duas reunioes onde, frente a frente, estava a figura do Director e a figura do aluno. No entanto, os primeiros anos foram férteis em figuras para unha boa comédia de rua. Talvez, ao som dos tempos, tivéssemos “hapennings” sem nos aperceber de nada. Talvez, se deva, também, ao choque brutal que tive com aquela realidade “sue generis”. Evidentemente, o Coronel Alvarenga (graduaçao que foi rebaixada por um colega, mas, ao reter na minha memória esse tratamento non será agora que o transformarei em soldado raso, sargento ou major.) ocupa muitas das cenas imortais daquele Colégio. Além do anedótico e do humor que provocava a sua aselhice pouco se pode dizer deste professor. Como síntese posso dizer que era um mal-educado e um violento; o tratamento de “ò Minha Besta” que lhe dedicava aos alunos fala por si. Logicamente, tomávamos a devida e merecida vingança. Tinhamos como nossa principal aliáda a aselhice que o caracterizava. E também tinhamos a neurose típica de quem vive entre muros para passar-nos quatro limites nessa vingança. Nos, os alunos, nao sei se numa aula do 3º ou 4º ano, também agimos violentamente. Um belo dia, pretendeu zurrar num colega que estava perto de mim. Como que atraídos por um íman, levantamo-nos os próximos. Rodeamos com os nossos braços o professor e ao grito de “nao lhe bata; nao lhe bata…” Tínhamos o pobre homem imobilizado. Nisto, chegou do fundo da sala um colega de Moçambique; natural de Maputo; de nome José Luís e de apelido, creio recordar, Rodrigues – era um rapaz espigado; seco de carnes; rápido de movimentos; inteligente. – Que se uniu ao abraço inibidor, mas, somou ao acto, umas lindas e mais que lindas pisadelas, fortes e bem fortes, no velho militar. O coronel Alvarenga berrava; nós, apercebendo-nos do facto, ainda mais gritávamos: “Nao lhe bata, nao lhe bata.” Este homem de idade avançada, esteve retido ao mesmo tempo que era agredido uns bons minutos… Um par de anos antes e depois, ser-me-ia impossível imaginar-me metido numa trifurca, violenta contra um professor. Este acto nao é do meu agrado, quando o recordo porque me apercebo que naquela altura e com aquel tempo de estância no CNA, xá estava num grau alto de animalizaçón. Perdera as maneiras. Era mais um que louvava o cajado como elemento dialéctico. Para esquecer; para superar…

JOSÉ LUÍS MONTERO MONTERO

MICHEL FOUCAULT (AS SEQUELAS DO MAIO DE 68)

No final de 1971, teve início um movimento de revolta nas prisóns francesas, em parte devido às dinâmicas introduzidas polos estudantes esquerdistas presos na sequência dos acontecimentos de Maio. Com o tempo, as prisóns amotinadas chegarom a ser 35. Xuntamente com alguns intelectuais, Foucault fundará entón o “GIP” (Grupo de Informaçón sobre as Prisóns), que implantou o seu activismo em inúmeras frentes. “Acho que o GIP” – declarou mais tarde (entrevista concedida a C. Baker, 1984) – “foi unha iniciativa de problematizaçón, um esforço para tornar problemáticas e duvidosas algunhas evidências, algunhas prácticas, algunhas regras, algunhas instituiçóns e alguns hábitos instalados há décadas e décadas”. Do ponto de vista do seu trabalho, este foi o seu activismo mais fructífero. A partir dos resultados da acçón, sem dúvida o mais relevante será a fundaçón, nesse mesmo ano, da associaçón “Médicos sem Fronteiras” (e pouco depois a sua participaçón na fundaçón da “Médicos do Mundo”), xuntamente com Bernard Kouchner. Em 1975, em grande parte como resultado das reflexóns que surxiram de acordo com as actividades do “GIP”, Foucault publica “Vigiar e Punir” (com o subtítulo “Nascimento da Prisón”), unha nova alteraçón no seu percurso filosófico, da qual resultará unha modificaçón significativa do seu perfil intelectual. Dir-se-á que, doravante, a grande questón que ordena o desenvolvimento da sua obra deixa de ser a questón do saber e passa a ser a questón do poder. Que mesmo o interesse polo trabalho arqueolóxico parece declinar a favor de unha tarefa agora “xenealóxica”, no sentido que Nietzsche dá ao termo. Assim, na contracapa do libro, assinada por Foucault, lemos: “¿Será possíbel fazer a xenealoxía da moral moderna a partir de unha história política dos corpos?” E, efectivamente, Foucault parece seguir as indicaçóns dadas por Nietzsche em “A Genealoxia da Moral” e, ao mesmo tempo que descreve a articulaçón do poder punitivo prisional, coloca unha questón mais lata sobre o surximento da alma moderna e a sua moral específica. “Se eu fosse pretencioso” – declarou entón (entrevista concedida a J. J. Brochier, 1975) – “colocaria como título xeral do que faço: “genealoxia da moral”. Convém assinalar, no entanto, que os procedimentos xenealóxicos que adoptará daí em diante non venhem substituir a arqueoloxia, polo contrário, pretendem alargar e radicalizar o seu campo de atençón e os seus protocolos de análise.

MIGUEL MOREY

AGRARISMO E OBREIRISMO NO CONDADO (5)

En Salvaterra, Alianza republicana e agrarios copaban o distrito conseguindo os 18 concellais. En Mondariz, a mesma alianza copaba asimesmo os 16 postos de concellal. E así en Salceda, Porriño, Vigo… A euforia quedaba desbordada en Ponteareas; a París e Madrid dirixíronse telegramas: “Bajo dirección insigne lider republicano Amado Garra conquistamos 17 puntos de 20 que componen Ayuntamiento feudo Bugallal. Caciquismo hundido definitivamente, pueblo liberado por República”. Todo isto sen xenreiras, venganzas ou tolerias: “Muchos vítores, muchos aplausos, sendos abrazos de efusión y cordialidad, pero ni un solo incidente, ni una sola nota disonante. El pueblo, e en particular ese ejército de juventud socialista que está afiliada a la organización obrera, dió la nota de cordura como si en todos estuviera gravado el lema directivo de: calma, cordura. Nada de borracheras de triunfo, nada de manifestaciones hostiles a nadie. Los elementos triunfantes han sido respectuosos con los muertos, en este caso com los caciques”. En España, os resultados electorais daban paso á Segunda República e en Ponteareas proclamábase solemnemente o día 15. Pero xa antes que en Madrid, a primeiras horas da mañá do 14, izábase na casa do concello pontearean a bandeira da República. O día 15 os concellais electos percorrían as rúas da vila precedidos da banda de música e levando como enseña a bandeira da Primeira República de 1873 que o antiguo republicano D. Severo Benavides gardara á caida da República e transmitira á sua viuva como símbolo sagrado. A procesión rematou na casa do concello, onde se procedeu ó acto de transmisión de poderes, discursos emocionados, comunicados, telegramas, homenaxes… A República foi tamén proclamada nas parroquias, e na tarde do 15, en Salvaterra onde se transladara gran cantidade de xente de Ponteareas. O novo alcalde D. Manuel Mariño Méndez leu o primeiro bando (común ó de Ponteareas) saudando e chamando á orde e respeto para todos. Un dos telegramas que dende alí se mandou, remataba: “… el entusiasmo es enorme. Comité de Puenteareas, vecindario y bandas de música de Cristiñade, Gulanes, Areas, Ginzo, Ribadetea, Puenteareas, Moreiras y de este distrito, están en estes momentos aclamando la República española en este famoso castillo”. Deste xeito foi proclamada na nosa bisbarra a Segunda República. Ainda que o camiño a seguer non fose doado, tiñase recuperado a dignidade.

PUBLICADO EM “A PENEIRA” (ANO I – 1984)

PLATÓN (PARALIPOMÊNA)

Platón, é unha dessas mentiras, que quase todo o mundo toma por verdades. Digo quase todo o mundo, porque a ignorância nunca é total, e o mesmo acontece com a deshonestidade, também nunca se realiza completamente. Depois de ter lído toda a obra de Arístocles (a considerada autêntica, a duvidosa e a espúrea, os fragmentos e toda a sua correspondência.). Cheguei à brilhante conclusón, de que tinha sído enganado, que todo este “corpus” non pertencía a um home só e muito menos a “Platón”. Logo, cabe perguntar-se ¿de quem será entón? Boa pergunta! Este compêndio de filosofia arcáica, depois de consultar nas histórias da filosofia grega, parece ser que, foi feito por filósofos Neo-Platónicos, a encargo da Biblioteca de Alexandría. E, como era costûme na época, otorgou-se-lhe o nome do filósofo mais famoso (tal como se fixo com o “Corpus Hipocraticum”.) De ahí, venhem depois também as dificuldades para declarar a autenticidade e a cronoloxía das obras, xá que non dispomos da data de publicaçón de ningunha delas. Non obstânte, intentarom ordená-las dentro de um quadro que fora o mais fiábel possíbel, e que nos derá unha forzada evoluçón do pensamento pessoal de Arístocles. As obras forom estudadas baixo variádos prísmas, primeiro linguisticamente, depois forom anotadas todas as referências internas, e por último também as referências externas à obra. Tudo isto, para que dera lugar a diversas cronoloxías, que puideram apoiar a opinión e o gosto dos especialistas na matéria em estudo. Mesmo sem haber um consenso unânime, puiderom definir-se, polo menos, algúns agrupamentos fundamentais:

Época Primeira (A MAIÊUTICA E A IRONIA SOCRÁTICA)

As obras mais destacadas som: “A Apologia de Sócrates”, “Protágoras” e “A República” (Libro I).

Época Segunda (AS GRANDES LINHAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO)

Destacam-se: “Górgias” e “Ménon”.

Época Terceira (AS OBRAS DA MATURIDADE)

Som: “O Banquete” (ou Simpósio), “Fédon”, “A República” e “Fedro”.

Época Quarta (OBRAS MAIS TARDÍAS)

Forom : “Teeteto”, “Parménides” e “Timeo”.

Por fim, recordemos, que nunca a ignorância nem a deshonestidade, serán totais.

ANTONIO ARGIBAY SEBASTIÁN

ROBERTO MERA COVAS (HOMENAXEM A ALEJANDRO VIANA) (8)

O tres de febreiro Viana aínda se atopa en Figueres con Luciano Vidán e Mercedes Orgaz. Baixo un sol radiante, os tres diríxense cara a Francia no coche de Vidán. A estrada é un regueiro de miles de persoas cargadas con enseres e maletas que van quedando polo camiño. O pánico xorde de maneira intermitente cando os avións franquistas descenden dende o ceo bombardeando e varrendo coas súas metralladoras a estrada. Nun dos ataques abandonan o vehículo para refuxiarse baixo un piñeiral. O incidente causa a morte dun coñecido, e ao regresar á estrada descobren con resignación que o coche desapareceu. Os tres regresan a Figueres camiñando. Nos días seguintes Mercedes Orgaz, Pastor Candeira e Isabel Napal son evacuados a Francia dende a Subsecretaría de Armamento a través de La Bisbal, en Girona. Alejandro encárgase de asegurarlle a Mercedes o necesario para a viaxe. “Eu levaba víveres porque o noso querido amigo Viana nos provera moi ben; ía e viña varias veces a Francia e traíanos pan torrado, leite condensado e latas de conserva. A min encheume a maleta desas cousas que case non me cabían.” O Goberno, desbordado polos acontecementos, emprende tamén a súa fuxida. O seis de febreiro Azaña e Negrín, cun pequeno séquito de familiares, servizo de seguridade e algunha outra personalidade, cruzan os cumios dos Pirineos e entran en Francia. Na comitiva tamén se atopa o presidente das Cortes, Martínez Barrio. “Ía un frío glacial, non maior, porén, que o que levabamos nas almas. Temporalmente todo rematara e a República e a Liberdade nacional, agonizantes a véspera, estaban mortas. A última homenaxe ás potestades caídas foi o tributo dos carabineiros destacados no posto fronteirizo, quen, ríxidos, presentaron armas ao paso do presidente Azaña. A luz desvaída do mencer descubriu, sinuoso, o camiño do desterro.”

ROBERTO MERA COVAS

RUSSELL (A COMPAIXÓN POLO SOFRIMENTO HUMANO)

Apesar do espírito antiacadémico, non seria quem é sem a sua contribuiçón para a filosofia no sentido mais técnico da disciplina. A sua importância como lóxico só é comparábel no século XX à de Gödel. Podemos afirmar que cria a filosofia analítica da linguaxem a partir do nada e de certa forma, a filosofia da mente. É imprescindíbel em epistemoloxia e em filosofia da ciência. Talvez debido ao seu protagonismo extra-académico non tenha sido tán apreçado como a sua obra xustifica pola filosofia que axudou a criar, a qual discutia os problemas e copiava o seu estilo sem o reconhecer como debia. O seu Outro essencial foi Ludwig Wittgenstein. Foi-o em personalidade, espírito e estilo, e foi-o também em filosofia. (…) Em muitos aspectos, Wittgenstein ultrapassa os limites autoimpostos polo puritanismo epistémico de Russell, mas em muitos outros é Russell quem nos adianta muito mais que Wittgenstein sobre qual poderia ser a funçón e o valor da filosofia e das humanidades num mundo que crescentemente as despreza. No emotivo prólogo à sua “Autobiografia”, intitulado “Aquilo por que vivi”, Russell enuncia três paixóns que o impulsionarom, como ventos que tivessem empurrado a sua nave em diversas direçóns. Assim, apesar de a ânsia de amor, a busca de conhecimento e a compaixón polo sofrimento humano poderem ser compatíbeis como fins desexábeis, a dedicaçón a cada um deles conduz a planos de vida incompatíbeis, algo de que Russell se sentiu muito consciente e por que pagou um preço muito alto em fracassos afectivos, distanciamento do mundo académico e isolamento e dissidência política.

FERNANDO BRONCANO

GALIZA PARA COMÊLA (CHORROS)

Durante a época de crecemento do millo, as espigas máis novas e brandas (aquelas nas que os grans parecen zumegar leite) eran seleccionadas coidadosamente e con delicia polos rapaces, que as roubaban moitas veces das leiras para darse un festín, co conseguinte enfado dos donos da colleita.

RECEITA:

Cravadas nun pau e postas nas brasas da lareira, ou de calquera lume improvisado na propia leira do millo – cunhas areas de sal por riba se se desexa -, estas mazarocas convertíanse nun exquisito e festivo manxar. O sabor dáballe mil voltas ás espigas e millo que actualmente consumimos en conserva. Ó sabor uníase, ademais, o incrible olor a millo torrado…

GALICIA PARA COMELA (HÉRCULES DE EDICIONES S. A.)

MARX (A CABEÇA É A FILOSOFIA, O CORAÇÓN O PROLETARIADO)

Em qualquer caso, a luta xá non é só filosofica; há que decidir a emancipaçón a nível práctico e na sociedade civil, e a filosofia tem de axustar o seu papel com humildade pois, enquanto forma de consciência, é afectada pola realidade social que aspira transformar, contaxiada polo seu mal. A filosofia, polo seu carácter teórico e pela sua determinaçón social, mostra as suas duas limitaçóns como instrumento de libertaçón: porque a tarefa a realizar é “práctica”, de transformaçón da base material da sociedade, som precisas outras armas; e porque a filosofia, enquanto consciência da sociedade, non escapa à determinaçón desta, a sua voz non enuncia a Verdade, non pode dizer o que se debe fazer. Tem de assumir que apenas é parte dessa realidade, que também tem de ser transformada. Definitivamente, para levar a Alemanha à “hauteur des principes”, ou sexa, a unha revoluçón que non só a coloque ao nível oficial dos povos modernos, mas também à altura do espírito da época, em primeiro lugar é necessário articular a crítica das armas e a arma da crítica, pois “a arma da crítica non pode substituir a crítica das armas; a violência material non pode ser derrubada senón com violência material”; e, em segundo lugar, há que redefinir a crítica filosófica sabendo que, por um lado, “a teoria converte-se em violência material unha vez conectada às massas” e, por outro, “um povo só colocará em práctica a teoria enquanto esta representar a realizaçón das suas necessidades”. Duas teses que Marx nunca abandonará e cuxa articulaçón caracteriza a sua análise, pois reconhece o necessário papel da subxectividade, das ideias, e a sua inevitábel determinaçón polas condiçóns obxectivas. Deste modo, a esperança na emancipaçón da sociedade passa da filosofia que faz avançar o espírito para um novo suxeito, “unha clásse que non reclama um direito especial, xá que non é unha inxustiça especial a que padece, mas a inxustiça simplesmente; que xá non pode invocar nenhum título histórico mas apenas o seu título humano”. Marx encontra essa clásse no proletariado, cuxas primeiras imaxens empíricas das suas lutas o axudarom a recuperar a confiança na emancipaçón, e cuxa iniciada leitura da economia clássica lhe permitiu compreender a funçón. A impotência da filosofia é compensada com o moderado optimismo que Marx encontra no proletariado: “Da mesma forma que a filosofia encontra no proletariado as suas armas materiais, o proletariado encontra na filosofia as suas armas intelectuais”. E acaba este brilhante texto com palabras milhóns de vezes citadas como expressón da intuiçón de unha nova via de emancipaçón: “A cabeça desta emancipaçón é a filosofia, o seu coraçón, o proletariado. A filosofia non se pode realizar sem suprimir o proletariado; o proletariado non se pode suprimir sem realizar a filosofia”. A partir de agora, grande parte da sua vida será direcionada para fornecer unha base teórica racional a esta xenial e provocadora intuiçón.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

LITERATURA CASTELÁN (GONZALO DE BERCEO)

Vida e obra : Gonzalo de Berceo, é o primeiro poeta castelán de nome conhecido, e o mais xenuino representante do “mester de clerecía” e pode que o seu introductor. Da noticias de si mesmo em diversos pasáxes das suas obras. Por el sabemos que nasceu – a finais, probabelmente, do século XII – no pequeno poboádo de Berceo, diócese de Calahorra, na Rioja. Foi educado no mosteiro benedictino de San Millán de la Cogolla, onde foi agregado como clérigo secular.

Gonzalo fue so nomne qui fizo est tractado,

en Sant Millán de suso fue de ninnez criado,

natural de Berçeo, ond Sant Millán fue nado…

.

Yo, Gonzalo por nomne, clamado de Berceo,

de Sant Millán criado, en la su merçed seo…

Debeu morrer bastante velho; por diversas escrituras notariais, sabe-se que ainda vivia em 1264. Mas, fora disto, pouco mais é o que se conhece da sua vida, que parece transcorreu plácidamente entre xentes sinxélas, entregadas aos seus deberes relixiosos e a compôr as suas obras. Todas as obras de Berceo som relixiosas: Três vidas de santos – “Santo Domingo de Silos”, “San Millán de la Cogolla” e “Santa Oria” -; três poemas dedicados à Virxem – “Loores de Nuestra Señora”, “Planto que fizo la Virgen el día de la Passión de su Fijo Jesu Christo” e “Milagros de Nuestra Señora” – ; e três poemas mais de asunto relixioso vário – “El Sacrificio de la Misa”, “De los signos que aparescerán antes del Juicio” y “Martirio de Sant Laurençio” – . Também lhe forom atribuídos “Três himnos”.

J. L. ALBORG

AL-FARABI (METAFÍSICA, PSICOLOXÍA, INTELECTO)

METAFÍSICA

A metafísica de al-Farabi segue as linhas mestras de Aristóteles: estuda o ser enquanto ser, os princípios das ciências e o ser que non é corpo nem existe num corpo. No entanto, quando explica a multiplicidade do mundo sensíbel, afasta-se de Aristóteles e introduz o emanatismo neoplatónico. Em vez da física aristotélica aparecem aqui as doutrinas de Plotino. Tenta-se conciliar deste modo o Deus único, transcendente e criador do Coram com o “Uno” de Plotino. Digamos em sua defesa que parte da sua argumentaçón tinha um fundamento pseudoaristotélico, xá que durante a Idade Média circulava como obra do Estaxirita a intitulada “Teologia”, na verdade unha organizaçón alternativa das “Enéadas”. Unha deriva similar mostra a sua tentativa de conciliaçón entre Aristóteles e Platón. Para ele, as diferênças entre ambos som accidentais, em coincidência com a interpretaçón dos neoplatónicos. Nunha questón central dentro da cosmoloxía aristotélica como a eternidade do universo, al-Farabi defende a criaçón do nada anterior ao tempo, xá que este tería aparecido somente depois do movimento das esferas.

PSICOLOXÍA

Na sua psicoloxia encontramos claramente as doutrinas aristotélicas, da definiçón da alma (“a perfeiçón última do corpo natural orgânico dotado de vida em potência”) até à explicaçón do processo cognitivo: “Alguns acreditaram que no entendimento se produz a forma das cousas ao mesmo tempo que os sentidos percepcionam os sensíbeis e que se produz sem nenhum intervalo. Non é assim na verdade, mas sim que entre ambas as cousas há algo de intermédio que consiste em os sentidos percepcionarem os sensíbeis e assim resultarem neles as suas formas que ván ao senso comum até se reproduzirem nele; o senso comum transporta-as à imaxinaçón e a imaxinaçón à potência cogitativa (…) e, depois de assim informadas e movidas, ván ao entendimento, e é entón que o entendimento as obtém em si.”

INTELECTO

Quanto ao intelecto, aprofundou de maneira especial o tema do intelecto especulativo, que diversificou em quatro aspectos. Para ele, o intelecto axente ou criativo está separado do corpo, causa da intelecçón e cuxa relaçón com o intelecto em potência é como a do Sol com o olho. Apresentou pola primeira vez a possibilidade de unión do home com o intelecto axente, o que representaria a culminaçón de todo o processo cognitivo e gozou de notábel difusón dentro da escolástica.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA

MADALENA IGLÉSIAS

Natural de Lisboa, foi unha das mais populares cançonetistas portuguesas. As suas actuaçóns obtiveram grande êxito em Portugal e em numerosos países. Estudou música no Conservatório e na Escola do Canto e, com apenas 15 anos, entrou para o Centro de Preparaçón de Artistas da Rádio da Emissora Nacional. Em 1957 estreia-se na televisón e como cantora efectiva da Emissora Nacional. A sua carreira internacional começa em 1959 com unha actuaçón na televisón espanhola. Representou Portugal em vários festivais internacionais. Foi por diversas vezes “Rainha da Rádio e da Televisao portuguesas”, premiada em festivais e pola crítica, quer em Portugal, quer no estranxeiro. Em 1966 venceu o Festival RTP da Cançao com “Ele e Ela”. Madalena Iglésias tem aproximadamente 110 discos editados em 14 países. A sua carreira passou também polo cinema. Quem non se recorda das suas representaçóns em “Passagem de Nível” (1965) ou “Sarilho de Fraldas” (1966)? A década de 70 marcou o fim da sua actividade artística. Mas o reconhecimento público non parou, tendo recebido em 1991, o Prémio Prestígio, atribuído pela Casa da Imprensa. Em Outubro de 2008, foi lançada em Lisboa a sua fotobiografia, baixo o título de “O Meu Nome é Madalena Iglésias”, da autoria de Maria de Lourdes de Carvalho.

A COZINHA DOS FAMOSOS