Arquivos diarios: 21/09/2022

ARISTÓTELES (CONHECER COM LÓXICA)

Vimos que Aristóteles inicia unha das suas obras fundamentais, a Metafísica. com a afirmaçón: “Todos os homes por natureza desexam conhecer”. De semelhante perspectiva, a observaçón do mundo e a capacidade de maravilhar-se perante as cousas que nos rodeiam non só nos torna humanos, como constitui o xérmen de um desexo de saber que todos os indivíduos possuem naturalmente. O ser humano procura respostas para satisfazer este desexo, mediante o conhecimento científico ou a superstiçón e o mito. No entanto, o mito – tán presente na antiga Grécia, do mesmo modo que na nossa sociedade – representa unha resposta falsa, visto que, apesar de poder saciar o desexo de saber, atrofia a nossa capacidade de nos espantarmos. Para Aristóteles, o mito possui unha clara funçón social, pois é muito útil para “persuadir as pessoas para benefício das leis e do conveniente”, mas é totalmente inútil para os interesses científicos de um filósofo. Por um lado, valoriza-o, porque se parece a unha forma primitiva de filosofia, com a qual partilha a orixem (o espanto) e pela citada funçón de coesón da sociedade; mas, por outro lado, sabe que o mito representa um travón à autêntica sabedoria. Descartado o mito, só resta a ciência como meio de acceder à verdade. Sabemos que a ciência se ocupa de cousas reais. do mundo que nos rodeia, mas (e esta é a pergunta crucial): o que é o real? Quais som essas cousas reais das quais se debe ocupar a ciência? E mais ainda: o que é o “Ser”? A resposta a estas perguntas ocupa o centro de duas obras básicas para a compreensón da filosofia de Aristóteles: “Categorias” e “Metafísica”. Antes de Aristóteles, os pré-socráticos e Platón xá se tinham questionado sobre o que era o “Ser”. A resposta platónica, da qual Aristóteles é herdeiro directo, é unha síntese de duas possíbeis vias de resposta, representadas e defendidas polos pré-socráticos Heraclito de Éfeso e Parménides de Eleia. Para Heraclito tudo fluie, e é precisamente esse fluir que define a realidade. A única cousa que permanece inalterábel e, portanto, a única cousa que podemos qualificar como real, é o futuro, o dinamismo presente na natureza, a mudança constante e eterna. E exemplifica-o com a célebre metáfora do rio: apesar de non nos parecer, na realidade, nunca tomamos banho duas vezes no mesmo rio. Esta mudança constante responde a unha razón universal à qual Heráclito denomina de “Logos”, a lei natural, a expressón do divino que nos é revelada através dos sentidos. Para Heraclito, conhecer é, pois, compreender essa lei. No polo oposto. o “Ser” de Parménides é estáctico, inmutábel, eterno, indivissíbel. O que realmente existe, a realidade, é um “Ser único”, homoxénio, nunca muda e ao qual os homes só podem acceder mediante a “razón”. Portanto, o que obtemos através dos sentidos é mera “opinión” (doxa), unha ilusón, non é o real. Ao conhecimento do “Ser”, à “verdade” (epistême), só se accede através do pensamento.

P. RUIZ TRUJILLO