Arquivos mensuais: Agosto 2022

O ILHA (10)

A MINHA HISTÓRIA CNA

CAPÍTULO SEGUNDO (B)

O Curinha entrou e deu-lhe a versao do professor como lhe correspondia, mas, salvaguardou e mencionou a nossa versao. O Dr. Raul Lopes mandou-nos entrar; ficamos frente a frente com ele. Respirava-se mal. A figura pequena mas, ampla de ombros e formas do Dr. Raul Lopes impunha. Ouviu a nossa versao; a versao que lhe dei e que foi confirmada a coro pelos dois colegas. Mandou-nos sair. Ficamos à espera. Chegou, passado um tempo, o coronel com a alcunha de Salazar. Esteve reunido com o Director. Finalmente, fomos chamados. Entramos. O xá pestilento Salazar continuava com a sua versao. Entrei em discórdia com o nome que a maioria arrasadora dos portugueses nao quer recordar. O Dr. Raul, virando-se para mim, perguntou-me: como sabes os conxuntos? – O Dr. Catarino, o ano passado, no segundo ano, deu-nos tudo isso… O Dr. Raul ficou sério se é que xá non estava seríssimo. Olhou para o Salazar. O Salazar veio-se abaixo e reconheceu o seu erro. Mandou-nos embora e disse-nos que solucionaria o nosso caso, entretanto, non iriamos às aulas do Salazar. A fotografia do Sátrapa ficou dentro. Nao sei que falaram, non transcendeu nada. Quando a música virava ronca os alunos (por muito que se fabule agora…) nao sabíamos nada; nada e menos ainda outras coisas mais privadas ou íntimas. O dado real é o seguinte: no ano vindeiro o dito cujo coronel nao deu aulas no CNA, nem foi visto por perto… Aos alunos, aos três, separou-nos; eu dei, entao, com os ossos no tal 3ºA e os outros dois colegas foram cada um para uma turma diferente. Durante o acontecimento conheci o Dr. Raul Lopes. Nao era, nem foi um pedagogo, nem nada que se pareça a um pedagogo, mas, era das pessoas que tinha -talvez a que mais- sentido do arbítrio e da justiça no meio daquela selva rangente.

JOSÉ LUÍS MONTERO

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DAVID HUME (IMPUGNAÇÓN DO MÉTODO INDUCTIVO)

O filósofo escoçês David Hume (1711 – 1776) costuma ser considerado o representante mais influente do empirismo clássico, segundo o qual todo o verdadeiro conhecimento se debe basear na experiência sensorial (dada pola vista, polo ouvido, etc…), e apenas nela. Hume leva até às últimas consequências a posiçón do empirismo; para ele, existem apenas dous tipos de proposiçóns racionalmente aceptáveis: as puramente formais, que expressam relaçóns entre conceitos (por exemplo, “Nenhum solteiro é casado” ou que “Oito é um número par”), e as proposiçóns sobre o que indagamos através de experiências particulares (por exemplo, “O Joán está em casa” ou “Esta pranta é verde”). As primeiras, típicas da lóxica e da matemática, som absoluctamente verdadeiras, mas non proporcionam nenhum conhecimento da realidade, pois limitam-se a estabelecer relaçóns entre conceitos; as segundas, típicas da nossa experiência quotidiana, expressam de facto um conhecimento sobre a realidade, mas um conhecimento apenas provável e de qualquer forma referido a situaçóns particulares. Tudo o resto, isto é, tudo o que non é reductíbel a relaçóns puramente conceptuais ou a constataçóns de factos empíricos, e, em particular, as asserçóns da metafísica e da teoloxia que pretendem proporcionar-nos o conhecimento de unha realidade transcendente aos sentidos, non tenhem qualquer fundamento e, segundo palabras do próprio Hume, “debe ser lançado às chamas”. Hume empreendeu unha crítica demolidora de noçóns clássicas da metafísica, como as de alma, substância ou causalidade, mas também de ideias que, na sua época, pareciam mais próximas das ciências, como a de um método inductivo para alcançar xeneralizaçóns a partir de um certo número de factos particulares empiricamente observados.

C. ULISES MOULINES

O FRACASO DA ACADEMIA

Quando Isabelle foi despedida do “Cristina Filibustera”, porque a dona suspeitou que se tinha enrredado com Elipio Aldansa, perdoei-lhe as suas calumnias e puxêm-na de colaboradora na Academia, com um ordenado, que lhe pagaba eu do meu próprio pecúnio. Unhas cinco mil pesetas ao mês. Resultou unha modelo perfeita, Conhecia bastante bem a gramática alemán e, a respeito da gramática parda, sabía-as todas. Nunca soubem, nem me importaba que vida levaba na Alemanha a Isabelle. Aquí, cada dia que passaba era mais “zorra”. Cristina perseguía-a para despelhegá-la, polo do colombiano e Rocío despreçába-a, por algo de que nunca quixo falar. Mas, aos alumnos da Academia, tinha-os a todos completamente loucos e, inclúso marcabam explicaçóns com ela para depois das clásses. A mim, “pardilho” e sem benefício, facíam-me responsábel por todos os desaguisádos e desafôros, que a Isabelle cometía. A culpa, em verdade, era minha por tê-la repatriádo. Com respeito à Academia, o único problema de Isabelle foi que, acabou ocupando-se mais dos seus assuntos de fora, que das obrigaçóns de dentro; e que a usara para seu benefício pessoal. Esta Isabelle, chegaría lonxe, se Cristina Filibustera non lhe pegaba dous tiros. Porque Cristina tinha unha pistola, eu bem o sabía. E sabía, que non perdoaba, nem esquecia desaforo de alcoba ou usurpaçón de amante. Há pessoas cuxo destino é complicar-se a vida e também complicar-lha aos demais. Bem estaba que Isabelle sacára unhas “perras” extras nas horas libres, mas sem abusar. Tudo o que facía como modelo era inacreditábel, e os aspirantes a “Don Juan” agarrabam uns calentóns fortíssimos, e xá desexabam copular alí mesmo com ela, sem que acabára a clásse. Convencer a estes fulanos, que a Academia non era unha “casa de putas” e delimitar as lindes entre a teoría e a práctica era, para mim, um trabalho complicado. Por isso, quando a Academia pechou, preocupou-me menos perder uns dinheiros, mas deitei de menos a diversón. A “pasta”, sempre me importou pouco; tinha o meu ordenado no hotel e os meus “trapicheos” fora. E xá sabía o que era acumular ganhos, que me durabam um suspiro. Tinha um raro talento para queimar o dinheiro, de todas as maneiras e formas possíbeis, e daba-me igual oito que oitenta.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO