Arquivos diarios: 21/01/2022

IMMANUEL KANT (OBRA)

A filosofia crítica (isto é o conxunto da “Crítica da Razón Pura”, da “Razón Práctica” e do “Xuízo”, bem como os seus complementos “Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura” e “Fundamentos da Metafísica dos Costumes”), que marcou grande parte da filosofia contemporânea, é bastante tardia: começou a publicar esta série aos cinquenta e sete anos, em 1781, embora sexa verdade que começou a trabalhar na “Crítica da Razón Pura” uns doze anos antes e que manteve unha década de silêncio, na qual non publicou nada de importante e se concentrou exclusivamente na preparaçón desse revolucionário libro de metafísica e teoria do conhecimento. Ainda assim, a sua transformaçón em “Copérnico da filosofia” non foi precoce. Situa-se por volta de 1770, aos quarenta e seis anos. Talvez a evoluçón non sexa apenas intelectual; unha comprovaçón pragmática indica-nos que cronoloxicamente coincide com a sua passaxem de “privatdozent” para catedrático, o que implica muitíssimo menos horas de trabalho e o fim da dispersón nunha série de matérias para se concentrar na lóxica e na metafísica, disciplinas que formam a maior parte da primeira Crítica. Antes daquele ponto de inflexón que orixinou a filosofia crítica nunha idade xá avançada, Kant non tinha questionado os fundamentos do conhecimento: a realidade estava ali fora para ser entendida, era apenas necessário atençón, perseverança e intelixência para identificar o seu código e descifrá-la. Antes da pedrada de Hume, Kant dormia placidamente o seu sono dogmático, non punha em dúvida o fim da actividade cognoscitiva e estava dedicado a encontrar o meio mais propício para obter saberes sólidos. Esta prolongada fase pré-crítica abarcou mais de metade da vida de Kant; nela publicou bastante, mas basicamente tratados científicos breves e monográficos polos quais hoxe só seria recordado por especialistas, apesar de, segundo estes, possuírem orixinalidade e interesse nos seus respectivos campos. O próprio Kant os repudiou num momento posterior á sua redaçón, quando xá tinha embarcado num irreversível processo de problematizaçón do conhecimento e se apercebia da inxenuidade dogmática dos seus primeiros estudos. O habitual é prescindir desses trabalhos iniciais, mas vários estudiosos aludem às linhas de continuidade subterrâneas que há entre as filosofias “pré-crítica” e “crítica”.

JOAN SOLÉ