Arquivos mensuais: Decembro 2021

DIDEROT (A SEXUALIDADE E AS QUESTÓNS MORAIS)

Diderot aproveita os relatos de viaxens para defender que non faz sentido misturar a sexualidade com as questóns morais, como podemos ler neste fragmento: “Ora, como quereis que as leis sexam observadas quando elas se contradizem? Percorrei a história dos séculos e das naçóns, tanto antigas como modernas, e encontrareis os homes suxeitos a três códigos, o código da natureza, o códigp civil e o código relixioso, e coaxidos a infrinxir alternadamente os três códigos que nunca estiverom de acordo. (…) As instituiçóns relixiosas ligaram os nomes de vícios e virtudes a acçóns que non eram susceptíveis de qualquer moralidade. (…) O império da natureza non pode ser destruído: em ván procurar-se-á contrariá-lo por meio de obstáculos, ele haberá de perdurar. Escrevei quanto vos aprouver sobre tábuas de bronze, para me servir das expressóns do sábio Marco Aurélio, que a fricçón voluptuosa de dous intestinos constitui crime, o coraçón do home ficará comprimido entre a ameaça da vossa inscripçón e a violência dos seus pendores. Mas esse coraçón indócil non cessará de reclamar; e cem vezes, no curso da vida, os vossos preceitos aterradores desapareceram aos nossos olhos.”

(Denis Diderot, Suplemento à viaxem de Bougainville, ou Diálogo entre A e B sobre o Inconveniente de Ligar Ideias Morais a Certas Acçóns Físicas que as non Comportam.)

ROBERTO R. ARAMAYO

LITERATURA CASTELÁN (O DEBATE)

LA DISPUTA DE “ELENA Y MARÍA”

Este debate foi dado a conhecer e minuciosamente estudado por Menéndez Pidal em 1914. Conservou-se num minúsculo caderninho, formado por trozos irregulares de papel, de non mais de seis centímetros de lado. Menéndez Pidal pensa que foi escrito alá polo 1280, e o seu autor procedería -segundo se deduce por certas formas lingüísticas- de terras de León, Zamora ou Salamanca. Consta a obra de 402 versos, predominantemente octasílabos, agrupados em pareados, consoantes na sua maioría. A poesía contída neste manuscrípto refere unha disputa habida entre duas irmáns nobres ou fidalgas: María, namorada dum abade, e Elena, amiga dum cabaleiro, sobre qual dos dous amantes sería o melhor. “María estima no seu clérigo a vida tranquila e regalada que leva; come abundantemente, dorme em leito bem mulhido, tem dinheiro, roupas e serviço em abundância, mulas e cabalos; quando avála de manhám para os seus maitines, se há grandes xeádas, vai bem arroupado, envolto na sua capa forrada com peles de cordeiro, e a este teor, a sua amiga non carecería de nada…” María satiriza a continuaçón ao cabaleiro amante de Elena, mas esta “responde muito enoxada que o cabaleiro anda sempre entre nobres xentes, e recebe em palácio boa soldada com que mantém os seus escudeiros, entretêm-se nos mais nobres desportos, nos torneos combatendo polo amor da sua dama, na caza de ribeira com falcóns perseguindo garzas e abutardas. O clérigo resulta desaxeitado, barbirrapado e gordo de pescoço, que parece um sapo. Para derimir a disputa, ambas irmáns se encaminham cara à côrte do rei Oriol, “grande xuíz em casos d’amor”; chegadas à sua presênça, no meio de unha côrte faustuosa animada por todo xénero de regocixos e belezas, Elena começa a defender o seu caso, mas aos poucos versos desgraçadamente interrompe-se o manuscrípto, falto também de começo e com algunhas lacunas na sua metade, e quedamos sem conhecer o desenlace. O tema deste “debate” conhecera diversas versóns em várias literaturas europeas, e tinha sido escolhido igualmente pola literatura latina medieval, às vezes em poemas descaradamente satíricos -como o que descrebe o concílio das monxas benedictinas do mosteiro de San Romarico- ou na forma mesurada e cortês, como a “Altercatio Phyllidis et Florae”, ambos escritos probábelmente por meados do século XII. A “disputa de Filis y Flora” foi imitada por um poeta françês que escrebeu -a finais do século XII ou começos do XIII- “Le Juguement d’Amour”, obra que tivo enorme êxito e foi repetidamente imitada e refundida. Unha das suas imitaçóns, “Hueline et Eglantine”, acentuaba muito mais os rasgos satíricos, à diferença de “Le Juguement”, que acolhe numerosos elementos decorativos e fantásticos, artificiosamente poéticos. A intençón satírica de “hueline” foi continuada e intensificada por dous poemas anglonormandos: “Florence et Blancheflour” e “Melior et Idoine”, que xá descendem a detalhes da realidade vulgar, a vezes inclúso grosseira.

J. L. ALBORG

HUME (A INSIGNIFICÂNCIA CÓSMICA DA MENTE)

CRÍTICA AO ARGUMENTO DO DESÍGNIO

Mesmo admitindo, a título de hipótese, que a analoxia entre os artefactos e o universo é forte, daí non decorre que “o argumento do desígnio” sexa bom. O desígnio, diz Hume, é unha das causas existentes na natureza (xuntamente com o calor, o frio, a atracçón e a repulsón, etc…), e, tanto quanto sabemos, apenas unha das formas como algunhas partes da natureza axem sobre outras. Ora, em primeiro lugar, non é lexítimo inferir algo acerca do tudo a partir unicamente do que sabemos acerca de unha das suas partes, sobretudo se, como é aqui o caso, existe unha grande desproporçón entre essa parte e o tudo. Em segundo lugar, mesmo admitindo, a título de hipótese, que fosse lexítimo passar da parte para o tudo, non há qualquer razón para escolher o pensamento e o desígnio, que tudo indica ser um princípio insignificante e limitado. Em terceiro lugar, mesmo admitindo que, ao contrário daquilo que a experiência parece permitir, tivéssemos a certeza de que o pensamento e o desígnio som muito mais comuns no universo, isso non nos permitiria fazer extrapolaçóns relativas ao período da sua formaçón e concluir que seriam esses mesmos princípios os utilizados nessas circunstâncias.

DAVID HUME

O ILHA (3)

O DRAMA DO PALÁCIO DOS FUMOS

Estamos cansados de fumar.

Contemplamos como a vida se desfaz,

como o fumo que enviamos para o ar depois de beijar profundamente o cigarro.

Vivemos com problemas próprios e alheios.

Fumamos;

queimamos constantemente alguma coisa

quer por vontade própria ou pela vontade do governo de turno

que dizendo que nos está a salvar,

nos empurra mais um bocadinho para a cova.

JOSÉ LUÍS MONTERO

PLOTINO (PLATONÓPOLIS)

Após a sua axitada viaxem pola Ásia e a morte de Amónio, Plotino descartou a hipotese de voltar a estabelecer-se em Alexandria, onde apenas esteve de passaxem para honrar a memória do mestre e selar um pacto com Erénio e Orígenes (os seus principais condiscípulos) que consistia em non revelar nem leccionar os ensinamentos non escritos de Amónio (razón pola qual Plotino xamais o nomeará nos seus escritos). Este “acordo de cavalheiros” procurava garantir que nenhum deles tirasse benefício pessoal dos seus apontamentos das aulas, que deveriam ser reelaborados de forma orixinal. Dando por concluída a sua formaçón, Plotino voltou as suas atençóns para Roma, onde ambicionava unha carreira como docente. Chegado à capital, montou a sua própria escola no ano 246, valendo-se de um subsídio estatal recebido pouco depois, durante o reinado de Galiano, que o tomou em alta estima desde o momento que o conheceu, debido à sua importância como filósofo. As aulas de Plotino na sua escola de Roma eram gratuitas e de entrada libre. Ao longo dos quase vinticinco anos que duraram, assistiram a elas pessoas de todas as classes sociais e credos relixiosos, incluindo cristáns, gnósticos e membros de escolas filosóficas rivais. Destacou-se também a elevada presença femenina, começando pola esposa do imperador Galiano, Salonina, que sentia por Plotino unha grande admiraçón. A escola recebia a visita habitual de numerosos membros do senado, o que é surpreendente por se tratar de um filósofo tán alheio à vida pública. Plotino non só viveu sempre afastado da política (o que naquel tempo complicado era unha espécie de mostra de integridade pessoal), como também fez o possíbel por desencoraxar os seus conhecidos quando tentavam entrar neste campo. Além disso, ao contrário de Platón e Aristóteles, mostrou um aberto desinteresse pola “razón política”, incluindo a organizaçón do Estado e as condiçóns cívicas da filosofia, assim como pola lóxica e polas técnicas argumentativas. Um sintoma do seu afastamento da “polis” é que, aproveitando os seus âmplos contactos no senado e o seu tratamento favorábel por parte de Galiano e Salonina, Plotino lhes tenha pedido para restaurar unha “cidade de filósofos”, que existira noutros tempos na Campânia, e para a qual ele mesmo se retiraría xuntamente com os seus discípulos. A cidade (na verdade, mais unha comunidade utópica) seria chamada “Platonópolis” debido à sua pretensón de aplicar as “Leis” que Platón elaborara no diálogo com esse nome, o último que escreveu. O proxecto, no entanto, foi minádo polas diverxências entre o imperador e os senadores.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

escola

ARAGONTA RAINHA DA GALIZA

Galicia é un dos exemplos de pobos, nos que intentar facer historia ofrece poucos pontos de partida, e está a cotío interrumpida por grandes lagoas. En muitas ocasións o único que se conserva som novas incompletas polas que se fai moi difícil capta-lo pasado e poder chegar a comprendelo ó traveso do vidro do presente; de manter ese necesario proceso continuo de interacción entre o historiador e os seus feitos. Algo disto acontece co tema que estamos a tratar. O que nos din as antigas crónicas sobre a rainha Doña Aragonta, fundadora do Mosteiro de Santa María de Salceda, é moi pouco. Nun artigo pubricado no Faro de Vigo o 11-04-1982, adiantabamos que a devandita raiña era filha dos nobres condes D. Gonzalo e Doña Tareixa, fundadores dos mosteiros de Carboeiro e Camanzo, emparentados coa familia de San Rosendo, quen despois de renunciar ás inquedanzas da Sede Episcopal de Compostela, recolheu-se no seu Mosteiro de Cela-nova, do que foi abade desde o ano 959, data na que morre o primeiro abade Franquila, hoxe no catálogo dos santos, ata o ano 977 no que morreu. O noso interés móvese hoxe na percura dunha expricación obxectiva sobre a súa determinación de elexir precisamente Salceda, despois do acto altamente reprobado e escandaloso do seu home D. Ordoño II de abandoa-la súa dona para vencellarse coa Doña Sancha, filha de D. García Sánchez, rei de Navarra. Non podemos esquecer que Salceda está encravada nunha fértil terra que dista como legua e meia da cidade de Tui. Dentro do conxunto de casas, castelos, mosteiros e vilas que na Edade Media estaban integradas no señorío eclesiástico da cidade do Miño, a antiga Saliceta forma, xunto cos realengos de Soutelo e San Xoán dos Paramios, co Mosteiro de Bodiño e o castelo de Entenza, un cuadro no que se van pousar doadamente os ollos da nobre dona, que véndose abandoada, tentou de buscar un Home mais fidel, de se retirar a um lugar tranquilo, aleccionada xa da fraxilidade das cousas humans. Non é de extrañar, pois, que arredor destes lugares, tinxidos de silencio e beleza, de xente humilde e traballadora, xurdiran os pazos señoriais dos Aballe, Pegullal, e Picoña. O derradeiro, foi construido durante o reinado de Felipe II, no ano 1590; co seu claustro alto e o seu portal labrado a cincel, é um dos mais ridentes que esmaltaron a nosa incomparable terra galega, e a él van xunguidos os apelidos ilustres dos Troncoso e Liria, moi coñecidos nas revoltas do antigo Reino de Galicia, e ós que S.S. Gregorio X concedeu varios privilexios.

ANGEL S. PORTO UCHA