
Husserl, estudou também física, matemática, um pouco de filosofia (de orientaçón empirista e psicolóxica, dado que o seu professor em Leipzig nesta matéria ter sido wilhelm Wundt, psicólogo reputadíssimo da época). Nos três semestres passados em Leipzig, o maior fruto obtido por Husserl foi a amizade de Thomas Masaryk. que se tornou seu mentor, visto ser quase dez anos mais velho do que ele. Posteriormente, Masaryk foi o primeiro presidente da República Checoslovaca. Na época em que conheceu Husserl, a principal influênça que sobre ele exerceu foi dar-lhe a conhecer o Novo Testamento e Franz Brentano. Mas no início Husserl non quis obedecer às indicaçóns do mentor e non foi para Viena para se encontrar com Brentano, mas sim para Berlim, para a escola do grande matemático Karl Weierstrass. A filosofia non ficou totalmente abandonada, mas o seu principal professor em Berlim, Paulsen, non podía oferecer-lhe grande cousa. Husserl preparou em Viena, entre matemáticos, o seu doutoramento. A dissertaçón, “Contribuiçón para a Teoria do Cálculo de Variáveis” (Beiträge zur Theorie der Variationsrechnung), foi aprobada em Outubro de 1882. Nesta nova estada em Viena, a amizade próxima de Masaryk fez com que ele concebesse o propósito de “encontrar o caminho para Deus e para unha vida de verdade através do conhecimento filosófico estricto”, como escrebeu nunha carta trinta anos depois (1919). Pola minha parte, estou intimamente convencido de que o peculiar tolstoiano em matérias evanxélicas, que Husserl era nunca abandonou este programa. Quando assistiu, xá retirado da sua cátedra, à consagraçón da sua querida alumna Edith Stein no Carmelo, disse sentir essencialmente a mesma atraçón fortíssima face à imitaçón de Cristo, só que por um caminho realmente pouco frequentado. Relativamente a esse propósito, o problema era, xustamente, a falta de carácter científico, em qualquer dos sentidos mencionados antes, que a filosofia universitária daquele momento apresentaba. No semestre do verán de 1883, Husserl estaba de novo em Berlim para trabalhar como assistente privado de Weierstrass; mas rapidamente teve de regressar ao território imperial para fazer o serviço militar. Ao conseguir, por fim, que o seu destino fosse Viena, assistiu às aulas de Brentano. Delas, seguidas durante quatro semestres, extraiu a convicçón que lhe deu “coraxem para escolher a filosofia como profissón para a vida: a de que também ela pode e debe ser um campo de trabalho sério; a de que pode e debe ser tratada no espírito da ciência rigorosa”. De facto, na mesma carta de 1919, mencionaba “poderosíssimas vivências relixiosas” e íntimas revoluçóns como transiçón entre a vocaçón matemática e a filosofia.
MIGUEL GARCÍA-BARÓ