Arquivos diarios: 16/01/2021

ROUSSEAU (MÚSICA PARA A ENCICLOPÉDIA)

Até fazer quarenta anos, Rousseau considerou-se a si mesmo sobretudo músico e, de facto, a maior parte dos seus rendimentos deviam-se à sua actividade como copista de partituras musicais. A sua relaçón com a música non foi apenas afectiva, mas também intelectual. Costuma recordar-se a sua faceta de compositor, citando a ópera “O Adivinho da Aldeia” (1752), mas redixiu igualmente quase quatrocentos artigos sobre música para a Enciclopédia (1749) de Diderot, um “Dicionário de Música” (1764) e um “Proxecto de Novos Sinais para a Música” (1742), com que pensaba revolucionar a notaçón musical, simplificando-a através de algarismos. Non tinha dúvida de que seria aclamado, ao apresentar o seu proxecto de notaçón musical em París perante a Academia das Ciências, ao propor unha revoluçón neste âmbito, como indica no libro I das suas “Confissóns”. A decepçón foi enorme, ao comprobar o desdém com que unha comissón composta por um matemático, um químico e um astrónomo o xulgou. Semelhante fracasso levou-o a viaxar para Veneza, onde conheceu a música italiana e aproveitou, de algunha maneira, o seu código musical para descifrar a correspondência encriptada da embaixada francesa, da qual se fez passar por secretário, embora tenha sido contratado, mais unha vez, como simples lacaio. A história de Veneza parecia-lhe apaixonante e foi ali que concebeu o proxecto de redixir algum dia unha obra intitulada “Instituiçóns Políticas”, da qual só unha pequena parte viu a luz em “O Contracto Social”. Por outro lado, o vexame a que o embaixador francês o submeteu contribuiu, xuntamente com muitas outras experiências pessoais, para exacerbar a sua indignaçón face às inxustiças sociais.

ROBERTO R. ARAMAYO