Arquivos diarios: 04/01/2021

ANTÓN CHÉJOV (A GAIVOTA)

A gaivota desarrolha-se nunha finca, na qual descansa a actriz Arkadina, famosa, ainda que xá em declíve, com o seu amante, Trigorin, um renombrado escritor. O filho de Arkadina, Konstantin Tréplev, dramaturgo principiante, está namorado de Nina Zaréchnaia, unha xovem que sonha com ser actriz. Por sua parte, ésta enamora-se de Trigorin e escapa com el. Tréplev suicida-se. A gaivota é um símbolo pressente em toda a obra, ainda que se présta a diferentes interpretaçóns: é representaçón da arte pura e valente e à vez expressón do amor ferído e tráxico. Finalmente, a ave abatida simboliza a arte morta, carente de emoçóns e falta de inspiraçón. A história escênica d’A gaivota resultou muito accidentada. A sua posta em escêna no teatro Aleksandrinski de San Petersburgo constituíu um fracaso total. A obra foi acolhida com asobíos e pateado do público. Chéjov, pressente na sala, escrebeu depois do espectáculo: “O teatro transpiraba animosidade, o aire estaba cargado de ódio, assim que, segundo as leis da física, saím de San Petersburgo disparado como unha bomba”. Pesse ao humor destas palabras, o certo é que o fracasso afectou sériamente a Chéjov, cuxa tisis se agravou ainda mais. Dous anos mais tarde, em 1898, dous xovens realizadores de Moscovo, Stanislavski e Nemiróvich-Dánchenko, lograron com muito esforço a autorizaçón de Chéjov para repôr “A gaivota”. O papel de Arkadina foi interpretado pola xovem actriz Olga Knipper, que em 1901 se convertiria em esposa de Chéjov. O espectáculo obtívo um éxito clamoroso e desde entón, o nome de Chéjov, quedou ligado para sempre ao de Stanislavski. A gaivota com as assas estendidas ao voo converteu-se no emblema do Teatro d’Arte de Moscovo. Tio Vania (1897) nasceu como unha segunda versón de O Silvano, escrita em 1889. O seu protagonista é Iván Voinitski, o tio Vania, um home que estivéra vinticinco anos ao serviço do professor Serebriákov; como acredita ser mediocre, sacrificou toda a sua vida, para que Serebriákov poidéra ofertar toda a sua sabeduría ao mundo. Mas, aos vinticinco anos de entrega abnegada, o tio Vania cai na conta de que o professor Serebriákov non passa de um home vulgar, estólido e egoísta. Tras esse instante de lucidez e o correspondente estalhido de protesta, Vania volta à sua labor quotidiana, agora sabendo que a sua vida non tem sentido e que debe vivê-la sem ilusón algunha, sem suster ningunha esperança, como se fora um castigo.

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