Arquivos diarios: 03/01/2021

HEGEL (O CÁN MORTO DA FILOSOFIA)

As críticas mais sarcásticas contra a filosofia hegeliana foram provocadas polo seu exacerbado idealismo. Convencidos de que a filosofia nunca se debia separar do senso comum, certos autores consideraram que a luta contra a deriva idealista constitui quase um imperativo. Nesta ideia confluem posiçóns non apenas diversas, como por vezes antitécticas, desde um certo marxismo que, na expressón “materialismo dialéctico”, insiste sobretudo no peso do primeiro termo, até um pragmatismo que, de certa forma, mais do que opor-se ao idealismo, se opôn em xeral à disposiçón filosófica. Neste ponto, o ataque a Hegel é, por vezes, unha espécie de pretexto para arremeter contra a corrente filosófica chamada “neokantismo”. Num ensaio que tem o significativo título de “Idealism: A Victorian Horror”, David Sove apresenta de forma caricatural a posiçón hegeliana. Esta consistiria em incitar o leitor a pôr entre parênteses o seu “xuízo” fiel ao senso comum para, posteriormente, convencê-lo de que as cousas non existiriam sem o pensamento das cousas, e, por último, conferir grandiloquência a esta posiçón, asseverando que este pensamento non se reduziria à mera subxectividade, mas que se trataria do pensamento comum, coral, colectivo, absolucto. Tendo em conta o que foi referido anteriormente, non é de estranhar que quando o filósofo catalán Ramón Valls Plana iniciava unha conferência num congresso filosófico-científico sobre a evoluçón do conceito de natureza, ao anunciar que a sua intervençón se apoiaria em Hegel, acrescentasse: “Hoxe, o cán morto da filosofia”. Tremenda metáfora nas palabras de alguém a quem devemos o mais claro e incisivo libro que se escreveu sobre a “Fenomenoloxía do Espírito de Hegel”, que alguns consideravam o “Aristóteles dos novos tempos”, e que era comparado a um despoxo na valeta, que os transeuntes evitam polos odores fétidos que exhala ou que acabará por exhalar. Este episódio aconteceu há quinze anos e o ilustre intérprete de Hegel sabia perfeitamente que, num contexto onde participabam non apenas filósofos da ciência, mas também eminentes cientistas, evocar a filosofia da natureza do idealista alemán constituía quase unha provocaçón

VÍCTOR GÓMEZ PIN