Arquivos diarios: 02/11/2020

THOMAS S. KUHN (A ESTRUCTURA DAS REVOLUÇÓNS CIENTÍFICAS)

Em “A Estructura das Revoluçóns Científicas, Kuhn apresentou unha visón da actividade científica radicalmente inovadora e em contradiçón com a dominante até entón na filosofia da ciência. Alguns comentadores assinalaram que essa nova perspectiva tinha algúns antecessores, como o historiador xá mencionado Alexandre Koyré, o médico e filósofo Ludwik Fleck e o filósofo da ciência Stephen Toulmin, entre outros. Em todo o caso, é indubitábel que, pola articulaçón e polo desenvolvimento das teses, pola sua elaboraçón e precisón posteriores, e sobretudo pola enorme influênça que exerceram na filosofia da ciência (e non só), pertence a Kuhn o protagonismo no surximento da nova concepçón das características essenciais das ciências empíricas. Em “A Estructura das Revoluçóns Científicas”, Kuhn trata de forma compacta quase todos os temas fundamentais da filosofia da ciência nunha perspectiva completamente inovadora. Vexamos quais som os elementos essenciais da nova abordaxem. É frequente interpretar o significado da “revolta historicista” na filosofia da ciência, de que Kuhn foi o grande protagonista, como argumento a favor de unha perspectiva histórica na análise da ciência. No entanto, seria unha interpretaçón demasiado restrictiva das consequências epistemolóxicas e metodolóxicas da abordaxem Kuhniana. Com efeito, Kuhn também oferece unha perspectiva nova sobre o que poderíamos chamar a estructura “estáctica” da ciência, independentemente do seu devir histórico, sobretudo no que concerne ao conceito de teoria científica e à relaçón entre teoria e experiência. Para comprehender devidamente este ponto é preciso recordar alguns elementos essenciais da forma como os filósofos anteriores a Kuhn, sobretudo os positivistas lóxicos e Popper, conceberam a estructura das teorias científicas, a sua relaçón com a experiência e as relaçóns entre teorias rivais. Na concepçón clássica da ciência, unha teoria científica consiste nunha série de axiomas ou princípios fundamentais, formulados nunha linguaxem específica própria, que costuma ser classificada como “linguaxem teórica”. Desses axiomas som extraídas as suas consequências lóxicas (os teoremas), que som contrastadas com a experiência (observaçóns ou experiências), descrita nunha linguaxem completamente independente da teoria, precisamente o que se denomina “linguaxem observacional”. A linguaxem teórica e a observacional debem, em princípio, estar ligadas entre si, por intermédio de um tipo mixto de proposiçóns chamadas “regras de correspondência”, que vinculam alguns dos termos teóricos a alguns dos observacionais. A título de exemplo, consideremos a termodinâmica dos gases. A conservaçón da enerxia e o aumento da entropia em todo o processo termodinâmico som dous dos princípios da teoria. Neles aparecem as expressóns “enerxia” (interna) e “entropia”, tipicamente teóricas (ninguém pode abservar, quer dizer, ver, ouvir ou tocar a enerxia interna de um gás ou o seu aumento de entropia). Desses (e de outros) princípios teóricos podem deduzir-se certos teoremas, que, combinados com as regras de correspondência, permitem estabelecer certas proposiçóns observacionais, por exemplo, a proposiçón “Se aquecermos um gás a unha pressón constante, ele dilatar-se-á” (em que aquecer e dilatar som termos claramente observacionais: podemos perceber directamente quando se aquece um gás ou quando se dilata). Podemos verificar pola experiência que esta proposiçón é correcta.

C. ULISES MOULINES