Arquivos diarios: 19/10/2020

BERGSON (DO LICEU CONDORCET À ÉCOLE NORMALE)

Como adolescente, foi um proeminente alumno do Liceu Condorcet, um dos mais antigos e prestixiados da capital francesa. Aí beneficiou de unha formaçón integral, igualmente esixente em ciências e letras, na exactidón e na composiçón, o que xerou unha certa tensón entre os seus professores quando o aconselharam sobre a sua escolha posterior. Aos 18 anos, non por acaso, foi escolhido para ingressar na École Normale Superieure, instituiçón criada após a Revoluçón e potenciada por Napoleón, que ainda hoxe se encarrega de selecionar os melhores alumnos para os transformar na vanguarda docente da França. Quando se decidiu polas letras, o seu professor de matemática entoou um célebre e profético lamento: “você teria sido um matemático; agora non será mais que um filósofo”. Bergson ganhara, meses antes, o prémio nacional do importante Concurso Geral de Matemática ao apresentar a soluçón para um problema de Pascal sobre círculos tanxentes. Esta foi, ironicamente, a primeira publicaçón de um autor chamado a pôr a descoberto os abusos da ciência do seu tempo. Xá na École Normale, fez parte de unha turma histórica que incluía o sociólogo Émile Durkheim, o psicólogo Pierre Janet e o político socialista Jean Jaurès, com quem manteve unha tensa rivalidade polas melhores notas e polo reconhecimento dos seus companheiros. Em certa ocasión, um dos seus professores teve a divertida ideia de que se enfrentassem em público: Jaurès reconstruiria um discurso perdido de Cícero, e Bergson teria de refutá-lo. O choque foi um espectáculo que evidenciou a diferença de temperamentos. Se Jean deslumbrou os seus camaradas pola sua cordialidade e eloquência, fazendo com que eles explodissem em sonoros aplausos, a réplica de Henri foi proferida com tal destreza argumentativa que quando terminou fixo-se um silêncio de assombro: o edificio do seu rival tinha sido meticulosamente e totalmente demolido. Embora o político tivesse sido sempre mais carismático durante os estudos, o filósofo impôs-se no final da licenciatura. Durante estes anos, o xovem permaneceu fiel “sem reservas” à filosofia evolucionista de Spencer. Essa doutrina encarnava o orgulho dos cientistas perante a anacrónica modéstia dos seguidores de Kant e o ecletismo vago de certos espiritualistas franceses, concentrados à volta do influente burocrata Victor Cousin, que Bergson detestaba. Entre tanto conformismo, à sua ambiçón faltava-lhe ar. Para uns, de facto, Kant tinha deixado tudo tán bem feito, que à filosofía xá non lhe restava qualquer marxem de inovaçón. Tudo o que fosse questionar a relactividade do nosso conhecimento era cair novamente em velhos delírios. Para outros, em consonância, filosofar era entoar esgotados discursos que sintetizavam “ad nauseam” as ideias existentes e cantavam as virtudes da relixión histórica. Um pobre consolo para a derrota.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

A LÍRICA GALEGO-PROVENÇAL

Na península producem-se dous importantes núcleos de poesía lírica: o galego e o catalán, âmbos tidos por filhos da poesía provençal, tradicionalmente admitida como a primeira manifestaçón lírica da Europa medieval e mêstra, portanto, de toda a lírica em fala romance. O seu priviléxiado empraçamento em terras férteis de clima suave, e o seu alonxamento de perigosas zonas de guerra, com a riqueza conseguinte e a vida fácil que de tudo isto se deriba, fixerom da Provença um lugar ideal para o cultivo da poesía. Neste ambiente floreceu a partir do século XII unha brilhante escola de trovadores cortesáns, cuxo influxo e maxistério se estendeu por todas as naçóns da Europa. Guilhermo de Poitíers, duque de Aquitania, que vivíu de 1086 a 1127, é o primeiro trovador de nome conhecido, e as suas composiçóns – segundo as palabras do famoso investigador provenzalista Alfredo Jeanroy -, som as mais antigas da poesía lírica nunha fala moderna. Caracterizabam esta poesía o seu refinamento e artificiosidade, a idealizaçón da mulher, a complicaçón e variedade da sua métrica e o rebuscamento na expresón; tudo o qual facía dela um xogo elegante e culto de manifesto estilo cortesán. Como xéneros principais criou a “cançón”, de asunto amoroso; o “serventesio”, de intençón satírica; e a “tensó”, “disputa” ou “partiment”, onde o enxenho dos poetas se esgrimía em torneios verbais sobre os mais variados temas. Esta poesía provençal influiu directamente sobre a poesía catalán, que viria a ser como unha prolongaçón artística e xeográfica daquela (desde os estudos de Milá e Fontanals, a vinculaçón da lírica catalana à provençal constituia um capítulo concluso e seguro da nossa história literária). À Galiza, em câmbio, chega o influxo da Provença através do caminho de Santiago; a afluênça de peregrinos de todos os países que acudíam a visitar a tumba do Apóstolo, atraíu à Galiza grande quantidade de trovadores provençais em busca de público ouvinte para os seus cantos; o seu exemplo, favorecido polo temperám desarolho da fala galega, a especial disposiçón dos seus habitantes e a riqueza e paz daquela esquina igualmente priviléxiada, suscitou a apariçón de unha grande corrente trovadoresca com rasgos muito peculiares, mas substancialmente imitados da lírica provençal. O conxénito sentimentalismo do povo galego e a doçura da sua fala infundirón naquela lírica importada a sensibilidade característica do país; bem entendido que non quedaba ésta limitada ao chán galego, senon que se extendeu a terras portuguesas para formar com esta unha naçón poética. Estas duas terras líricas peninsulares conservam textos bem conhecidos: na catalán, a obra dos seus trovadores; na galega, os três famosos cancioneiros: D’Ajuda; Da Vaticana e de Colocci Brancutti, recopilados no século XIII, contenhem unha esplêndida colecçón da lírica da época. Aquela e esta som manifestaçóns de unha lírica cortesán e aristocrática, composta segundo as régras da “gaya ciência” provençal. Três principais clásses de cançóns, som as que se encontram nos citados Cancioneiros galego-portugueses: As “cantigas de amor”, em que os cabaleiros se lamentam do desdém da amada ou dos rigores da sua ausência; as “cantigas de amigo”, postas em boca da xovem namorada que chora também a ausência do amado, fazendo confidências à sua nái ou amigas, ou dialogando com as aves ou as árbores; e “cantigas de escárnio ou de maldicer”, equivalentes aos “serventesios” provençais – “crónica escandalosa ou burlesca da corte” – , sátiras contra pessoas principais, poetas rivais, damas casadas ou doncelas. A métrica destas composiçóns é muito variada (nela tem especial interés o endecasílabo chamado “de gaita galega”, cuxo ritmo era apropriado para o canto e a dança) e os seus asuntos desarrolham-se, polo comum, nunha forma artificiosa, de grande habilidade técnica; a miúdo o estilo, “mais que lírico é razoador e trabalhado por frequentes conxunçóns”, segundo afirma Menéndez Pidal. A ausência de raízes populares e autóctonas nesta poesía daba-se num princípio por descontada; pesse ao qual, o próprio Menéndez y Pidal advertíu xá logo a presença de elementos populares “de rara inxenuidade e beleza”, que non parecíam chegados do sul da França. Menéndez Pidal nos seus primeiros estudos sobre as oríxes da nossa lírica ampliou e aprofundou sobre estas conclusóns. Os poetas galego-portugueses – afirma – esquecem às vezes as regras da poesía provençal, “abandonan a estrofa âmpla e complicada e cantan nunha estrofa curta ou em pareado apoiado por um estribilho. Entón a expresón poética toma grande soltura lírica e vivifica-se por um sentimento que, descuidado xá de todo artifício, fluie sincero, fresco, candoroso, cheio de verdadeira emoçóm”. Este fenómeno produce-se especialmente nas “cantigas de amigo”, que tomam entón a forma típica do paralelismo: “o lirismo desborda em repetiçóns; éstas agrupam entre sí dous pareados iguais na ideia, iguais quase nas palabras, salvo com rima diversa, formando así um acorde musical de duas frases paralelas; a estes pareados xemelos seguem outros dous, que repetem a metade dos anteriores, e nestas reiteraçóns insistentes o efeito da alma dilata-se, remansa-se, repousa. A repetiçón paralelística adquire na lírica galaico-portuguesa um predomínio muito característico; non obstante, com menos desarrolho é também conhecida em muitas literaturas, pois é muito humano que a linguaxe simples dos grandes efeitos non se sacie de repetir a sua sinxéla expresón emotiva”. (Logo quedará de manifesto a importancia de tais palpitaçóns da lírica popular que se auscultam no meio da habitual artificiosidade dos cancioneiros galego-portugueses mencionados; elas demostram a existência de unha primitiva lírica, popularmente espontânea, anterior aos influxos provençais.) Polo que atanhe à lírica castelán deu-se muito tempo por concluso o capital influxo que a lírica galega tinha tido nas suas orixens. Até finais do século XIV ou começos do XV os poetas de Castela tinham recorrido ao uso do galego para expresar os seus sentimentos líricos. Alfonso o Sábio, autêntico criador da prosa castelán, tinha escrito em galego as suas “Cantigas a la Virgen”, e os mais antígos poetas do Cancioneiro de Baena cultivabam todavía o galego ou o alternabam com os seus primeiros tanteos em castelán, sendo necessário chegar aos mais modernos da colecçón para encontrar-nos com exclusivos cultivadores dessa fala. Em consequência, a lírica castelán tinha recebido da galega, com o impulso de quem a orixinaba, non só o seu espírito senón todas as regras da sua arte, os xéneros líricos, a variedade das suas cançóns e as combinaçóns métricas.

J. L. ALBORG