
A Poesia toda de António Botto (1897 – 1959), com ediçón, introduçón e cronoloxia de Eduardo Pitta, num volume de mais de 800 páxinas. Botto desde o seu primeiro libro deu que falar, por unha série de factores, entre eles a novidade e a musicalidade dos seus versos. Aliás a 1ª ediçón do seu primeiro libro, “Cançoes”, saído em 1921, teve logo o prefácio de Teixeira de Pascoaes, o qual quer dizer muito (recorde-se que nessa ediçón, incluía somente “Adolescente” -e que só em sucessivas ediçóns de “Cançoes” haberiam de ser incluídos novos libros). O poeta, foi eloxiado polos seus contemporâneos, como Fernando Pessoa, que prefaciou um dos seus libros, ou José Régio, que lhe dedicou um ensaio; chegando a ser tido como um dos mais destacados poetas portugueses, e sem dúvida dos mais conhecidos. Até no Brasil, para onde foi em 1947, aí vivendo – e vindo a entrar nunha progressiva “decadência”, até morrer atropelado, em 1959, com sessenta e um anos de idade. Entretanto, publicou muito, do bom ou razoável ao péssimo, como neste volume poderemos apreciar. Eduardo Pitta, na dúzia de páxinas da introduçón, sintetiza e comenta bem o seu percurso de vida e também como poeta, começando por salientar que: “criado em Alfama, sem educaçón formal, nómada dos bairros populares, aspirante a actor, axudante de libraría, mitómano, tudo o afastou do padrón de respeitabilidade do seu tempo. Non obstânte, acabou impôndo-se ao “milieu” literário.” E termina: “por todas estas razóns, António Botto non pode ser ignorado. Assim esta ediçón consiga trazer de volta um poeta há muito desaparecido.”
JORNAL DAS LETRAS (2018)