Arquivos diarios: 01/03/2020

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (101)

Sonho realizado! Como o Senhor Dom Alamartin (de Trancoso), foi o primeiro que me receitou as pildoras de Brandreth. Dixo-me como as tinha que tomar, etc… e acabou polas bendecir na minha presença, levando-me depois ó quarto de bendiçóns… e como foi el também que me fixo os desenhos todos e instrucçóns referentes ó dito asunto. Despois, receitou que me fixeram uns evanxélhos (Soutullo), vexa-se páxina 125 ó final e 126. Parece haber-se realizado aquí o sonho da páxina 83 ó final e 84. Outubro de 1918. O dia 13 de Outubro de 1918, ainda que doente, fún à festa do Pilar, onde fai três anos tomei alí unha afeiçón de amor (Rosalina do Sacristán de Cumiar) e desde entón vim-na poucas vezes, e hoxe alí a deixei. O 14, fún xunto do Bautista do Piño, buscar meio quartilho de azeite, um ramo de romeo e ademais dez centávos de aguardente. Ó chegar à casa, probei meio dedal de aguardente, despois colhím o romeo, saquei duas flores e mastiguei-nas, engolindo apenas a saliba e deitando fora as flores (Aquí foi a minha disgrácia, e a minha morte), quedei arrepiado, o sangre subíu-se-me à cabeza, e rebentou polos olhos, pola língua, polo naríz… era cada talhada do tamanho da cabeza de um dedo. Sacarom-se-me as ganas de comer, estaba seco e pálido, na cara e nas máns, como se fora um difunto talmente. Completamente louco, ouvindo voces desconhecidas, perdendo o tino de todo e de tudo. Fún reformar o testamento, porque temía a morte por puntos. Assím, conforme puidem, marchei a Trancoso (Alamartin) consultar a mesa, perguntou se o romeo me fixéra mal, por ter aire malo, dixo que sí, etc… e non quixo perguntar mais. Dixem-lhe que perguntáse, se tinha cura, e negou-se, gritando comigo, que tinha cura e que fora fazer uns evanxélhos, senón que me fodese… Fún para xunto da “Peseta” (páxina 137), que dixo que me perdoaba tudo, que non fixéra nada que lhe desse mal e parara. E, estando ela sacramentada, afirmou que sanaria. Entón, dei-lhe a despedida com 100 centávos. Logo, abrazou-se a mim, decindo: “Adios, Dios queira, que se nón nos vemos mais, que nos vexámos xuntos alá no Céu.” Logo, voltei por Queimadelos, e encontrei a Senhora Tomaza, que me pedíu que vinhera outro dia, pois andaba com duas xornaleiras. Cheguei a casa por volta das cinco da tarde, e fún-me deitar. Frétas e mais frétas, e eu cada vez para pior, ademais de perdidas as faculdades intelectuais.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

CADA CULTURA TEM A LOUCURA QUE MERECE

A loucura só existe na sociedade! “A loucura non se encontra no estado selvaxem. só existe na sociedade, non existe fora de formas de sensibilidade que a isolam e de formas de repulsa que a excluem ou a capturam. Assim, pode dizer-se que, na idade Média e depois no Resurximento, a loucura está presente no horizonte social como um facto estéctico ou quotidiano; no século XVII – a partir do internamento -, a loucura atravessa um período de silêncio, de exclusón. Perdeu esta funçón de manifestaçón, de revelaçón que tinha na época de Shakespeare e de Cervantes (por exemplo, Lady Macbeth começa a dizer a verdade quando fica louca); torna-se ridícula, mentirosa. Por fim, o século XX apossou-se da loucura, e reducíu-a a um fenómeno natural, ligado à verdade do mundo. Desse acto de posse positivista derivaram, por um lado, a filantropia desprezíbel que toda a psiquiatria manifesta para com os loucos e, por outro, o grande protesto lírico encontrado na poesia, de Nerval a Artaud, que é um esforço para dar novamente à experiência da loucura unha profundidade e um poder de revelaçón que tinham sido aniquilados polo internamento… Unha das obxeçóns do xúri (que xulgava o texto como tese doutoral) foi, precisamente, que o meu obxectivo era tentar refazer o “Eloxio da Loucura”. Non foi assim: eu quis dizer que a loucura non se tornou obxecto de ciência mais do que na medida em que ela foi despossada dos seus antigos poderes… Mas quanto a fazer com isso unha apoloxia, non. Afinal de contas, cada cultura tem a loucura que merece. Se o louco é Artaud e quem permitiu a sua encarceraçón foram os psiquiatras, enton o tema é chocante…”

MICHEL FOUCAULT