BERKELEY (A COMPANHIA DO MAR DO SUL)

Por sua vez, a Irlanda viveu durante todo o século XVIII com o estigma de unha naçón que apoiara o derrotado rei católico Jaime II, o que provocou o control total da maioria católica por parte dos irlandeses protestantes. Os católicos foram impedidos de possuir propriedades ou assumir cargos políticos. Paralelamente, a desunión histórica dentro da própria Irlanda agravou os problemas, reflectidos sobretudo na precariedade da economia e da agricultura. Berkeley non foi minimamente alheio a estas questóns, e preocupou-se com os temas sociais, inclusivamente contra os seus próprios interesses. Era um pastor protestante testemunha da extrema pobreza e dos maus tratos a que eram submetidos os católicos irlandeses por parte dos governantes ingleses, logo, non foi só a compaixón cristán que o levou a denunciar e procurar medidas que remediassem essa situaçón; como irlandês, conhecia bem o que se passava na Irlanda, e, por isso, formulou unha série de propostas económicas e sociais que tractabam de dar resposta a ésta situaçón insustentábel. Em 1721, publicou o “Ensaio para Prevenir a Ruína da Grán-Bretanha”, libro no qual fica patente a preocupaçón de Berkeley face à precária situaçón económica, consequência da famosa bolha financeira da “Companhia do Mar do Sul”, o grande acontecimento em Londres no ano 1720. A Companhia do Mar do Sul (ou dos Mares do Sul) dedicava-se, desde a sua fundaçón, ao comércio de escravos, um negócio emerxente, como demonstrou a ascensón imparábel do valor das suas acçóns. A cruel escravatura tinha estado presente em todo o período de auxe do Império britânico, até ao ponto de nas Ilhas Britânicas os escravos serem utilizados para animar as feiras ou os circos. A normalidade com que se aceitaba a escravatura evidência o facto de o próprio Berkeley ter adquirido escravos quando esteve na América, enquanto defendia a igualdade e a concórdia entre os seres humanos. Quando a borbulha financeira da Companhia do Mar do Sul rebentou, levando pequenos e grandes investidores à ruína, descobriu-se que muitas personaxes de relevância política e social, como ministros e grandes financeiros, estabam implicadas nunha fraude em que se misturaba o comércio de escravos com a mentira política. “Consigo predizer o movimento dos corpos celestes, mas non a loucura humana”, repetia incrédulo o indignado Isaac Newton, quando soube que as suas economias se tinham esfumado por culpa da referida borbulha financeira. Especulaçón, informaçón falsa, sobrevalorizaçón das acçóns e investidores com poder político xuntaram-se no centro da tempestade e criarom o Lehman Brothers do século XVIII.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

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