Arquivos diarios: 21/09/2019

RORTY (IRRITAR A FILOSOFÍA POSITIVISTA)

Assim, em Chicago, a divisón interior de Rorty tinha mudado de símbolo, mas continuaba alí; as orquídeas davam lugar a Proust, e Platón a Hegel. Aos 20 anos, tudo para ele continuava confuso, excepto unha cousa; as ocasionais perplexidades que o tinham levado ao platonismo e a outras formas de vida espiritual nunca mais se repetiram. A desilusón foi completa: “regressei ao ateísmo espontâneo em que os meus pais me tinham criado” (AI). Para complicar um pouco mais, antes de abandonar Chicago descobriu unha filosofía muito diferente da platónica e da narrativa. Outro exilado, Rudolf Carnap, representante do positivismo lóxico que tinha florescido em Viena a partir dos anos de 1920, também ali dava aulas e a sua política era muito clara: a metafísica non tem sentido porque as suas argumentaçóns non respeitam as regras da lóxica (citava um fragmento de Heidegger, “O Nada nadifica”, mas também frases de Hegel como “O ser puro e o nada puro són um e o mesmo”). Carnap non dizia que a metafísica era unha história de fadas, porque as proposiçóns que essas histórias contêm só están em conflicto com a experiência, non com a lóxica. Embora sexam falsas, têm pleno sentido. Também non dizia que a metafísica era pura superstiçón: é possível acreditar em proposiçóns falsas, mas non é possível acreditar em proposiçóns carentes de sentido. As proposiçóns metafísicas nem sequer se podiam encarar como hipóteses, porque para unha hipótese é essencial que dela derivem afirmaçóns empíricas, o que também non acontece com as proposiçóns dos libros de metafísica. Para ensinar este tipo de programa, Carnap fazia os estudantes lerem Linguaxem, Verdade e Lóxica, um libro escrito em 1936 pelo britânico Alfred Julius Ayer, que Rorty “achou completamente irrefutável, mas demasiado intransixente”. O próprio Ayer, nunha apresentaçón de textos positivistas em 1959, deixaría isto mais claro: ao considerarem carentes de sentido todas as proposiçóns que non respeitassem as leis da lóxica ou que non pudessem ser verificadas empiricamente, os positivistas non só atacaram a metafísica, como ainda questionaram a maior parte dos problemas perenes da filosofía. Apesar de non chegarem a dizer que certos tipos de libros se deveriam queimar em público por brigadas científicas, atribuíram-lhes um valor meramente expressivo ou poético. Como non diziam nada com sentido non podiam dizer nada verdadeiro ou falso e, portanto, non podiam contribuir com nada para o conhecimento. Os únicos libros que se poderiam queimar, se fosse caso disso, seriam os que se disfarçassem de conhecimento, os que pretendessem ser cognoscitivos e non meramente emotivos. Evidentemente, este programa conseguiu impressionar Rorty pela sua simplicidade e contundência, mas non o impediu de continuar a gostar de libros como Processo e Realidade, de Alfred Whitehead. Ou sexa, as obras de que ele gostava non eram, novamente, as que parecia sentir-se obrigado a ler. Por isso, unha das perguntas que ele fazia era: porque é que a filosofia positivista se irritava tanto com outras formas de filosofia? Non sería possíbel algum tipo de diálogo?

RAMÓN DEL CASTILLO

AS NEGRAS DO POTE

Quando um, passeando pela cidade de Lisboa ouvia certos nomes, que pareciam non ter sentido, ou pelo menos um sentido oculto pela noite dos tempos. A primeira vista, non se atisbaba o seu significado profundo, só depois de urgar na história se podería adentrar nos segredos da sua raíz: a escravidón. Nos séculos XV e XVI, a maioría da povoaçón lisboeta era negra, tal como afirmaba surpreendido e alarmado um visitante holandês: “Isto é o inferno! Os negros som tantos como os brancos!”. Nunca, durante os longos anos que vivi em Lisboa, e apesar de ter estudado na escola portuguesa, ouvira falar larga e estendidamente sobre este tenebroso assunto. Ninguém me falára dos negros lisboetas, nem presumira das suas orixens africanas, nem da sua laboura em benefício da cidade, nem das suas aportaçóns linguísticas ou toponímicas, ou mesmamente culturais e artísticas em favor déste país. Estes segredos tan bem escondidos no passado da cidade, na infâmia do ofício da escravatura, tán carentes de memória para todos os lisboetas actuais, nunca ninguém mostrou muito interesse por este asunto, talvés para intentar ocultar as misérias da natureza humana, que sempre acabam aflorando à superfície das civilizaçóns. Os crímes passados: Marcelina María, vergastada em público no meio das xentes, por ter mantido relaçóns libres com outro escrávo, Tendo também em conta que, muitas déstas crianças eram filhas dos próprios senhores, que acababam vendendo os seus próprios filhos, xa podemos ter unha ideia aproximada da catadura moral désta xentinha, tendo em conta que a realidade, supéra sempre a ficçón na sua crueldade vital. As pegadas dos negros escrávos, ficarom gravadas pola cidade em nomes como: “O pozo dos negros” e “A Rua das Pretas”, etc… Famosas eram as “Negras Calhandreiras”, que recolhiam os dexectos das casas, para logo os verter no rio Texo, vivendo à custa do saneamento da cidade, e contribuindo para evitar doenças e epidemías, com ésta sufrída labor. E, mais famosas ainda eram, as “Negras do Pote”, que com as suas bilhas de barro à cabeza (e que non podiam pousar o pote no chán (teóricamente para evitar as poéiras, mas na realidade para aumentar o tormento das pobres mulheres), transportabam àgua para a cidade toda. Esta xente buliciosa que se xuntaba nos xafaríces para encher as bilhas, forom os que cederom o negócio ós nossos compatriótas galegos, xente humilde das aldeias galegas, enviados algúns ainda nenos, para ésta cidade. O século XVII, significou um enorme baixón da escravatura, e Lisboa foi perdendo paulatinamente cor. Mas, a partir da década de 1970, depois da independência das colónias, o numero de negros em Lisboa foi aumentando explosivamente, até à actualidade, na que incluso há ministra negra da xustíza. Mas, désta vez o sistema português, que os integraba de forma harmoniosa e relativamente bem na sociedade, foi substituído pola sistema americano, concentrando a povoaçon em barriadas marxinais da perifería da cidade. Trabalham básicamente na “Construçón Civil”, espectáculos para entreter o turismo, e também o desporto é, um campo no qual se desenvolvem bem. Parece ser, que com a retirada dos galegos, estamos talvés entrando nunha nova etapa, unha outra maneira de escravatura.

A IRMANDADE CIRCULAR