HERMENÊUTICA GADAMERIANA…

Em Xulho de 27, tendo apresentado trabalhos de interesse sobre o Protréptico de Aristóteles, sobre as investigaçóns de Jaeger (com orientaçón muito crítica) e unha dissertaçón latina sobre Píndaro, Gadamer foi aprovado como possíbel professor de filoloxía clássica. No xúri figurou Heidegger, que, logo no dia seguinte, escreveu a Gadamer em sentido favorábel à sua “habilitaçón” como professor na nova disciplina. A necessária tese foi apresentada, em contrarrelóxio, quase menos de um ano depois. Nela, Gadamer voltará ao Filebo platónico. Mas, nessa mesma altura, morreu o seu pai, e Heidegger (cuxa sombra dizia Gadamer ver a ler, com sorriso sarcástico, por cima do seu ombro, o que ele ia escrevendo com dificuldade) despediu-se de Marburgo para se encarregar da cátedra que o velho Husserl depositaba imprudentemente nas suas mans. Non há muita documentaçón sobre as posiçóns políticas de Gadamer nos turbulentos anos 30, sobretudo quando Heidegger decidiu “liderar o líder” (unha afiada frase de Karl Jaspers, antigo amigo de Heidegger), se tal cousa se podía fazer. Parece que o professor de Marburgo era antes um apolítico com tendências liberais na hora de votar e suficientes amigos xudeus para non se mimetizar com o novo rexime de Hitler. No entanto, assinou, em Novembro do ano em que Hitler chegou ao poder, o manifesto que muitos numerosos académicos alemáns enviaram ao resto do mundo, em apoio ao novo rexime e, expressamente, ao novo chanceler.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

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