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Arquivos diarios: 02/01/2019
HUSSERL (A IDEIA DA FILOSOFÍA)
E agora, a “ideia da filosofía” (e até nos abstemos do respeito ou talvez do receio que o mero som desta palabra, puro grego, nos suscita à partida: xá disse, esqueçamos, por favor, tudo o que sabemos de filosofía – até o seu nome e o sabor do seu nome). “A vida non se pode viver sem exame; non devo simplesmente ser o filho de meu pai; necessito acima de tudo verdade e bem, verdade sobre o bem; tería de me responsabilizar com absolucta radicalidade por cada unha das teses que, por admití-las, me fazem viver como vivo”. Mas é que além do mais a sociedade devería organizar-se com cidadáns que participem destes mesmos ideais e non como sempre parece ter sido. Um filósofo pouco posterior a Husserl e que o apreciaba, mas que também escrevía muito bem e era poeta, espelhou esta situaçón global do ser humano em termos extraordinariamente úteis. Gabriel Marcel, com efeito, tornaba explícita a diferença entre a filosofía e o que aínda non o é – embora se lhe pareça – propondo que mantenhamos bem separados os “problemas” dos “mistérios”. Um “problema” é, como diz com precisón a palabra (puro grego também) um “obstáculo”. A imaxem quase inevitábel da nossa vida é a de um traxecto, o mais recto possíbel, mas que costuma cruzar-se com escolhos, e tem entón de inventar algo para ultrapassar estes “problemas”: contorna-os, salta por cima deles, bombardeia-os… E a vida passa, só que agora armazena um saber novo no seu repertório: tal problema soluciona-se desta ou daquela maneira. Este prosseguir da vida na sua traxectória é encontrar no campo do “mundo” ou no oceano da “realidade” unha facilidade, um espaço aberto (que em grego se diz “poro”). Mas também non se pode duvidar – outra certeza básica, pois entón – que há ocasións especialmente prementes ou aflictivas (passamos ao latim: “estreitas”), isto é, sem espaço para se sair, atravessando-as, contornando-as ou bombardeando-as. Estes xá non son problemas, antes literalmente, “aporías”. Como se fôssemos de cabeza contra a parede, sem poder deter o ímpeto da vida. Parece que vamos morrer esmagados por esse obstáculo xigantesco. Se calhar, damos voltas sobre nós próprios a fím de adiar em ván o choque. Por sinal, Sócrates atribuiu a orixem vital da filosofía non a nenhuma “curiosidade” saudábel ou doentia, mas a um âmago de angústia, e na tentativa de os solucionar reside o princípio das ciências e das técnicas, primas da filosofía.
miguel garcía-baró
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